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ESQUINAS

Esquinas

03 nov 2014
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#11 O locutor do povo

Há tempos tenho pensado em escrever sobre um amigo, o locutor do povo. E hoje, ocasião do seu aniversário, acabei encontrando a data propícia. Conheci o Carlinhos do Esporte – nome de profissão – quando fui trabalhar na Secretaria de Saúde de Goiânia. E a pergunta de todo novo jornalista que nos liga é “Carlinhos do Esporte? Mas aí não é da saúde?” Pois é.

Ele trabalhou com esporte durante um tempo, o que deu a ele o nome jornalístico. Funcionário do Ministério da Saúde, há muito tempo já trabalha conosco nessa área que, digamos, é apaixonante. E ele é o cara que faz a rota na cidade indo nos bairros e também nas unidades de saúde, ouvindo a “bronca” do povo e também tentando mostrar soluções. Também é o “bombeiro” da nossa assessoria, que apaga incêndios e resolve situações delicadas nos finais de semana.

Ao mesmo tempo em que nos dá suporte do rádio, o repórter do povo percorre praticamente todos os bairros de Goiânia. Uma paixão? Rádio. Desde menino ele trabalha na Rádio Terra – e coleciona diversas blusas pólo da rádio. E não há quem não o conheça. Às vezes acho que Carlinhos não descansa. Desde as cinco da manhã está na rua, muitos dias no Ceasa (Centro de Abastecimento de Alimentos de Goiânia), onde começa o trabalho às 4h e, por volta das 6h, já está com os trabalhadores comendo espetinho. E eu me pergunto: o Carlinhos dorme?

Todos os anos, Carlinhos corre a São Silvestre. Aliás, ele vive participando das corridas em Brasília, Goiânia e outros lugares. Mas a São Silvestre é a oficial. Aquele movimento, gente de todos os lugares, sempre o atrai. É mais um desafio, e um prazer. A família, sua maior paixão, sempre está com ele. Não importa o lugar. Porque, como faz muitas coisas e está em vários lugares, cada instante com eles é precioso.

Outra paixão? Gibis. Ele tem uma coleção lendária, de não sei quantos gibis, que eu ainda não conheci, apenas ouvi falar. E imagino porquê. É que Carlinhos, um querido, tem a honestidade do cara trabalhador, agarra as lutas do povo e, apesar disso, tem um enorme coração, repleto da sinceridade e da simplicidade de uma criança. A minha dúvida é só o que é maior: se é o coração dele que cabe todo mundo ou se é o de povo, que leva ele no coração.

E o povão mete bronca, Carlinhos!

 

Texto escrito em 2012.


03 nov 2014
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#8 Iorgute Gogó

No trânsito, descubro que o motorista que levava minha colega Anna e eu para cobrir uma pauta trabalhou muito tempo transportando “iogurte gogó” pelo país.

– Iogurte Gogó, é assim mesmo que escreve?

– Sim, gogó. Era sem igual, um gosto que nenhum outro consegue superar, mas faliu, cooperativa, você sabe como é.

A primeira encomenda, dizia ele, eu lembro até hoje. “Foi um dia depois que peguei minha carteira. Eu nem sabia dirigir. Entrei na Kombi e me disseram: agora você vai levar esses iogurtes em Anápolis”. E lá foi ele, nervoso de medo. Mas deu tudo certo, foi e voltou com aquela satisfação pelo novo emprego.

E lá ficou por muitos anos, trabalhando na estrada. E vendia os iogurtes, o queijo, tudo no caminho. Imaginei o motorista como um personagem do filme Cinema, Aspirinas e Urubus, parando de canto em canto para vender os produtos. No destino deixava mesmo só o que era pra deixar, tinha liberdade pra vender no caminho desde que repassasse o valor padrão do produto para a empresa”.

Dirigiu uma Kombi, muitos e muitos anos. E aí foi difícil, a empresa faliu. “Mas eu saí antes, recebi uma proposta muito boa na Sadia. Não era como o Iogurte Gogó, aquela sensação. Mas era uma empresa maior, com muitos benefícios para os trabalhadores. Fiquei lá 18 anos, gostei muito”. Anos depois, passou num concurso da prefeitura e virou servidor público.

Também criou um negócio próprio, um pitdog, como chamam por aqui. É limpo, organizado e segundo ele tem um molho de ervas sensacional – que ainda tenho que provar. Falei para ele ver o vídeo da despedida da Kombi, lindo. Tenho certeza de que vai se emocionar lembrando daquela primeira viagem para Anápolis, inaugurando a licença para dirigir já na BR. E, enquanto isso, vai sentido o gosto saudoso do Iogurte Gogó. “Aquilo que era sabor de verdade!”

 

Texto escrito em 2011.

 


07 mar 2011
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#39 Marchinhas de ontem e hoje

Mais um carnaval, saí na sexta para encontrar duas amigas, como de costume. Na ida, à pé, com poucos pertences prevenindo ‘assaltos carnavalescos’, aquele clima de chuva, vento, calor e tempo abafado. Uma mistura, como tudo na Bahia – e no Brasil, claro. E na cidade aquela confusão, feito comida misturada no prato de peão nordestino: não dá para distinguir a carne da farinha e do feijão.

Então, Anne, Carina, Priscila  e eu comendo um açaí paraguaio rindo das histórias do passado e planejando os momentos do futuro. Arquiteta, engenheira agrônoma, nutricionista e jornalista: empreendedoras à frente de seu tempo, preciso reforçar . Hoje, conversando na casa da minha vó com uns primos, tios e parentes fiquei lembrando de quando era criança e o povo falava que tinha vinte e uns anos de idade. E assim somos nós quatro, amigas há mais de dez anos e agora na casa dos vinte e uns também. É gostoso pensar nisso, que somos tão saudosistas quando lembramos da infância, daqueles amorzinhos de mentirinha; quando passamos pela adolescência, daquelas paixonites que não valem o estresse, e, agora, na juventude com a energia de criança e a alma de adulto planejando cada passo.Claro, de vez em quando pisamos em falso, como todo mundo.

Conversei sobre o carnaval com mainha, ela falando das marchinhas e clubes de festa do seu tempo ainda pensei no passado e no futuro. De tarde, seguindo os Netos de Momo com minhas amigas, relembrando as antigas marchinhas, fiquei lembrando da música do Belchior, na voz de Elis: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais…”. E eu ria, cada fantasia mais engraçada que a outra. Percebi que quanto mais simples, mais genuíno. Fiquei em dúvida se achei mais criativo os meninos de ciroula ou uns dois que furaram uma caixa de papelão, com braços e cara, que cantavam “vem pra caixa você também…”. Ainda tinha o clássico Fla Flu com um juiz super tendencioso que vou dispensar mais comentários…

No final me dei conta que, não importa a fantasia, é preciso festejar tudo: idas, vindas, paradas, obstáculos e “perdidos” – pois é bem nesse perder-se que acabei encontrando Anne, Priscila e tantos outros queridos amigos também curtindo a intensidade e a alegria do momento. Cada vez me convenço mais do que dizia Clarice: “Perder-se também é caminho”.