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Sino da Igrejinha

Lá vem um povo agradecer as bênçãos recebidas e pedir outras graças, seja na igrejinha da cidade pequena, seja nas festas católicas

14 de junho de 2020
Sino da Igrejinha

O sino da Basílica do Pai Eterno, em Trindade/GO, é o maior do mundo, pesando 55 toneladas e com 4 metros de altura e 4,5m de diâmetro. Ele foi fabricado na cidade de Cracóvia, na Polônia. (Foto: divulgação).

Lá vem um povo agradecer as bênçãos recebidas e pedir outras graças, seja na igrejinha da cidade pequena, seja nas festas católicas. Nessas, todos os anos caminham quilômetros, às vezes vindo de outros estados à pé, de bicicleta, de cavalo, de ônibus. Quem está mais próximo caminha menos, mas não com menos fé. Pega um ônibus especial, vai de táxi. Houve um tempo em que as pessoas iam de joelhos, até que a igreja insistiu muito para que as pessoas não fizessem esse tipo de penitência.

Eu tive a oportunidade de ir uma vez a Trindade (GO), numa das festas do Divino Pai Eterno. É a maior festa religiosa do Estado e tem destaque nacional como evento católico do país, reúne gente de tudo que é tipo, movidas pela fé. Os sinos da igreja tocam quase que continuamente, anunciando uma missa e outra. As dores da caminhada são amortizadas pela alegria de adentrar a igreja, o som do sino entra nos ouvidos de forma profunda, e toca a alma de quem está lá.

Eu não me lembro muito bem do sermão do padre e tenho vagas lembranças e tenho vagas lembranças da fumaça do turíbulo que incensavam os féis. Me concentrei mais na benção, na felicidade de ter chegado, em conhecer a igreja e em como seria a volta para casa (é, eu estava cansada). Lá, além das missas, lojinhas de objetos religiosos, tem uma sala em que as pessoas doaram alguns objetos, geralmente em agradecimento a alguma bênção recebida. Contam muitas histórias, como a de um homem que se livrou da morte por um tigre, não sei se é verdade.

O sino é um sinal, signu em latim. Símbolo da chegada, da esperança, da gratidão, da certeza de que há algo maior que nós (um Deus que pode ter diferentes nomes em outras religiões que não são cristãs). Diz a história que o sino badala não apenas para chamar as pessoas para a missa, mas para avisar boas e más notícias, marcar o tempo, dentre outras coisas. A lenda mais bonita é que quando o sino da igrejinha toca – belém, blém, blom – ele indica a presença de Deus no local, e ele ouve a nossa prece com mais atenção.

 

 

Para ler mais textos de Esquinas baixe meu e-book aqui. Ele é uma compilação de crônicas do site entre 2010 e 2019.

Kalyne Menezes

Sou fundadora e produtora do Antes do Ponto Final. Jornalista, escritora e pesquisadora. Gosto de escrever, falo no podcast e apareço no vídeo para contar histórias de pessoas e lugares, de diferentes maneiras. Também gosto de ir atrás das relações entre Comunicação, Cultura, Cidadania e pessoas com foco no que é social e coletivo.

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