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A paciência do bambu

O bambu revela que, pacientemente, tudo tem seu tempo: o plantio, a colheita, o despertar.

22 de agosto de 2020
A paciência do bambu

Foto de Raedon (Pixabay).

Existem muitas histórias e parábolas sobre o bambu chinês, mas a que ouvi pela primeira vez foi numa igreja que visitava, o pastor falava sobre as diferenças entre triunfo e sucesso, e usou a história do bambu como ponto de partida para o sermão. O triunfo aceita derrotas, superação, fracassos, e você sempre vence no final. Sucesso, o pregador enfatizava, é momentâneo e não significa exatamente vencer na vida.

Eu não sabia que o bambu chinês levava cinco anos, depois de plantado, para começar a crescer. Na minha memória sempre vem aquelas imagens de plantas altas, muitas à beira do rio ou em terra úmida, que balançam muito quando venta. O bambu chinês é tão forte quanto flexível, e eu considero um tanto difícil aprender a ser como ele nesse aspecto. Algumas situações que passamos na vida nos fazem ser fortes, mas um pouco duros. Em outros momentos, somos flexíveis até demais. É um desafio constante encontrar o meio-termo dessa combinação.

A raiz do bambu cresce debaixo da terra e se estende tanto vertical quanto horizontalmente durante todo esse período. Do lado de fora só vemos um pequeno broto, mas passado esse tempo o bambu pode chegar a 25 metros de altura, em média. Consigo pensar que o bambu é assim para proteger o que está por dentro, ao mesmo tempo em que acumula seus nutrientes para uma raiz forte e sólida quando chegar a hora de crescer e ganhar o mundo. O bambu revela que, pacientemente, tudo tem seu tempo: o plantio, a colheita, o despertar.

Kalyne Menezes

Sou fundadora, diretora e coordenadora geral do Antes do Ponto Final. Jornalista, escritora e pesquisadora. Gosto de escrever, falo no podcast e apareço no vídeo para contar histórias de pessoas e lugares, de diferentes maneiras. Também gosto de ir atrás das relações entre Comunicação, Informação, Cultura, Cidadania e pessoas com foco no que é social e coletivo.

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