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ESQUINAS

Esquinas

20 nov 2014
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Porque ela faz cinema

Para chatear os imbecis, para não ser aplaudida depois de seqüências, dó de peito. Carol escolheu cinema ou o cinema escolheu Carol? Os curtas e longas na tela sempre a fascinaram, ela que tem quase sempre um gosto exótico e é uma das poucas que suporta ver um filme ultra-cult monótono alemão preto e branco. Que tem lá sua beleza, eu concordo e também aprecio alguns desse estilo. Mas Carol, ah, ela tem paciência, eu diria.

 

Depois do jornalismo foi lá, ser Carolina do Chico Buarque no cinema. Estudar Nelson Rodrigues na USP e catar karolkê nas festinhas com os bródi. Agora ela ta ruiva, mas confesso que prefiro a morenice contrastante com a pele branco-gelo. Carol é bonita, piercing no ombro, amores doidos, filosofia de outro mundo. O cinema e a arte são gostos em comuns que temos, apenas algumas coisas.

 

Ela faz cinema, um sonho antigo guardado com carinho. E que não sei onde vai dar, mas em algum lugar todo Carol de ser. Ela faz cinema para viver à beira do abismo, porque de outro jeito a vida não vale a pena. E Carolina, tantas vezes, foi, é e será incompreendida. Mas o que será da vida se entendermos tudo? Ela é mistério e a autenticidade, às vezes revelação. Essa é Carol, palmas pra Carol, Carolina.


19 nov 2014
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A boneca Kess

Conheci uma boneca chamada Kess. Ou melhor, esse é, digamos,  o sobrenome dela. Loira, 1.87 cm de altura (por aí), multifuncional mas predominantemente designer de moda. Ela é daquelas bonecas diferenciadas, com muitas falas fofas. Um gritinho inconfundível quando está muito animada com alguma coisa, e um gritinho suave em tom de reflexão quando diz “ai, Ká…”

 

Kess é baiana de corpo e alma, ao mesmo tempo é do mundo inteiro. É do mundo que conhece e do que ainda não conhece, mas vai conhecer. Viaja com o corpo, a alma, o coração e os olhos. Seu sorriso não tem limite, não se conforma com o risco dos lábios: vai pros olhos, percorre as mãos, braços, cheiros e palavras. Kess é arte. Nada abstrato, nada concreto. Ao mesmo tempo difícil e fácil de definir. De uma expressão ímpar.

 

Mais recentemente, numa dessas viagens, ela foi desbravar e se fixou. O corpo, claro. Porque a alma, esta não, é sempre uma novidade. Um projeto, um encanto, um amor, um sonho. Kess é daquelas bonecas que ora desfilam, ora escalam montanhas. Oram se pintam de batom vermelho e unhas roxas, ora usam camiseta rock’in roll e botas de couro. Mas ela não é inconstante ou confusa, pelo contrário: essa sua característica multi é que a tornam única, sólida, inteira e intensa.


03 nov 2014
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Coração de caminhoneiro

Dentre as histórias mais interessantes que vivi neste final de 2010 e que não tive ainda a chance de dividir com vocês, escolhi a do meu parceiro da viagem de vinda de Goiânia a Barreiras. Alto, com seus quase 1,90, Sérgio é um caminhoneiro com 27 (ou quase) anos de estrada. Gaúcho, mora em Jataí há muito tempo e faz o percurso nordeste há quase oito anos.

O momento de impacto foi quando entrei no bus em direção à minha poltrona 31 e o encontrei, no assento do corredor, com cabelos longos e loiros, estilho Chitãozinho & Xororó há alguns anos atrás – aquele leve “espetamento” na parte de cima da cabeça. Ela estava agasalhado, mesmo antes do ônibus partir, com um cobertor rosa, com algumas plumas.

A simplicidade dele me chamou atenção. conversamos a viagem inteira sobre viagens com caminhão, a cidade que ele mais adora – Fortaleza -, lugares do país e seus preconceitos e, dentre milhares de coisas, sobre notícias, claro. E ele ria alto no ônibus, parecia que nos conhecíamos a tempos. Da idade de minha mãe, Sérgio possui a espontaneidade de uma criança que acabou de conhecer um novo amigo brincando no parque. Lembrei-me de quando era criança e ia no circo. Me sentia realizada, coisa de outro mundo.

Por causa de caminhoneiros, como o pai de minha grande amiga Priscila, nutro uma certa admiração. Acho corajoso passarem horas na estrada, os riscos, as irregularidades, os subornos envolvidos, alguns que pegam carga proibida e passam anos em cana depois. Dá um livro de muita aventura e suspense. Mas Sérgio nem tanto. Foi assaltado apenas uma vez, me falava com tom de prudência. Diferente dos gaúchos e baianos (morou aqui perto durante muito tempo), o ritmo que ele mais gosta é o tecnobrega, que desejo conhecer neste 2011.

Acho que Sérgio foi o único homem que viajou do meu lado que teve a sensibilidade de sentir frio dentro do ônibus, inclusive mais frio do que eu. Não roncava, mas colocava o grosso cobertor até os olhos. Ele tem, inclusive, uma colcha de 12 quilos que pediu a um amigo da Venezuela ou Bolívia, não sei bem ao certo.

Olhando e conversando com Sérgio vi duas coisas. A primeira foi o meu desejo de conhecer o mundo, os lugares do país, a comida, os jeitos, os gestos, os sorrisos brasileiros – acho que vem daí meu fascínio por caminhoneiros – e, com isso, meu desejo consciente de ter escolhido ser jornalista. A segunda foi a sensibilidade de um homem que não tem medo de se expor, contar seus problemas, doenças e que, na sua simplicidade, conseguiu me passar o sentido da vida: aproveitar cada momento dela, principalmente o presente.

Que no próximo ano aproveitemos ao máximo o presente, com todas as dificuldades, ansiedades, estresses. Porque o futuro podemos traçar, mas o presente, num piscar de olhos, se vai. E não há tempo para se arrepender. Amigos, não sejam mornos, por favor. Ou sejam quentes, fervendo, ou sejam frios. Saibam o que querem e corram atrás. Tirem os pés do chão e voem ou se fixem como as árvores, porque ficar no meio é instável e o vento judia. Feliz 2011 pra todos nós. Ah, antes que esqueça, vou voltar na poltrona 31, que é pra lembrar das conversas de Sérgio.


Texto escrito no início de 2011.


03 nov 2014
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Feirinha e afins

Foi assim, domingo passado. Eu, lá pelas 11 horas, decidi ir na feirinha aqui perto de casa com minha vizinha, Dávila Kess – o nome de boneca. Isso pra não dar o milésimo bolo nela, coitada. Enfim, fomos pra comer um pastel, daqueles bem gordurosos que insistimos em excluir do cardápio, mas é um item típico de feiras. E fomos, num calorzão de muitos graus, me lembrando minha saudosa Bahia (nessas horas até o calor insuportável é motivo de saudades).

Aí, eu doida pra comer o pastel, tive que esperar as compras da minha amiga. E foi ótimo, fiz milagre com 20 reais e ainda comprei uma bolsa de feira super tendência de moda por dez pilas. Andando pela feirinha até encontrei uma amiga das antigas da academia que eu malhava há uns três anos atrás. E, por distração, anotei o tel dela no cel e não salvei.

E no meio daquele cheiro de legumes frescos, com temperos fortes e frituras deliciosas fiquei observando o movimento. Pechincha de um lado, choro do outro, mas todo mundo com certeza saiu de lá satisfeito. Aí você vê uns velhinhos tomando um lanche, os verdureiros contando piadas e rindo entre um cliente e outro. Uns japoneses agricultores todos sistemáticos com dinheiro e atendimento – pra fazer jus à descendência. O moço da banca das bugigangas que nem sabe dizer de onde veio tal produto e que não abraçou o preço de jeito nenhum. O cara das goiabas que fazia um baldinho por seis reais e acabei levando a dois e cinquenta. No final, sim, todos saem felizes. Eu com minhas compras pesadíssimas reiniciando meu prazer de cozinhar e reaprendendo meus temperos e delícias; os feirantes querendo se desfazer dos produtos no final da feira e os compradores cheios de sacolas; as crianças no pastel e caldo de cana.

E lembrei do meu pai, na hora de vir embora. Ele, figura super popular na feira livre de Barreiras, adora esse movimento – compra, pechincha, quer saber de onde vem o produto e se é freco. “Veio hoje de Missão”, disse a moça do doce de buriti da feira na semana passada. E, na falta do meu requeijão, tapioca e doce de buriti, comprei uma talhada de melancia vermelhinha, pra lembrar do meu pai e dos tempos de nordeste.


03 nov 2014
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O locutor do povo

Há tempos tenho pensado em escrever sobre um amigo, o locutor do povo. E hoje, ocasião do seu aniversário, acabei encontrando a data propícia. Conheci o Carlinhos do Esporte – nome de profissão – quando fui trabalhar na

Secretaria de Saúde de Goiânia. E a pergunta de todo novo jornalista que nos liga é “Carlinhos do Esporte? Mas aí não é da saúde?”. Pois é.

 

Ele trabalhou com esporte durante um tempo, o que deu a ele o nome jornalístico. Funcionário do Ministério da Saúde, há muito tempo já trabalha conosco com esse tema, que, digamos, é apaixonante. E ele é o cara

que faz a rota na cidade indo nos bairros e também nas unidades de saúde, ouvindo a bronca do povo e também, camarada, tentando mostrar soluções. Também é o bombeiro, que apaga incêndios e resolve situações delicadas nos finais de semana.

 

Ao mesmo tempo em que nos dá suporte do rádio, o repórter do povo percorre praticamente todos os bairros de Goiânia. Uma paixão? Rádio. Desde menino ele trabalha na Rádio Terra – e coleciona diversas blusas pólo da rádio. E não há quem não o conheça. Às vezes acho que Carlinhos não descansa. Desde as cinco da manhã está na rua, muitos dias no Ceasa, onde começa o trabalho às 4h e por volta das seis já está com os trabalhadores comendo espetinho. E eu me pergunto: o Carlinhos dorme?

Todos os anos, Carlinhos corre a São Silvestre. Aliás, ele vive participando das corridas em Brasília, Goiânia e outros lugares. Mas a São Silvestre é oficial. Aquele movimento, gente de todos os lugares, sempre o atrai. É mais um desafio, que também é mais um prazer. A família, sua maior paixão, sempre está com ele. Não importa o lugar. Porque, como faz muitas coisas e está em vários lugares, cada instante com eles é precioso.

Outra paixão? Gibis. Ele tem uma coleção lendária, de não sei quantos gibis que eu ainda não conheci, apenas ouvi falar. E imagino porquê. É que Carlinhos, um querido, tem a honestidade do cara trabalhador, agarra as lutas do povo e, apesar disso, tem um enorme coração, repleto da sinceridade e da simplicidade de uma criança. A minha dúvida é só o que é maior: se é o coração dele, que cabe todo mundo, ou se é o de povo, que leva ele no coração.

E o povão mete bronca, Carlinhos!


03 nov 2014
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Iorgute Gogó

No trânsito, descubro que o motorista que levava minha colega Anna e eu para cobrir uma pauta trabalhou muito tempo transportando iogurte gogó pelo país. Iogurte Gogó, é assim mesmo que escreve? Sim, gogó. Era sem igual, um gosto que nenhum outro consegue superar, mas faliu, cooperativa, você sabe como é.

 

A primeira encomenda, dizia ele, eu lembro até hoje. “Foi um dia depois que peguei minha carteira. Eu nem sabia dirigir. Entrei na Kombi e me disseram: agora você vai levar esses iogurtes em Anápolis.” E lá foi ele, nervoso de medo. Mas deu tudo certo, foi e voltou com aquela satisfação pelo novo emprego.

 

E lá ficou por muitos anos, trabalhando na estrada. E vendia os iogurtes, o queijo, tudo no caminho. Imaginei o motorista como um personagem do filme Cinema, Aspirinas e Urubus, parando de canto em canto para vender os produtos. No destino deixava mesmo só o que era pra deixar, tinha liberdade pra vender no caminho desde que repassasse o valor padrão do produto para a empresa”.

 

Dirigiu uma Kombi, muitos e muitos anos. E aí foi difícil, a empresa faliu. “Mas eu saí antes, recebi uma proposta muito boa na Sadia. Não era como o iogurte Gogó, aquela sensação. Mas era uma empresa maior, com muitos benefícios para os trabalhadores. Fiquei lá 18 anos, gostei muito”. Passou num concurso da prefeitura e virara servidor público.

 

Também criou um negócio próprio, um pitdog, como chamam por aqui. É limpo, organizado e tem um molho de ervas sensacional – que ainda tenho que provar. Falei pra ele ver o vídeo da despedida da Kombi, lindo. Tenho certeza de que vai se emocionar lembrando daquela primeira viagem para Anápolis, inaugurando a licença para dirigir já na BR. E enquanto isso vai sentido o gosto saudoso do Iogurte Gogó, aquilo que era sabor de verdade!

 


07 mar 2011
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Marchinhas de ontem e hoje

Mais um carnaval e eu ainda quebrando a promessa de voltar a postar com frequência no blog… Mas, claro, sendo sempre lembrada por uma das minhas grandes amiga – que se diz fã também – Priscila. E saí com ela na sexta para encontrar duas amigas, como de costume. Na ida, a pé, com poucos pertences prevenindo ‘assaltos carnavalescos’, aquele clima de chuva, vento, calor e tempo abafado. Uma mistura, como tudo na Bahia – e no Brasil, claro. E a cidade aquela confusão, feito comida misturada no prato de peão nordestino: não dá pra distinguir a carne da farinha e do feijão.

Então, Anne, Carina, Priscila  e eu comendo um açaí paraguaio rindo das histórias do passado e planejando os momentos do futuro –  arquiteta, engenheira agrônoma, nutricionista e jornalista empreendedoras à frente de seu tempo, preciso reforçar . Hoje, conversando na casa da minha vó com uns primos, tios e parentes fiquei lembrando de quando era criança e o povo falava que tinha vinte e uns anos de idade. E assim somos nós quatro, amigas há mais de dez anos e agora na casa dos vinte e uns também. É gostoso pensar nisso, que somos tão saudosistas quando lembramos da infância, daqueles amorzinhos de mentirinha; quando passamos pela adolescência, daqueles amorzinhos que nem sempre valem o estresse; e, agora, na juventude com a energia de criança e a alma de adulto planejando cada passo.Claro, de vez em quando pisamos em falso, como todo mundo.

Ontem, falando de carnaval com mainha, ela falando das marchinhas e clubes de festa do seu tempo ainda pensei no passado e no futuro. De tarde, seguindo os Netos de Momo e relembrando as antigas marchinhas fiquei lembrando da música do Belchior, na voz de Elis: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais…”. E eu ria, cada fantasia mais engraçada que a outra. Percebi que quanto mais simples, mais genuíno. Fiquei em dúvida se achei mais criativo os meninos de ciroula ou uns dois que furaram uma caixa de papelão, com braços e cara, que cantavam “vem pra caixa você também…”. Ainda tinha o clássico Fla Flu com um juiz super tendencioso que vou dispensar mais comentários…

No final me dei conta que, não importa a fantasia, é preciso festejar tudo: idas, vindas, paradas, obstáculos e “perdidos” – pois é bem nesse perder-se que acabei encontrando Anne, Priscila e tantos outros queridos amigos também curtindo a intensidade e a alegria do momento. Cada vez me convenço mais do que dizia Clarice: “Perder-se também é caminho”.