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10 dez 2014
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#16 Coleções

Sempre quis ter uma coleção e ir até o final. Já colecionei miniaturas de Coca-Cola, bolinhas de gude, tazzo, papéis de carta, bonecas em miniaturas. Mas nunca pude levar uma coleção até o fim por falta de espaço em casa e também pela minha mãe que odeia miniaturas, pois atrapalham na hora de limpar os móveis.

E aí das bolinhas de gude, na época, eu pagava dez centavos por cada. Além de jogar, eu também ficava imaginando em como eram feitas. Algumas pareciam planetas com as órbitas circulares, outras um autêntico cristal. As azúis eram as melhores, predominavam dentre todas.

Tazzo era mania da galera, que comprava o salgadinho só para ter algum diferente de todos os amigos. Depois perdeu a graça, vieram outras figurinhas, álbuns de novelas infantis e a tão sonhada coleção da Coca. Até hoje enfeitam minha estante as miniaturas de todas as edições da garrafa, que eu completei graças ao meu tio Mário que consumia vorazmente o produto e à minha prima que, por não ter conseguido trocar todas, me vendeu a última por cinquenta centavos.

E os papéis de carta, colecionei porque era febre. Peguei uns 100 da minha prima que tinha feito 15 anos que ia jogar fora, mais uns outros que comprava no armarinho perto de casa. Fantasia: era essa a marca dos papéis de carta mais criativos, lindos, personalizados. Para mim, diferente das outras amigas do colégio, o melhor de se ter papéis de carta é o poder de troca. Milhares de vezes troquei lindos por mais simples, logo, feios. Mas eu não os via assim. Enxergava desde cedo com um olhar retrô.

Uma vez minha mãe me levou numa loja chique no centro da cidade para comprar papéis de carta, porque eu queria ter um diferente de todos. Fomos de carro, após o almoço, sol pelando. Entramos na loja e minha mãe escolheu um bloco pra mim, com dez papéis e uma folha de seda entre os papéis e a capa. Na época, caro. Esse eu tive dó de trocar, era minha moeda mais valiosa e me rendeu muitos outros papéis. Usava para escrever cartas para os meus irmãos, que moravam em Goiânia.

Naquele dia que comprei o bloco refinado descobri a mania que me iria me acompanhar por um longo tempo: a de cheirar papéis – ou de cartas, ou de livros. Por trás de uma página há sempre uma história.

 

Texto escrito em 2013.


10 dez 2014
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#6 Moranguinho, vinis e andanças

Hoje vindo pro trabalho vi uma mãe com a filha de uns três anos andando no ônibus, toda cuidadosa e atrapalhada ao mesmo tempo. Então me veio uma recordação da minha infância, assim, como um flash. Lembrei do tempo em que minha mãe empregava moças para trabalhar em casa e como elas, de certa forma, embalaram a minha infância, algumas até de um jeito meio mãe, meio irmã.

Me recordo especialmente de duas, elas tinham um quarto na minha casa quando eu tinha entre três e cinco anos. A Rosana era famosa por beijar as paredes do quarto com batom moranguinho rosa ou vermelho – e minha mãe tinha uma raiva contida disso. Rosana tinha cabelos curtos, penso que também tinha minha altura atual de 1,62cm. Saia muito para os programas com meus irmãos adolescentes. Dela só isso a dizer.

A que mais eu me lembro é a Luziene. Estudava à noite em um colégio próximo à minha casa, tinha longos cabelos cacheados que batiam abaixo da cintura. Negra, tinha um cheiro de creme de rosas que marcava. Eu costurava a palma da minha mão quando criança e ela tinha gastura. Ela ouvia rádio durante o preparo do almoço e, sempre que podia, brincava comigo. Andávamos muito pela cidade, as ruas do centro ficaram gravadas na minha cabeça e alguns becos ainda existem desde aquela época. A gente costumava ir na casa das amigas delas ou visitar uns parentes em um lugar longe – longe no meu imaginário infantil, hoje penso que era um bairro afastado mesmo.

Certa vez a Lu sumiu comigo e minha mãe quase ficou doida. A gente tinha ido na Rádio Vale, que até hoje fica do outro lado da minha casa, para eu pedir uma música e concorrer a um vinil. Tamanha emoção eu ao vivo pedindo uma música qualquer da Xuxa para apresentadora do programa. O que eu queria mesmo era conversar com a apresentadora, que eu ouvia todos os dias no rádio com a Luziene. A locutora de voz doce me presenteou com o disco do  Jairzinho & Simony, que ouvi algumas vezes e minha mãe deu recentemente para o meu tio, sem me consultar. Mas apesar da dedicatória, dificilmente eu o ouviria hoje.

Esse contato com a rádio na infância é o que me faz gostar do veículo até hoje e, quem sabe como jornalista, ainda trabalhar nele novamente no futuro. Gostaria de encontrar Luziene de novo, ela foi embora e eu só dei conta quando ela não foi mais em casa. Fiquei triste, mas aos poucos a rotina foi superando isso. Foi ela, de todos lá em casa, que me ensinou a andar de bicicleta do jeito certo: empurra um pé, depois o outro. Teria orgulho de me ver jornalista, já que lá no fundo acho que também me incentivou um pouco a trilhar esse caminho. Quem sabe um dia a encontre e poste uma foto e conheça seus filhos. E diga: “Ah, Luziene, sabe o disco que ganhei aquele dia? Persiste na casa do meu tio com a dedicatória da Cidinha Silva”.


10 dez 2014
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#4 Maria não vai com as outras

Livro infantil está na lista das melhores coisas de todos os tempos. Leitora desde cedo, eu devorava tudo quanto é tipo de livro, desde ilustrações, livros coloridos; já ganhei concurso de leitura e até escrevi um livro infantil quando tinha uns oito anos. Dentre minhas melhores lembranças estão os intervalos biblioteca da escola e as tardes na área de casa lendo e imaginando as histórias que estariam por vir.

Hoje me lembrei de um em especial. Chama “Maria vai com as outras”. Maria é uma ovelhinha azul, lindamente desenhada, que sempre seguia as outras ovelhas no que elas decidiam fazer. Um dia, quando todas decidiram pular o penhasco, Maria se recusou e decidiu não ir mais com as outras. E aí descobriu a felicidade fazendo coisas diferentes, tendo ideias e vontades próprias nunca antes imagináveis. E são livros como este que fazem a gente ser quem é.

 

Texto escrito em 2011.


10 dez 2014
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#14 Pares e ímpares

Depois do inferno astral (mês de aniversário, vocês sabem), pensei no que faria se tivesse trinta dias livres – ou 29, antes de completar um mês. Se não tivesse que trabalhar, nem contas a pagar, nem telefonemas a fazer ou receber, o que você faria? Não sei se eu iria pra serra, curtir o sol nascendo entre montanhas e o frescor da manhã… ou se preferiria o azul infinito do mar, com suas risadas, calor de lascar, areia nos pés.

Talvez escalasse paredões e me isolasse no mato pra ver se enxergava – com certo medo – um OVNI no céu estrelado no centro do país. Adoraria conhecer a América do Sul e o México, com as imagens dos filmes mexicanos que tenho na cabeça e as bebidas coloridas que os atores tomavam.

Em 29 dias faria coisas ímpares. Viajaria com três amigas, comeria três acarajés, pularia sete vezes nas ondinhas do mar. Amarraria uma fitinha do Senhor do Bonfim no tornozelo e faria cinco desejos, cinco grandes desejos. Ficaria 13 dias sem internet só para ver com outros olhos o que houvesse de mais relevante.

E no trigésimo dia, já ia me despedindo, com a leveza que os números pares têm de dividir tudo em dois e de serem únicos e inteiros por si só. Parte de mim ficaria nessa aventura, outra parte voltaria para a rotina. Ou seria outra de mim que voltaria?

E no 30° dia já estaria de volta, curtiria apenas 29 dias. Porque os pares, assim como as minhas velinhas do dia 22 de setembro, nos fazem inteiriços e harmônicos. E os ímpares, como os meus 25 anos, nos fazem indivisíveis. E um único desejo, aquele ímpar, após o leve assoprar das velas, é que poderá mudar tudo. Até o caminho em que se segue.

 

Texto escrito em setembro de 2012.


10 dez 2014
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#10 A última página

Queria ser um livro como aqueles em que a trama envolve, mas não há um final. Nem feliz, nem triste. De repente acaba. Você fica ali procurando a continuação, hesita e pensa: “e, e aí?”. Aí fica lembrando do livro, por dias, semanas. Volta e meia esquece e relembra. Ah, aquele livro que eu adorei!

Seria bom, não? Não se preocupar com o que vem depois, imaginar se a história continua em um outro lugar que não seja um livro. Pensar que a trama saiu do papel ou que você, um dia, vários dias, uma vida, queria ter sido aquele personagem.

Faria diferente ou faria igual? Ah, naquela parte teria entrado na porta ao invés de passar reto. Não teria comprado pipoca antes do filme, tudo seria diferente. Teria sim jogado mais conversa fora, desligado os relógios, colocado os calendários no cesto de lixo reciclado.

E aí vem um ponto final. É melhor do que reticências, que vejo pouco frequentemente nas histórias, a não ser em alguns livros  infantis. Às vezes o ponto final nem é um ponto, você imagina a personagem em um outro lugar. Com outra roupa e companhia. Um café na mão e biscoitos de nata. A personagem pulou o ponto final e saiu dali. Não sei se a vi na rua, não sei se a perdi.

 

Texto escrito em 2011.

Foto: Flickr/Alexandra Abreu


10 dez 2014
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#25 Banana e aveia

Todas as vezes que vou ao mercado e passo pela seção de frios lembro de uma amiga em especial. Foi Stella que me ensinou a tomar iogurte de banana e aveia, daqueles que são vendidos em saquinhos (como os de leite) e em potes de 500g.

Stella é daquelas amizades que nunca pensei em fazer em academia. Aos poucos, as aulas de spinning foram apenas mais uma razão para nos vermos. O iogurte tomávamos no café da manhã, quando eu dormia na casa dela. Também passei a comprar para a minha casa.

Sempre via aquele iogurte na prateleira, mas não sabia que era tão bom. Às vezes precisamos de alguém que nos ajude mais a experimentar e sentir o sabor das coisas boas, muitas das quais nem sabemos que era tão fácil de degustar.

Com uma suavidade forte, Stella me mostra que as pequenas coisas é que fazem a diferença. Não adianta uma engrenagem vistosa se um pequeno parafuso está fora do lugar: coloca em risco o funcionamento e a segurança da máquina.

Nós somos como máquinas, não no sentido da monotonia ou repetição. Mas somos uma máquina que vai sendo testada, no limite máximo. Vamos encaixando as peças, trocando outras, entendendo um pouquinho mais sobre o nosso funcionamento todos os dias. Isso é essencial para deslanchar, sem medo de bater no poste. Stella é uma super-máquina. E que engenhoca!


10 dez 2014
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#7 Café-ameixa

Todas as vezes que eu mesma faço minhas unhas lembro da minha prima Cátia. Eu tinha catorze anos quando ficamos mais próximas, fazíamos as unhas no quintal da casa da minha avó e as cores que ela usava passeavam entre tons de ameixa e café.

O senso de humor da Cátia é demais, ela tem uma risadinha inconfundível, como aquelas de desenho. Nas tardes conversávamos sobre muitas coisas, o vestibular que ela iria fazer para odontologia, as roupas da Meg, histórias de meninas.

Depois ela passou no vestibular em Brasília e ficou por lá mesmo. A gente escrevia cartas e volta e meia nos ligávamos, já que o DDD era muito caro e o celular era para uma extrema necessidade de localização – das nossas mães nos localizarem, quero dizer.

Azul, uma das cores preferidas dela. Tinha um biquíni azul que eu ajudei a escolher, lindo! Tomávamos sol e íamos no Rio de Ondas. Pegamos chuva, lama, chuva, sol, cais, festa, shows, rio, biscoitos, segredos e confissões ao som de Bruno e Marrone. Aí Cátia casou e é uma pena que não nos vemos muito. Tem um filho lindo, mistura dela e do João Paulo. João é gente boa, mineiro, cruzeiro, piadista. E aí eles se encontraram, bem ao acaso…. E não é que foi legal se encontrarem assim, Cátia?

Cátia foi, é e vai ser tudo o que sempre desejou, deseja e desejará ser. Decidida, guerreira, visionária. A seu modo, muito particular e reservado. Mas um modo admirável, cauteloso, planejado e amável. Cátia, café-ameixa, uma mistura que só ela tem de forte, bonita, delicada e única.

 

Texto escrito em 2011.


27 nov 2014
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#13 Seis lances de escada

Essa semana fiquei pensando naquilo de que a velhice, ao invés de certezas, nos deixa em um terreno onde não somos mais tão intolerantes, cheios de nós mesmos, prontos para o tapa, assim, de cara. Isso veio de um comentário da amiga e mestre Lisa França, sobre certo episódio ocorrido. Ela dizia que na velhice é que você olha para trás e tem uma outra visão, reflexão, carrega o peso das escolhas e, de certa forma, se torna mais aberto pra vida, que já se aproxima mais do fim, inevitavelmente. Claro que isso não foi propriamente o que Lisa disse, mas fruto da apropriação do discurso dela somado à minha vivência.

E por isso tenho tentado, desde nova, me tornar mais tolerante, aberta, flexível. Fico pensando naquilo que meu irmão diz: “há tanta coisa pra se viver!”. Esses últimos dias que passei com minha tia do oitavo andar – por conta da reforma do apê dela – percebi a importância dessa frase. Além da comidinha gostosa, percebi que o apego é inevitável. É legal ouvir aquelas histórias todas de que a sua bisavó guardava doce embaixo da terra, perto de onde tinha água (e eu  não sei como naquela época eles descobriam isso assim do nada) para conservar até quando a filha voltasse de Goiânia para visitar os parentes. Ou de que, antigamente, as pessoas comiam requeijão, carne de sol, muito doce e não engordavam, viviam bem. “Menina, meu pai matava uns bois e colocava a carne no varal secando. Se a gente tinha fome, pegava um pedaço, fritava e era uma delícia só!”.

É conto de fada, dirão meus futuros filhos. Se para mim as histórias mais antigas são uma mistura de saudade e  lenda, imagine para as gerações futuras. Em dez dias que passou comigo, tia Ana (ou Angélica, como a chamam por aqui) me contou boa parte das histórias de família e eu adorei ouvi-las. Não sei como tem gente que não dá valor a isso. Para mim é como se eu fosse criança, querendo ouvir as lendas que eles viviam. E aí percebo que o tempo passou. E que as pessoas mais velhas têm tanto para contar, sabe. Seja uma história-lenda do passado, seja uma dica de como limpar algo ou conservar verduras.

Vi na minha tia um pedacinho de mim, que veio atrás de um sonho de estudar – raríssimo naquela época -, passou dificuldades e se encontrou na vida. A gente sempre vive se encontrando por aí. E agora, talvez, ela esteja se encontrando de novo depois da idade. Vendo a vida de um jeito mais tolerante, talvez. Mais tranquila, calma e serena eu tenho certeza. Aí, na hora de ir embora e voltar para o seu apartamento, minha tia deu aquele sorrisão que é idêntico ao da minha avó e ao do meu tio Zé. “Não, eu que agradeço pela sua companhia nesses dez dias”, disse eu. É, percebi com essa breve estadia, mais uma vez, que convivência é troca de experiência, que as vontades e descobertas dos 18 e 23 são mais semelhantes do que eram aos 10 e 15 anos e que do quinto para o oitavo andar são apenas seis lances de escada. “Há muita coisa para se viver”, sempre bom lembrar disso.

 

Texto escrito em 2012.


19 nov 2014
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#26 Flor de caqui

Pri, todo ano, desde 1998, é a mesma coisa: nunca sei exatamente o que dizer. Porque foi com você que eu aprendi o que era caqui, e conseguia sentir o gosto de ‘chocolate branco’ que tem lá no fundo, tão no interior da fruta que só ‘os bons’ conseguem apreciar. Caqui, aquela fruta delicada, com casca fina e podre de rica por dentro (risos). E a gente andava de caminhão e me sentia voando, pois a visão de cima é sempre mais detalhista.

Você sempre foi doce – e loira. Com o tempo vai enlourecendo com sabedoria, sorrisos, maturidade. Quem te viu, quem te vê sabe que você é daquelas joias que não se acha em mercado e nem que se paga fortuna: porque é simples e também única; é popular e anônima, é bebida quente e exótica; é cheiro de canela e gosto de café forte; é bolo de festa e leite com chocolate antes de dormir. Você é acolhedora, colo de amiga que sempre terei. E inovadora, só você sabe fazer pipoca com caldo Knorr como ninguém e malabarismos puxando as balas de coco.

Competente, detalhista, amorosa. Com cada amigo, com cada paciente, com cada afeto. Difícil falar de uma profissional como você – e nem sei se posso, mas falaria por uma carreata de pessoas. Entre possíveis e impossíveis, você nunca se deixou desafiar, ou melhor, você é quem chama os desafios para si – e o faz muito bem. Desde o início você foi e sempre será minha vizinha, pois essa condição, no meu vocabulário, não é para quem divide o muro, mas para quem divide a vida.

Parabéns, todo o desabrochar da vida para você. Te amo.

 

Texto escrito em 17/06/2011.


19 nov 2014
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#22 A massa do bolo

Uma das melhores lembranças que tenho da infância é dos dias em que minha mãe fazia bolo. Não tem sensação melhor do que comer o resto da massa crua com a colher de pau, raspando o fundo da vasilha, enquanto sua mãe ri da sua alegria absurda.

Minha mãe é dessas, ri de tudo, às vezes por simpatia, outras por deboche ou sarcasmo. Mas, no final, tudo é graça. Tirava onda de mim, que ficava toda suja com o bolo. Mas ela achava bonito, considero que ela deixava boa parte da massa do bolo para trás só para que eu me lambuzasse, já que adorava. Ela ria, às vezes fingia que não me via comendo e sujando tudo, depois falava anda logo, menina, preciso lavar a louça!

E o bolo quentinho, claro, comia no lanche e no café da manhã do outro dia. Às vezes tenho vontade de ser mãe só para fazer o mesmo, rir das pequenas tarefas do dia a dia e observar como as crianças ficam admiradas quando quebramos um ovo, misturamos os ingredientes e fazemos comida.

Os bolos não eram nada elaborados, cheios de recheio coisa e tal. Até porque minha família, nesse ponto, não tem o costume de muito glacê e leite condensado, no dia a dia. Mas eles tinham um gosto que é difícil de achar, eu sentia o farelo de trigo com extrema sensibilidade e, no bolo formigueiro, os pontinhos de chocolate tinham açúcar concentrado. E o riso de quem segurava a colher.

 

Texto escrito em 2014.