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OLHARES

03 nov 2014
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Sem direção

Tem dias que a gente acorda sem saber onde se quer ir. Sem saber se quer leite com achocolatado, ou um café amargo. Se vai comer pizza ou um pão francês ao acordar. Ou se vai esperar o almoço, pois talvez esteja sem fome no café da manhã.

É uma inconstância, uma indecisão, uma confusão sem ter o porquê. Complicamos o fato, omitimos o desejo, escondemos a razão e nos enganamos sobre o que realmente pensamos ou sentimos. Não é que temos receio de nos mostrar, nos revelar, mas todos nós temos nossas proteções, nossos santos, nossas crenças e motivos construídos sob superstições ou situações já vividas.

Não é que não saibamos o que queremos. Só não sabemos exatamente como queremos, a que tempo, a que hora. E muitas vezes é mais fácil ficar protegido de si mesmo. Tão fácil seria ser você mesmo, sem carregar o peso de sê-lo, o peso das coisas leves, naturais, tranquilas. É a nossa insustentável leveza do ser, meu livro predileto. E assim vamos, sem direção às vezes clara, mas encontrando o caminho, aos poucos, mesmo quando nos perdemos, mesmo sem saber que já estamos trilhando algo.


03 nov 2014
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O que nos prende aos lugares

 

“O que nos prende aos lugares são as pessoas”, ouvi isso muito cedo. E passei a refletir. Que não importa se é uma metrópole ou um povoado, nossas raízes são alimentadas por pessoas. Aquelas que fazem a nossa vida ter um sentido, aquelas – do seu sangue ou não – que compartilham narrações conosco: comédias, conquistas, derrotas, superação, amor, terror e aventura.

Às vezes somos coadjuvantes. Podemos nao ganhar o Oscar de melhores atores secundários, mas compomos a trama. Outras incorporamos o parceiro do xerife, do durão fora da lei ou até do amigo que se estrela e topa tudo pra ver o objetivo alcançado. Também somos narradores das historias alheias, sendo participantes, mais que coadjuvantes. Contamos nossa própria história nas histórias dos próximos.

Nossa própria narração segue o mesmo padrão, perpetuada por nós e pelos que importam. Também vem as distorções, mentiras e invenções sobre nós, quase sempre por alguém que está na nossa narrativa mas não assume ou não concorda com os desfechos.

No fim o que nos prende aos lugares são mesmo as pessoas. Nem sempre lugares fixos, mas espaços criados, instituídos, formados. As pessoas, mesmo espalhadas, regam as nossas raízes. As raízes certas, as pessoas certas, no momento propício para a germinação, renovação, floração.