Call us toll free:
Best WP Theme Ever!
Call us toll free:

OLHARES

03 nov 2014
Comments: 0

#18 E agora, José?

Já ouço essa música pela quinta vez hoje – indicação do meu amigo Juarez (Ouça aqui o vídeo). “E agora, José?” é um clássico do Drummond. Só lembro do meu tio caçula cantando na varanda da casa, com aquele olhar de interrogação… “E agora, José?”

E não me lembro da primeira versão musical, porque esta do Diniz está martelando na minha cabeça. Fico pensando: “para onde?”. José, para onde? Também me pergunto isso. Todos nós. Até sabemos para onde vamos, mas às vezes fica uma interrogação, para onde seguimos mesmo? Qual o caminho que andamos? E viramos à direita, nos perdemos na rotatória…e pegamos outro rumo. Que vai dar, pelo menos pra algumas pessoas como eu – que pensam assim -, no objetivo final e supremo.

Não, não é um objetivo mútuo nem rígido. A gente muda de opinião e isso não é um pecado capital. A gente se descobre, nesses caminhos. Gostos, desgostos, novos gostos, antigas coisas adoráveis que se perderam e encontramos.

E agora, José… é como um Encontro Marcado do Fernando Sabino. É só se perdendo num emaranhado de situações para se encontrar de verdade. É um turbilhão e, lá no meio, nós. E a gente se descobre, todos os dias, se perde e se encontra. Se angustia, se esforça para cultivar a felicidade do instante. Não existe porta, quer morrer no mar. Mas o mar secou. No final de tudo há uma outra alternativa, um outro caminho, um novo bicho do mato a ver a luz do sol reluzir.

“Você marcha, José, José, para onde?”. Talvez cada dia pra um lugar que no final vai dar sempre em mim, mais um eu de tantos.

 

Texto escrito em 2014.


03 nov 2014
Comments: 0

#6 Sem direção

Tem dias que a gente acorda sem saber onde se quer ir. Sem saber se quer leite com achocolatado ou um café amargo. Se vai comer pizza ou um pão francês ao acordar. Ou se vai esperar o almoço, pois talvez esteja sem fome no café da manhã.

É uma inconstância, uma indecisão, uma confusão sem ter o porquê. Complicamos o fato, omitimos o desejo, escondemos a razão e nos enganamos sobre o que realmente pensamos ou sentimos. Não é que temos receio de nos mostrar, nos revelar, mas todos nós temos nossas proteções, nossos santos, nossas crenças e motivos construídos com base em superstições ou situações já vividas.

Não é que não saibamos o que queremos. Só não sabemos exatamente como queremos, a que tempo, a que hora. E, muitas vezes, é mais fácil ficar protegido de si mesmo. Tão fácil seria ser a gente mesmo, sem carregar o peso de sê-lo, o peso das coisas leves, naturais, tranquilas. É a nossa insustentável leveza do ser – um dos meus livros prediletos. E, assim, vamos sem direção ou , às vezes, uma estrada nem sempre tão clara. Vamos encontrando o caminho aos poucos, mesmo quando nos perdemos, mesmo sem saber que já estamos trilhando algo.


03 nov 2014
Comments: 0

O que nos prende aos lugares

 

“O que nos prende aos lugares são as pessoas”, ouvi isso muito cedo. E passei a refletir. Que não importa se é uma metrópole ou um povoado, nossas raízes são alimentadas por pessoas. Aquelas que fazem a nossa vida ter um sentido, aquelas – do seu sangue ou não – que compartilham narrações conosco: comédias, conquistas, derrotas, superação, amor, terror e aventura.

Às vezes somos coadjuvantes. Podemos nao ganhar o Oscar de melhores atores secundários, mas compomos a trama. Outras incorporamos o parceiro do xerife, do durão fora da lei ou até do amigo que se estrela e topa tudo pra ver o objetivo alcançado. Também somos narradores das historias alheias, sendo participantes, mais que coadjuvantes. Contamos nossa própria história nas histórias dos próximos.

Nossa própria narração segue o mesmo padrão, perpetuada por nós e pelos que importam. Também vem as distorções, mentiras e invenções sobre nós, quase sempre por alguém que está na nossa narrativa mas não assume ou não concorda com os desfechos.

No fim o que nos prende aos lugares são mesmo as pessoas. Nem sempre lugares fixos, mas espaços criados, instituídos, formados. As pessoas, mesmo espalhadas, regam as nossas raízes. As raízes certas, as pessoas certas, no momento propício para a germinação, renovação, floração.