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Que trazes pra mim?

Ficava imaginando os três ovos que o "coelhinho da Páscoa" traria pra mim, azul, amarelo e vermelho também

27 de março de 2018
Que trazes pra mim?

A música que eu mais gostava de cantar na Páscoa, nos tempos das apresentações de colégio, era a do coelhinho da páscoa. Ficava imaginando os três ovos que ele traria pra mim, azul, amarelo e vermelho também. Essa era a única música que eu gostava. E eu adorava coelhos, quando eu era bem pequenininha tinha coelhos em casa. Como eles se reproduziam e se multiplicavam muito meus pais acabaram doando pra amigos.

Durante muito tempo eu não podia ganhar ovos de páscoa. Minha família não tinha condições financeiras para isso, e eu achava muito triste algumas crianças que ganhavam ovos de chocolate grandes e caros e estampavam seus prêmios com requinte de crueldade infantil para quem não podia comprar ovos. Eu compreendia que não podia ganhar os ovos mais caros, e que meus pais sempre me davam algum coelhinho pequeno de chocolate para não passar em branco. E nem por isso minha Páscoa foi menos feliz.

Sempre tinha almoço na minha avó no feriado e no domingo eu ia para a igreja, lá eu ouvia histórias cristãs sobre o significado da Páscoa. E sem dúvida o que mais me marcou (independente da crença das demais pessoas ou se elas são ou não cristãs) é que Jesus foi um homem de muita fé e de perseverança. Por isso ele percorreu, segundo a Bíblia, tantos caminhos difíceis, que para alguns poderiam parecer ou até ser mais fáceis.

O que eu mais gostava no domingo de Páscoa era a mensagem de que esse homem de fé não fazia distinção entre as pessoas. Não julgava, não se importava com a cor da pele ou a classe social, e mostrou que a humildade e o caráter são essenciais para seguir um caminho de paz e para enxergar o além: a missão, o propósito.

A Páscoa é um renascimento, muitos de nós nos esquecemos de que para renascer é preciso morrer antes. Matar nossos preconceitos, nossos julgamentos, nosso orgulho, nossa arrogância. Para matar isso, é preciso reconhecer nossos defeitos. Sim, todos temos defeitos. Ser imperfeito é a oportunidade que temos de nos lapidarmos. E todos os anos, na Páscoa, eu me lembro de que não importa quem eu sou ou de onde eu venha, há sempre uma oportunidade de renascer e ser uma pessoa melhor, para uma humanidade melhor.

Kalyne Menezes

Sou fundadora e produtora do Antes do Ponto Final. Jornalista, escritora e pesquisadora. Gosto de escrever, falo no podcast e apareço no vídeo para contar histórias de pessoas e lugares, de diferentes maneiras. Também gosto de ir atrás das relações entre Comunicação, Cultura, Cidadania e pessoas com foco no que é social e coletivo.

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