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10 dez 2014
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Sobre o amor

Estava no salão fazendo as unhas quando a Lu me perguntou o que eu penso sobre amor. Porque, afinal, fala-se tanto nisso e cada um tem uma definição, muitos pensam já ter vivido, mas poucos realmente viveram. Esses dias um amigo ilustrou bem: “estar apaixonado não é racional, é quando você carrega tijolo no sol do meio-dia, sem questionar, achando o máximo e com um sorriso estampado na cara. Amar é quando você carrega, mesmo não querendo, e entendendo toda a situação. Mas você carrega porque acredita que é uma maneira de andar junto e contribuir para um futuro que vê com a outra pessoa”. A ideia é essa, mas como não é minha deixei entre aspas mesmo.

E ai, respondendo a Lu, disse que acredito que o amor é querer construir algo com alguém. É companheirismo, tanto para superar uma grande dificuldade como para dividir um sorvete. E hoje em dia fala-se muito nisso mas ninguém está disposto a entender o que é de verdade ou até mesmo a viver. Porque amar, antes de um sentimento, é uma escolha. Escolha de tolerar defeitos, superar manias, andar lado a lado – nem na frente, nem atrás. Amar é deixar a mão estendida para o outro e ter a certeza de que, quando precisar também haverá uma mão para te puxar.

Vejo muitas pessoas naquela obsessão, de estar junto, de até mesmo sufocar o que denominam um amor. Aqueles casos em que afirmam que amam, mas existe uma possessividade, uma insistência até mesmo em provar para a sociedade que dá certo. Ou aquela situação platônica de que já encontrou o grande amor e não quer perdê-lo. Porque, na concepção dessas pessoas, o amor é preso à ela. É um romance que em algum momento não continuou, mas existe uma tentativa quase incansável de fazer dar certo. É aquela ideia de que todo mundo tem um grande amor, mas na verdade pode ser só um incômodo, alguém que você gostou muito e, por fatores da própria vida, não continuaram juntos.

Não acredito que o amor seja isso. Porque, para mim, envolve, antes de tudo, paz e interesses afins. Aquilo de arrebatador mas ao mesmo tempo destruidor não é amor, é obsessão. Porque vejo a posse como uma limitação e o amor é livre, para ir e vir. Estar junto não significa que haja amor, pode ser uma conveniência, uma companhia adorável e até mesmo ter assuntos e interesses afins.

Já convivemos com pessoas ótimas, adoráveis, com as quais nos divertimos, fomos felizes e aprendemos muito. Mas amar, amar mesmo, é um cartucho único, como disse uma amiga querida. Não que eu acredite que amamos uma única vez. Amamos até mais de uma, de maneiras diferentes, mas o único o qual ela se refere é aquele amor para a vida toda. Não é o que te sufoca, mas o que te deixa ir. Porque amar é liberdade, diálogo e compreensão. “Amar é querer bem, gostar é querer perto”. É uma diferença sutil. Não que quem ame não quer perto também, mas o amor é livre, não sufoca. E ele acontece, não à primeira vista, mas com o tempo. E mais do que isso: ele revela-se e se mostra, transparentemente, para o mundo.