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PARA LER

06 jun 2016
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Como a gastronomia interfere nas nossas relações

Pensando sobre qual livro escrever no blog da Immagine me deparei com um do Luis Fernando Veríssimo que adoro, sempre com histórias leves e recheadas de humor. Já havia escrito sobre esse livro antes, mas é sempre bom recordar – e reler – cada parágrafo que me traz boas risadas. O livro é A Mesa Voadora, de 2001, tem 152 páginas e foi publicado pela editora Objetiva. Uma leitura fácil e gostosa.

Com humor, ironias e uma visão bem peculiar, Veríssimo conta muitas histórias verídicas pelas quais passou relacionado ao belíssimo ato de comer, beber – degustar. Dentre os capítulos, tem desde situações entre dar moral para a mulher do amigo versus perder a amizade e a costela maravilhosa do amigo, enviar a conta de um restaurante divino para um amigo via carta só para passar inveja, paquera e disputa mediados pelo paladar.

Dentre os capítulos, três são memoráveis. O capítulo inicial, Buffet, dá até dicas para a hora do “ataque”: macetes, impiedade e coação. O início do capítulo já diz tudo:

“Um dos martírios da vida social moderna é o buffet. […] Diante de um buffet você deve se debater entre dois sentimentos: a vontade de comer tudo e o remorso por estragar a arquitetura. Depois, é claro, de agradecer à providência por pertencer aos 30% da população que comem e à minoria ainda menor que é convidada a buffets. Pois o buffet também é a apoteose da boca-livre.” (VERÍSSIMO, 2001, p. 11-12)

O segundo capítulo memorável é “O come e não engorda”, o sonho de todos nós. “Ninguém é mais admirado do que o come e não engorda. Você o conhece. É o que come o dobro do que nós comemos e tem a metade da circunferência e ainda se queixa: – Não adianta. Não consigo engordar”.

Um dos melhores capítulos, o terceiro da minha seleção, é o que fala dos ovos. Me identifiquei do início ao fim, pois, quando criança, adorava comer ovos e não podia exceder a dois por semana, por conta daquele papo de que ovo demais faz mal. Vale até o esforço de digitar um pedacinho do texto:

“Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema. […] E agora estão dizendo que tudo foi um engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca. A próxima notícia será que bacon limpa artérias.” (VERÍSSIMO, 2001, p. 65)

Vale a pena cada segundo de A mesa voadora. Nunca ri e tive vontade de degustar ao mesmo tempo. Episódios passando em minha mente. Ah, sim, pecado terrível esse da gula.

 

Título: A mesa voadora

Autor: Luiz Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva

Especificações: 126 páginas

Preço médio: R$ 38,00


06 jun 2016
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Na pior

Já pensou em como seria viver uma situação de extrema pobreza, sem roupas, passando fome, vivendo como mendigo e andarilho? É o que narra o famoso livro de George Orwell Na pior em Londres e Paris. Junto a outras leituras clássicas do jornalismo literário, o livro é uma narração verídica vivida pelo autor Eric Arthur Blair (nome de batismo de George Orwell) no final dos anos 1920 em Paris e Londres.

Com uma linguagem agradável e cheia de humor, o livro narra como é a vida incerta de quem não tem – literalmente – onde cair morto. Do trabalho praticamente escravo em hotéis e restaurantes a professor de inglês, Orwell conta a rotina da pobreza com muita riqueza de detalhes – e reflexões.

Um misto de humor e indignação, Na pior em Londres e Paris conta o dia a dia das pessoas sujas e esfomeadas, revelando leis que proibiam os mendigos de dormirem, sentarem e até mesmo pararem em locais públicos para pedir esmolas. Os albergues de passagem não aceitavam que a mesma pessoa dormisse duas noites seguidas no mesmo lugar.

Escrito em forma de diário, o livro expressa a motivação do autor em conhecer mais de perto a humanidade, contando a partir da própria experiência como viviam as pessoas que eram desprezadas pelo restante da sociedade. Invisíveis, mal percebemos que os mendigos têm filosofias de vida, ideais, ética, compromisso e, claro, saídas criativas para tirar a barriga da miséria.

Na pior em Londres e Paris apresenta personagens que vão além de uma mera figura na história. São pessoas que justamente por não terem um tostão no bolso se sentem completamente livres porque não têm medo de perder dinheiro.

A identificação com as pessoas que conviveu entre 1928 e 1930 reforçou o sentimento que fez com que George Orwell abandonasse o trabalho de policial na Inglaterra antes de se tornar mendigo: um nojo à política imperialista britânica. Na pior em Londres e Paris revelou muitas verdades, inclusive ao autor que atrelou seu talento de escritor às suas convicções.

 

Livro: Na pior em Londres e Paris

Autor: George Orwell

Editora: Companhia das Letras

Preço médio: 33 reais.


24 maio 2016
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Livro | Bonsai, de Alejandro Zambra

Comprei o livro Bonsai por acaso, numa promoção de livraria. Inicialmente me chamou atenção pela capa e pelo preço (claro!), mas a descrição do livro e o fato do autor ser chileno também aguçaram minha curiosidade. Além de Bonsai, comprei também A vida privada das árvores, do mesmo autor. Ao final da primeira página já havia me encantado pela escrita cativante de Alejandro.

Bonsai é um livro que lemos de uma única vez, rapidamente, em pouco mais de uma hora. As 96 páginas foram suficientes para mostrar o quanto um livro breve pode ser intenso. A história gira em torno de Julio e Emilia, um casal de estudantes chilenos de Letras que se conheceu em uma noite de estudos e festa. A relação deles gira em torno dos livros que leram e que não leram, como os do escritor Marcel Proust.

Rapidamente aprenderam a ler os mesmos livros, a pensar parecido e a disfarçar as diferenças. Logo moldaram uma vaidosa intimidade. Ao menos naquela época, Julio e Emilia conseguiram se fundir numa espécie de vulto. Em resumo, foram felizes. Disso não resta dúvida.

Mas o livro não é sobre uma história de amor, mas sobre o desdobramento dela. Já na primeira linha sabemos que “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes de morte dela, de Emilia”. Calma, não estou dando spoiler, esse é só o começo da trama toda.

Bonsai nos conta que apesar das relações serem passageiras, nem por isso são menos importantes. E que após a ruptura de um grande amor ainda existem experiências a serem vividas, descobertas, sem necessariamente remeter às relações anteriores. O livro é basicamente sobre o que restou de Emilia e Julio após o término e de como os dois se relacionam com as recordações desse romance.

Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda a sua vida? Disse isso, e Julio, estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida.

 

É uma leitura cativante! Boa leitura!

Título: Bonsai

Autor: Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 96

Preço médio: R$ 22,00

Disponível para baixar: http://goo.gl/LL72jX

 

Texto publicado originalmente no site da Immagine.