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OLHARES

02 jan 2017
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#37 Sobre o tempo

Sempre cresci ouvindo que tempo é dinheiro, depois me dei conta que tempo é ouro fino. Porque ele não volta, só anda pra frente e, por vezes, escorre entre os dedos. Tempo é precioso, mas ao contrário do ditado popular ele se torna importante porque diz o quanto algo ou alguém importa para nós.

A gente pode correr atrás do tempo, mas ele não volta. O que fica é o que plantamos com ele, porque isso é o que vamos colher. O tempo que passamos conversando com um amigo, conhecendo pessoas que realmente nos acrescentam algo a mais, estudando para adquirir conhecimento e tentarmos nos tornar um pouco mais sábios e evoluídos.

Cada vez que inspiramos e expiramos ar o tempo passa e, com ele, revoluções acontecem. Sejam a nível individual ou de mundo. O tempo, amigos, é o que temos de mais valor. Quem compartilha tempo conosco merece cuidado especial.

 

 

Texto escrito em 2017.

Foto: Bruno Destéfano.


18 out 2016
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#32 O leão nosso de cada dia

Não importa o dia da semana, todo dia é um recomeço. Novos desafios no trabalho, na vida pessoal, nos próprios afazeres domésticos (ô partezinha chata!0, nos relacionamentos, nas nossas lutas internas. É aquele ditado: praticamente matamos “um leão por dia”. Mas matar é um verbo tão forte, tão agressivo e eu diria que até injusto, não acha?

Talvez esse “leão” diário precise mesmo é de um cuidado, um jeitinho, um elogio que possa nos fazer perceber, inclusive, que o leão desafiador que tanto nos assusta pode não ser tão grande assim. Outras vezes, diversos desafios são sim difíceis, precisam de persistência, garra, ânimo e um empurrãozinho de outras pessoas e amigos para vencê-los.

Por vezes, não é preciso matar esse tal leão, mas apenas afagá-lo. Nos estressamos sempre por questões tão pequenas que podem ser resolvidas com atitudes muito simples. Um bate-papo, um café, uma roda de conversa com esse leão e, daqui a pouco, ao invés de estrangulá-lo como no começo da semana, terminaremos a sexta-feira convidando-o para o happy hour. Afinal, todos nós sabemos que os leões vivem, na verdade, dentro da gente.

 

Texto escrito em 2016.


18 out 2016
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#31 Amor em tempos de ódio

Eu sempre soube que amar não era algo fácil, mas com o tempo descobri que difícil mesmo é amar quando o ódio está à flor da pele. Nunca fui de briga, na minha família só assistir a uma briga era razão para também levarmos uma surra. Com o tempo entendi que isso era uma forma de proteção encontrada por meus pais, evitando que as agressões sobrassem para meus irmãos e eu.

Mas, como todo ser humano, já desejei mentalmente bater feio em alguém. Já ensaiei para mim mesma discursos elaborados em resposta a situações desagradáveis. E quer saber? Nunca disse nenhuma. E a única vez que disse algo impensado, em um momento de sensibilidade e de fúria, me arrependi profundamente – por mim e pela atendente quase desumana de uma instituição pública a quem proferi as palavras. Horrível de se lembrar.

Nada melhor que ser gentil e amar. Há uma violência gratuita por todos os lados, por razões sem razão. Porque para violência nunca haverá justificativa. Desconta-se o ódio no atendente da loja que descontou em nós um dia ruim de trabalho. Aponta-se o revólver para o motorista de ônibus porque o coletivo demorou demais para passar. em paciência, ultrapassagem violenta e desrespeitosa por causa de dois segundos na frente da pista. Ataca-se por usar vermelho, por ser mulher, por ser negro, por pensar diferente. Famílias se agredido sem razão, ou por razões que valeriam a pena serem ignoradas por um sentimento maior de união.

Demonstrar raiva e insatisfação é para os fracos. Eu imagino que, de certa maneira, seja fácil e até prazeroso bater em alguém, destruir um bem público, espancar um manifestante, pisotear a torcida de futebol, amassar o carro da frente repetidas vezes, por “prazer”. É a válvula de escape por onde a vida escapa. O preço que se paga é um ódio sem fim, amargo, desonesto e mesquinho.

Esses dias uma amiga me disse com certa admiração que eu perdoava muito fácil as pessoas e que tinha até memória curta. Segundo ela, parecia que entre mim e as pessoas que, de certa maneira tiveram desavenças comigo ou cometeram injustiças não havia acontecido nada. E eu respondi: mas para quê guardar rancor? O que passou passado é. Tão bom seguir em frente, em paz e com uma possibilidade de recomeço com as pessoas que podem até ter nos ferido, mas que em algum sentido, mesmo que mínimo, ainda podem valer a pena.

A vida é tão curta, precisamos no mínimo estar dispostos a cultivar os bons sentimentos que a humanidade pode ter. Dê um abraço, seja gentil, diga um “bom dia” verdadeiro. Dê mais amor, por favor. Difícil mesmo é superar as chateações e diferenças, os insultos e humilhações. Mas acredite, vale a pena. Tenho preferido pensar assim. O melhor revide é o amor.

 

Texto escrito em 2016.

Foto: Bruno Destéfano.


02 set 2016
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#4 Breve biografia de um grito

O pior grito é aquele que não passa na garganta, nem desce no estômago. É o que fica entalado, naquele espaço entre o início e o fim do esôfago. É o grito que não segue o caminho prescrito, que não sai, ao contrário: um grito reverso que desce rasgando até o calcanhar e depois continua, esticando os dedos dos pés.

É aquele grito frito que pula, salpica na panela, espirra gordura quente. É aquele entalado, que explode e dilacera. O pior grito é o que se segura para não esbravejar verdades inteiras e meios esporros é o grito que expulsa, como num balão de água, todas as gotas d’águas nos olhos de uma vez. E, num instante, elas secam pela força do silêncio.

É o grito comedido que, na intenção de não rasgar o que vem pela frente, pensa no sufoco e no abafo até como sabedoria. Porque, não raro, pelo som uníssono de uma voz consegue possivelmente arrancar corpos inteiros do chão como numa colisão fatal: nem pele, nem osso, nem sangue, nem cor, nem músculos. Nada sobrou de um grito.

 

Texto escrito em 2013.

Foto: Bruno Destéfano.


05 jun 2016
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#30 E aí, o que é felicidade?

Essa semana um amigo me contou a versão resumida de uma história interessante sobre felicidade. Certa vez um homem fez uma viagem de avião e, ao contar para um amigo sobre o passeio, falava apenas das horas de espera no aeroporto, das dificuldades de transporte na viagem, dos empecilhos no hotel e de dezenas de aspectos negativos. Ora, só o fato de poder voar já é praticamente um milagre.

Se pensarmos bem, voar é uma oportunidade que há pouquíssimo tempo nossos avós não poderiam fazê-lo. Meu avô chegou a andar de avião, mas antes disso também foi da Bahia até Minas a pé, e de lá pegou um trem para São Paulo. Depois vieram as estradas terrestres, por fim o avião. Como podemos não apreciar a facilidade de ir de um país a outro sem precisar ficar anos dentro de um navio? A maneira como enxergamos as situações é o que pode determinar a felicidade.

Pensar nos lugares a conhecer, nas aventuras vividas, nos momentos em companhia de pessoas especiais. Felicidade talvez seja o milagre do cotidiano: abrir um bombom, ganhar um abraço, ler um bom livro, soltar um sorriso. Ficar horas conversando com alguém, ver uma série sensacional, tomar um banho de rio ou de mar, receber uma carta, achar dinheiro no bolso da calça, ser recebido com o afago do seu cachorro, comer um prato preferido, beber um bom vinho. Lá na frente esses momentos vão compensar a espera pelos voos e a árdua rotina. Seja dia de sol ou de chuva, sem dúvida, sempre há uma razão para um ser feliz.

Texto escrito em 2014.


02 mar 2016
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#29 Manual dos amantes

Para ser um bom amante deve-se, antes de qualquer coisa, ser discreto. Pegar na mão suave e discretamente, cheirar a nuca disfarçadamente, deixando a respiração dizer, em poucas pausas, que o que os torna bons amantes são os pequenos gestos.

Um bom amante também deve quase que obrigatoriamente saber conversar. Sim, dialogar sobre a vida, as cores do céu, as pedras no caminho. Para que no embalo de sábado à noite ou de qualquer outro dia não falte franqueza, sinceridade, respeito e conhecimento um do outro e sobre o outro.

O amante perfeito é movido pelo prazer de ser feliz, como consequência de também fazer seu companheiro ou sua companheira feliz. E felicidade, pela minha concepção, é não precisar inventar pequenas mentirinhas, sorrisos disfarçados ou desculpas esfarrapadas. É ser livre e inteiramente franco. E que isso não seja um peso, mas uma escolha.

Um bom amante também é muito bom na cama: fazendo amor, assistindo um filme, compartilhando a mesma luz para ler um livro, dando assistência no caso de uma enfermidade, conversando horas a fio madrugada adentro ou dormindo um sono profundo.

Para ser um bom amante também é fundamental não sufocar o outro, seja por um sentimento exagerado de posse, seja por falta de confiança. Porque o amor, de fato, é liberdade. E como diz aquela frase popular da internet, que eu não tenho certeza se é do Manuel Quintana, o amor “quando vira nó já deixou de ser laço”.

E ainda há de fazer parte da rotina dos amantes as pequenas surpresas gostosas da vida: sonho de valsa, cineminha a dois, jantar aconchegante em casa, uma flor colhida no jardim, um abraço para confortar uma dor, um beijo pra demonstrar uma grande alegria.

Um bom amante, com certeza, é aquele que se apaixona todos os dias pela mesma pessoa – com naturalidade, confiança, tolerância, compreensão, respeito e verdade. Porque se o amor não puder ser completo e verdadeiro, ele não é uma entrega. E, se não é entrega, não é possível, de formal alguma, ser um bom amante.

 

Texto escrito em 2014.

Foto: Bruno Destéfano.


25 fev 2016
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#28 Apego e desapego: já pensou nisso?

Se tem uma palavra que caiu no gosto do povo é “desapego”. Até aí, tudo bem, pois desapego, de uma maneira resumida, significa desprendimento diante da vida, das superficialidades, da vaidade em prol de fatos importantes e que tenham sentidos mais profundos, que estão vinculados ao saber dividir e compartilhar a vida de uma maneira generosa.

Mas, no cotidiano, a palavra desapego tem sido associada a romances frustrados, paixonites não correspondidas, venda de bens materiais e um não “importar-se” de maneira geral com a vida. Enquanto apego aparece, quase sempre, com um sentido negativo, de posse em relação a pessoas, situações ou objetos.

Da mesma maneira que desapego tem um sentido muito mais profundo e de transformação interior, o apego também está relacionado a aspectos positivos da conduta e do caráter humano. A primeira definição de apego, segundo do dicionário Michaellis, é de “afeição, afeto, inclinação”. Outros vão mais além, incluindo o sentimento de simpatia, de bem-querer e de apoio.

Lendo assim, vejo apego como elo, aquilo que nos une às pessoas, que nos faz importar-se com elas e abrir mão de determinadas atitudes, prazeres, programas por alguém. E isso de uma forma natural, com liberdade, sem pressão ou possessividade. É querer estar junto, aceitando o outro da maneira que ele é. Apego é, assim como o desapego, abrir espaço para momentos de felicidade, de importar-se com a vida, com o próximo. É dizer “sim” para o outro sem dizer “não” para si mesmo.

Tem um texto sobre abelhas que circula na internet, de autor desconhecido, que explica bem o que significa desapego (e eu incluiria até o apego, no sentido positivo da palavra).

“As abelhas nos dão um grande exemplo de desapego. Após construírem a colmeia, elas abandonam-na. E não a deixam morta, em ruínas, mas viva e repleta de alimento. Todo mel que fabricaram além do que necessitavam é deixado. Batem asas para a próxima morada sem olhar para trás. Num ato incomum, abandonam tudo o que levaram a vida para construir. Simplesmente, o soltam sem preocupação se vai para outro. Deixam o melhor que têm, seja pra quem for – o que é muito diferente de doar o que não tem valor ou dirigir a doação para alguém de nossa preferência. Se queremos ser livres, parar de sofrer pelo que temos e pelo que não temos, devemos abrigar um único desejo: o de nos transformar. Assim, quando alguém ou algo tem de sair de nossa vida, não alimentamos a ilusão da perda. O sofrimento vem da fixação a algo ou a alguém. O apego embaça o que deveria estar claro: por trás de uma pretensa perda está o ensinamento de que algo melhor para nosso crescimento precisa entrar. Se não abrirmos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?”

Mais do que desapego e apego, eu penso que as abelhas nos ensinam sobre felicidade.

 

Texto escrito em 2014.