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13 nov 2016
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Casal 80

Todos os dias, quando saio do meu prédio, encontro o casal 80 no elevador. Eles andam pela manhã, ele de bermuda e tênis, ela de bermuda e chinela estilo confort. O casal tem tanta intimidade que não precisam segurar a mão um do outro. Tantos anos juntos, sem dúvida, os fizeram compreender a palavra no olhar ou intuitivamente, apenas pelo pensamento.

Com frequência os vejo no elevador ou, então, entrando no prédio. Às vezes passam no supermercado, mas fazer tudo a pé mesmo. Nunca os vi tristes. A senhora muito gentil carrega todos os dias um sorriso no rosto e nas mãos a leveza de uma vida dura, mas feliz. O senhor tem uma boina que adora, suas sobrancelhas são brancas e espessas e ele, sem dúvidas, é um bom contador de histórias.

O casal 80 (bom, eu acredito que eles tenham entre 79 e 82 anos) tem energia e disposição. Esses dias no meu prédio os dois elevadores estavam quebrados e eles, sem problema algum, subiram as escadas até o 13º andar. Como disse a síndica, a disposição e energia deles nem causou preocupação. Eles subiram e desceram as escadas três dias seguidos.

Eu admiro esse casal. Só os conheço do elevador, não sei como se chamam, se têm filhos, netos, bisnetos. Provavelmente tem, e muitos. Tenho a impressão de que com o tempo passaram a ver melhor o verde das arvores e a sentir o sabor das frutas. Eles não vivem essa agonia que muitas vezes nós vivemos diante da vida. Para eles há felicidade mesmo na tristeza que eventualmente possam sentir. Não há aflição nem nos olhos cor de mel da senhora, nem nos olhos pretos desse senhor. Em seus olhares só se pode ver duas coisas: amor e paz.

Foto: Candida.Performa/Flickr.


18 out 2016
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Amor em tempos de ódio

Eu sempre soube que amar não era algo fácil, mas com o tempo descobri que difícil mesmo é amar quando o ódio está à flor da pele. Nunca fui de briga, na minha família só assistir a uma briga era razão pra também levarmos uma surra. Com o tempo entendi que isso era uma forma de proteção encontrada por meus pais, evitando que as agressões sobrassem para meus irmãos e eu.

Mas, como todo ser humano, já desejei mentalmente bater feio em alguém. Já ensaiei para mim mesma discursos elaborados em resposta a situações desagradáveis. E quer saber? Nunca disse nenhuma. E a única vez que disse algo impensado, em um momento de sensibilidade e de fúria, me arrependi profundamente – por mim e pela atendente quase desumana de uma instituição pública a quem proferi as palavras. Horrível de se lembrar.

Nada melhor que ser gentil e amar. Há uma violência gratuita por todos os lados, por razões sem razão. Porque para violência nunca haverá justificativa. Desconta-se o ódio no atendente da loja que descontou em nós um dia ruim de trabalho. Aponta-se o revólver para o motorista de ônibus porque o coletivo demorou demais para passar. em paciência, ultrapassagem violenta e desrespeitosa por causa de dois segundos na frente da pista. Ataca-se por usar vermelho, por ser mulher, por ser negro, por pensar diferente. Famílias se agredido sem razão, ou por razões que valeriam a pena serem ignoradas por um sentimento maior de união.

Demonstrar raiva e insatisfação é para os fracos. Eu imagino que, de certa maneira, seja fácil e até prazeroso bater em alguém, destruir um bem público, espancar um manifestante, pisotear a torcida de futebol, amassar o carro da frente repetidas vezes, por “prazer”. É a válvula de escape por onde a vida escapa. O preço que se paga é um ódio sem fim, amargo, desonesto e mesquinho.

Esses dias uma amiga me disse com certa admiração que eu perdoava muito fácil as pessoas e que tinha até memória curta. Segundo ela, parecia que entre mim e as pessoas que, de certa maneira tiveram desavenças comigo ou cometeram injustiças não havia acontecido nada. E eu respondi: mas para que guardar rancor? O que passou passado é. Tão bom seguir em frente, em paz, e com uma possibilidade de recomeço com as pessoas que podem até ter nos ferido, mas que em algum sentido, mesmo que mínimo, ainda podem valer a pena.

A vida é tão curta, precisamos no mínimo estar dispostos a cultivar os bons sentimentos que a humanidade pode ter. Dê um abraço, seja gentil, diga um bom dia verdadeiro. Dê mais amor, por favor. Difícil mesmo é superar as chateações e diferenças, os insultos e humilhações. Mas acredite, vale a pena. Tenho preferido pensar assim. O melhor revide é o amor.


21 ago 2016
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Amor único

Encontrei você numa aula qualquer. De início, seu sorriso e jeito insistente geraram uma empatia. Não imaginava que, com o passar dos anos, esse sorriso fosse ficar na minha rotina, de modo tão natural. Veio a paixão, mas não aquela que se antecipa pelos olhares e risos sem graça. A nossa paixão nasceu um dia, de repente. Já nós ligávamos todos os dias s sabíamos que éramos grandes amigos.

Fizemos amor por acaso, no início meio tímido e sem jeito. Depois ficou do nosso jeito. O som dos clássicos no fundo durante o jantar, a TV sempre ligada nos fazendo companhia, o cheiro do vinho entrando pelas narinas e inundando a garganta. Com a gente não tinha disse me disse me disse, pode isso ou aquilo. Tudo que queríamos pudemos ser porque, antes de qualquer coisa, fomos melhores amigos. E dos melhores. A nossa companhia de bastava. O nosso beijo, tão completo. E os demais detalhes não conseguiria descrever com tamanha perfeição.

Fomos amigos até que eu encontrasse meu outro destino, minha outra alma gêmea, a quem eu estava destinada a encontrar nesse plano, nesse momento. Já você, encontrou outras antes de mim. Mas, sem dúvida, a gente se completa de alguma forma. E eu sei, ah, eu sei, que na próxima vida ficaremos juntos de alguma forma. Quem sabe nossos olhares não se cruzam antes dos outros?