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06 fev 2019
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Ansiosa, eu?

Sim, sou mais uma pessoa ansiosa que faz parte das estatísticas. E, acredite, isso não é assustador. Ansiedade é, na verdade, como um bicho de estimação que convivemos 24h. Só que esse bichinho chega sem avisar e vira um pouco chiclete. Então é difícil, sim, ensinar rotinas e horários, educar esse bichinho para a convivência com vizinhos e tudo o mais.

Brincadeiras à parte, ser ansioso é bom porque nos faz ver o futuro, mirá-lo, incentiva nossos sonhos. Mas não irei falar dessa ansiedade, e sim daquela que gera bastante preconceito e desinformação. Aquela que tem um sobrenome chamado CID e que, infelizmente, algumas pessoas acreditam que isso significa que ela possa ser anunciada ao mundo como uma rainha, ou que a presença dela desmereça sua competência, personalidade, qualidades. Aquela que teimam em completar o nome e sobrenome, só pra poder falar mal da gente.

Ansiedade generalizada é como diabetes, e não sei porque as pessoas se assustam tanto. Às vezes leva um tempo pra cuidar, devagar, às vezes é mais rápido do que se imagina. Pode andar sozinha ou acompanhada, andar conosco todo dia ou aparecer de repente. Mas na maioria das vezes, nesse trajeto, é um dia após o outro.

Geralmente quem sofre de ansiedade se importa muito com o mundo: o futuro, a família, as pessoas, o trabalho, os amigos e amores, mil coisas. É quase sempre o outro e o amanhã. E hoje (pasmem!) ainda somos infinitamente menos ansiosos do que a humanidade era há décadas e milênios atrás (pode procurar no Google).

Gente ansiosa tem empatia. Ou ao menos eu tenho. E aí, um dia, assim como os rins quando são sobrecarregados, você descobre que precisa olhar pra dentro. Desligar o celular do trabalho quando não está trabalhando, ter um sono como de criança, perceber como você adora flores e o pôr do sol.

É um momento único, no qual, sem dúvida, você também já passou – tendo qualquer tipo de ansiedade ou nenhuma.
E, então, agradece a dádiva da vida, dorme um sono tranquilo de pelo menos seis horas e pede ao universo que os homens (alguns que não sei se são sapiens ou se nem são homos) desse planeta chamado Terra tenham mais empatia e compaixão uns com os outros.

Fotografia da artista norte-americana Katie Crawford em um trabalho sobre ansiedade e depressão.


06 fev 2019
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Plantando sonhos

Hoje eu vi alguém plantando um sonho. Eu estava passando de Uber, vi dois homens pintando o muro de uma casa com cores bem vivas, que lembravam o arco-íris. Olhei para aquela parede e o que estava escrito nela, os dois homens terminando a pintura, um deles ainda estava no andaime. O sinal abriu, meu Uber seguiu viagem. E eu tive certeza: era o início de um sonho antigo e o futuro de algo bem grande.

Na parede do muro o nome de uma escola e a filosofia/metodologia aplicada. Não vou falar aqui, para preservar o lugar mesmo. Mas já vejo ali crianças de um mundo melhor, com uma compreensão e consciência do mundo já mais desenvolvida que as gerações anteriores. Crianças tão inteligentes quanto sensitivas, tão humanas no melhor sentido da palavra.

Eu ainda me lembro do meu primeiro dia de aula, no “pré-2”. Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Eu tinha 4 anos, minha mãe me deixou na sala e me olhou nos olhos para ver se estava tudo bem. Eu respondi que sim, e logo sentei do lado da Mirian, descendente de japoneses que estudou comigo até a antiga 4a série. No segundo dia, vi que uma colega minha chorava muito na entrada da escola. Eu parei e disse para ela não chorar, porque estávamos na escola e lá era ótimo, depois podíamos brincar a tarde toda. E estudamos juntas até a última série.

Quando eu entrei na escola eu tinha um sonho: conhecer o mundo. Hoje eu sei que são vários mundos, por isso a escola e a educação formal e informal é tão importante. Dez minutos depois, gravei na minha mente a imagem dos dois homens pintando aquele muro e tive fé de que daqui dez anos a escolinha que hoje começa numa casa simples não estará mais ali, mas vai ganhar nome, notoriedade e continuar cumprindo sua missão no mundo.


06 fev 2019
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Já é carnaval em Caldas Novas!

Por Evaldo Gonçalves

O Brasil definitivamente não ta preparado pra um carnaval só em março. Em todo canto tem batuque, que só aumenta, se espalha, como fogo em rastro de pólvora. Parece até que a folia de momo é semana que vem, mas ainda falta um mês pra data oficial da maior festa brasileira. Na capital das águas quentes não é diferente. Moradores e turistas já podem aproveitar  a farra com o “Carnaval Antigo 2019”, que vai tomar as ruas da cidade todas as terças e sábados deste curtinho mês de fevereiro.

Banda Vitrine e Show & Leila Chocolate são os responsáveis pela programação musical que vai agitar os foliões desse pré-carnaval. A abertura oficial dos festejos ocorreu ontem, 05 com concentração na Rua São Paulo e palco na Praça Quatro Rodas. O roteiro está fora do tradicional circuito de foliões da capital das águas quentes, o que descentraliza a movimentação e pode desafogar o congestionado centro de Caldas Novas.

Os Palhaços Aqua Doidão e Aqua Doidinha, mascotes da Aqua, estarão caracterizados como bonecos gigantes de Olinda.  A farra também conta com exibição de bonecos gigantes de Olinda, Concurso de Fantasia, Desfile de Carros Antigos, Parque de diversões, Praça de Alimentação. Pierrôs, Colombinas, Clóvis, Melindrosas e Blocos de foliões sem fantasia. 

A moradora de Caldas Novas, Lorena Aprígio, destacou que a abertura do Carnaval Antigo 2019 foi muito agradável “a música estava muito boa, assim como a presença do público. Pensei que por ser terça-feira, não teríamos muitas pessoas, mas me enganei. Quero só ver no sábado. Vai lotar”, celebrou. Lorena, que é cientista social, recomendou a participação de todos. “Quem estiver em Caldas Novas nesse mês de fevereiro não pode perder”, finaliza.

No domingo, 3 de fevereiro, a equipe do Carnaval Antigo 2019 esteve no Aeroporto de Caldas Novas recepcionando os turistas recém chegados à cidade e os convidando para  a farra.

Edições anteriores

Em 2018 foram realizadas duas edições do Carnaval Antigo. Um ensaio aberto no mês de abril e o lançamento oficial no mês de julho. O lançamento oficial, no meio da temporada de férias escolares, reuniu cerca de mil pessoas na Praça Quatro Rodas.

Sobre a AQUA:
Associação Regional das Águas Quentes de Goiás foi fundada em dezembro de 2014, e é uma associação sem fins lucrativos, com o objetivo de representar, qualificar e promover o destino turístico Águas Quentes, composta por Caldas Novas e Rio Quente, com foco no trabalho de turismo hidrotermal, de entretenimento, gastronômico, somado ao desenvolvimento sustentável.


10 abr 2018
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#40 Carta de uma mulher

Ela se achava uma mulher melhor que as outras. Porque sua luta era melhor e mais legítima. Quem é você pra falar alguma coisa? Qual seu lugar de fala? – dizia. Tudo isso, para mim, era uma bobagem sendo repetida de boca cheia para muitas outras mulheres que, ao invés de serem tidas como pares, eram apenas vistas como um corpo com buceta. Isso que é invisibilidade, ser silenciada porque de cara deveria te levar em consideração.

Por que isso? Só por me se sentir livre para fazer o que quisesse? Era por isso mesmo tenho meus sonhos. Quero ser mãe, mas não agora. Quero sim ter minha casa, decorada, estilo urbano com arte sacra. Tenho minhas crenças, religião – nem sempre tão explícita -, nem por isso não acredito também na ciência. Não gosto de discutir política, nem por isso não tenho ideologias. Quero ser romântica ao extremo, com flores pela casa e jantares com o companheiro, nem por isso vivo num mundo de ilusão.

Odeio menstruar e tomar anticoncepcional, nem por isso acho que é uma agressão ao corpo: é uma escolha própria para seu bem-estar. Qual o problema? Eu pago minhas contas e essas escolhas não me tornam menos mulher. Isso não torna minha dor menor. Se você quer menstruar e seguir a tabelinha, escolha sua. Me deixe com meu remédio regulado para cólicas. Cada um tem seu jeito de não engravidar. Não, não quero ter filhos. Mas minha irmã quer e seu sonho é poder cuidar deles por um tempo. Isso é ser submissa, machista, careta? Poxa, onde enfiaram a minha escolha?

Hipocrisia. Hipocrisia não é ser silenciada por tantos homens, mas também por tantas mulheres que gostaríamos de ter ao nosso lado. Onde fico eu, afinal? Nesse imenso buraco vazio sendo soterrada por todos os lados e pés. Hipocrisia é ter ao seu lado uma pessoa doente e mal resolvida falando mal de você porque se incomoda com seu jeito de ser e estar no mundo. Hipocrisia é alguém que mente para si mesma, todos os dias, te agredindo e delirando em conceitos e julgamentos contra você sem antes olhar pra si mesma e perceber atitudes que não são bonitas de se ver em alguém que se isenta da responsabilidade. Culpadas são as outras, cuja luta e lugar é sempre inferior – retrocesso, preconceito, involução.

Sejamos responsáveis. Sejamos companheiras. Que pratiquemos mais a sororidade entre nós. Que nos apoiemos. Hoje você apanha do marido, amanhã sou menosprezada em um cargo de visibilidade. Hoje é você quem aponta o dedo para mim e minhas escolhas, mas ainda hoje sou eu quem pode estender a mão para te ajudar a sair daquela barra. Hoje sou eu quem sofro violência sexual, amanhã posso te dizer como podemos ser resilientes e superar isso. Hoje vencemos aquela corrida na avenida principal. Amanhã perdemos no jogo da loteria. Hoje eu vou no pronto-socorro com meu filho doente, hoje você toma sorvete com seus sobrinhos. Hoje é você que vibra por uma vitória, amanhã eu choro por uma derrota – e levanto de novo. E vice-versa. E versa-vice. Mulheres, com seus corpos, jeitos, ideias, presença. Mulheres nós somos. Mulher, eu sou – com muito orgulho.

 

Carta de uma mulher, em 2018.

 

 


09 set 2016
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#38 Os 20 e poucos anos

Decidi falar sobre os 20 e poucos anos porque daqui uns dias eu faço 29 anos, é minha “última casa” dos 20, digamos assim. E eu posso dizer que todos esses anos foram muito bons, cada um, claro, à sua maneira. Quando a gente faz 20 anos ainda temos um pé na adolescência. Não sabemos muito sobre a vida, ou melhor, sabemos só um pouquinho. Geralmente é quando começamos a nos relacionar, às vezes já levamos algumas decepções, mas o mais importante do início dos 20 anos é que é o começo de uma grande descoberta.

É como se a gente entrasse num navio, numa embarcação, sem saber ainda qual o destino que ela terá. Tudo é um mistério e isso não é necessariamente ruim. É um mistério diferente, até a angústia do início dos 20 anos é diferente, porque a gente não é de todo independente, a gente não se conhece tanto, é bem um início mesmo. Nesses 20 e poucos anos eu tive algumas fases muito marcantes. Eu me formei em jornalismo com 23 anos e posso dizer que a profissão também é importante no processo de amadurecimento pessoal. Muitas pessoas ainda tentam separar as duas coisas, mas na verdade elas são inseparáveis. À medida que você assume responsabilidades profissionais elas também refletem no seu mundo pessoal, na sua maneira de ver o mundo.

Nesses 20 e poucos anos também tive perdas difíceis e momentos ruins, como qualquer pessoa. Eu acho que nessa época a gente passa a perceber com mais maturidade os sentimentos, sejam eles quais forem. E o mais importante – que é o que deve ser feito, na minha opinião – é aprender a lidar com esses sentimentos. Os 20 e poucos anos me ensinaram que a vida não é perfeita, pelo contrário. Eu penso que a perfeição está na imperfeição. Na busca, na sede, na ambição. Mas claro, isso faz parte de quem eu sou, e só foi possível também perceber isso a partir do caminho que decidi trilhar.

O mais importante desses 20 e poucos anos, para mim, foi o autoconhecimento. Diferente do início dessa caminhada, onde eu entrei num navio com uma ideia de onde eu queria ir (mesmo que fosse uma ideia pré-definida), hoje eu sei onde eu quero chegar e, principalmente, onde eu não quero ir. Aprendi (e continuo aprendendo) a dizer “não” para os outros quando isso significa dizer “sim” para mim. Descobri e curto algo que eu já gostava na adolescência, mas não podia desfrutar com mais liberdade: estar comigo mesma, uma certa solitude (qualquer dia falo sobre isso por aqui).

Estou aberta a novas opções e penso que durante os 20 e poucos anos todas as escolhas que fiz me levaram a isso, a essa maturidade e completude. Vou curtir os 29 como tentei aproveitar todos os demais anos, inclusive sabendo que a idade física, nem sempre, é a idade da nossa alma (não é mesmo?), mas que por alguma razão temos que nos adaptar a ela e vivê-la intensamente em todas as suas possibilidades. Posso dizer que os 20 e poucos anos vão deixar saudades, assim como a infância e a adolescência deixaram. Mas cada fase tem sua beleza, seu tempo, sua contribuição. Que venham os próximos anos!