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29 jan 2015
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#27 Mundo Novo

Lembro como se fosse hoje meu primeiro dia de aula. Minha mãe me levou na escola, às 7h da manhã. Eu tinha uma lancheira rosa do Aladdin e muitos lápis de cor. Quando entrei na sala do “pré 2” lá estava Miriam, a primeira colega de classe que conheci. Japonesa, sorridente e simpática. Daquele dia em diante fomos grandes amigas até a antiga quarta série.

E eu não tive medo da escola ou de ficar longe dos meus pais uma parte do tempo. Pelo contrário: ansiava conhecer a escola e descobrir o mundo novo. Quando foi me buscar no fim da aula, mamãe perguntou se estava tudo bem, eu só sabia sorrir. Tive aula com tia Lilian, ela contava histórias, desenhava no quadro. A gente brincava com giz de cera, pinturas, colagens e outras coisas que não recordo bem.

E eu não entendia porque tinha tantos meninos e meninas chorando no primeiro dia de aula. Era o dia mais feliz! Quando minha mãe foi me buscar eu achei que tinha passado rápido demais e fiquei triste me despedido dos colegas. Falei pra uma colega – que eu acho que era a Mila – não chorar, que não tinha porque ela ficar triste se a gente ia voltar pra casa e no outro dia brincar com outras pessoas.

E na 2 de Julho fui muito feliz. Os únicos momentos tristes na vida escolar na minha infância foram a hora de ir embora. Uma vez eu estava apresentando uma peça de teatro e minha mãe chegou antes pra me buscar. Chorei desesperadamente achando que ela já ia me levar. “Não filha, pode continuar. Sai mais cedo do trabalho e vou esperar a apresentação”, disse ela morrendo de rir de mim.

E lá joguei baleado, queimada, amarelinha, garrafão, polícia-ladrão, pique-gelo, elástico, o dono da rua. Lá o Rodrigo Santana quebrou os dois braços e as duas pernas e o Vinícius permaneceu magro de ruim. O Perim conseguiu superar a classe nas artimanhas e ficou preso na cadeira com o cordão do próprio short por um bom tempo. E eu consegui fingir minha infância inteira que acreditava em Papai Noel, para não acabar com as fantasias dos amigos. Foi divertido, foi maravilhoso. Lembro bem de todos os colegas. Mas o que mais me marcou, sem dúvida, é que ler, escrever, aprender sobre o mundo e ter amigos verdadeiros são as coisas mais valiosas da vida. Ser criança é um privilégio.

 

Texto escrito em 2014.