Call us toll free:
Best WP Theme Ever!
Call us toll free:
28 maio 2015
Comments: 0

O segredo dos cachos

Recebi ontem meu pacote com produtos para cabelos cacheados. Recordei da minha infância, sabe, não era fácil encontrar shampoos, cremes e afins para cabelos cacheados. Parece uma coisa boba, mas os cosméticos para cabelos lisos, normais e “para todos os tipos de cabelo” predominavam. Todos tinham um cheiro ótimo, mas não eram pra mim. Mesmo eu com cabelos de cachos soltos e maiores não conseguia algo que se adequasse à mim.

E não era porque eu morava no interior, mesmo quando viajava não encontrava com facilidade. Minha mãe comprava um produto muito bom e caro, que não me recordo o nome, mas tinha uma mulher bonita na capa. Ela era negra, tinha os cabelos longos e cachos muito bem definidos. Não achava em qualquer lugar, por vezes meus pais chegavam a encomendar com uma pessoa conhecida. Quem tem cabelos cacheados é meio contra a norma, principalmente naquela época. Hoje vejo infinidade de produtos, que ótimo! Descobriram meu potencial consumidor para esta categoria.

Os cachos são um meio termo, mas de muita opinião. Nada de chapinhas, alisantes, progressivas. Os anéis guardam segredos, um comprimento curto que, na verdade, são fios longos de histórias. É o cuidado no dia a dia, com os cachos e as ideias. Minha personalidade não poderia ser tão autêntica sem meus cachos. Desde aquele tempo eu tinha muitas ideias, imaginação, um mundo a descobrir. Meus cabelos me mostraram desde muito cedo que é bom ser diferente, é bonito e que pode até ser trabalhoso, mas é único e recompensador.

Depois de um tempo, quando mudei de cidade, muitas pessoas me perguntavam sobre meu cabelo. Que lindo! O que você faz? Mas que cachos maravilhosos… No início, fiquei sem entender muito bem, não tinha ouvido tantos comentários sobre meus cachos de uma vez só. Aí percebi a imensidão de cabelos lisos onde eu estava. Não havia outra coisa, tinham meninas que, mesmo com cabelos já lisos, conseguiam alisar ainda mais. E eu dizia “pra quê? Seus cabelos já são lisos!”.

Os caracóis dos cabelos, a definição, a autenticidade. Pra mim, um cacho meu não vale um fio de cabelo liso. E não é que eu tenha algo contra os outros tipos de cabelos, pelo contrário. É que o meu faz tão parte de mim, da minha personalidade, de quem eu sou que eu, sem os cachos, já não teria a mesma graça. Não seria eu, com minhas ideias e gostos, desaforos e carinhos. Afinal, meus cabelos são cacheados, minhas ideias lisas.


19 maio 2015
Comments: 0

As magrelas

Quem nunca teve o sonho de ter uma bicicleta não sabe o que é felicidade. Uma bicicleta muda a nossa vida, a começar do desafio que é aprender a andar em cima de duas rodas. Lá em casa, meus pais e meus irmãos tentaram me ensinar a andar de bicicleta, mas só a Luziene, que trabalhava conosco, soube dizer as palavras mágicas: você empurra um pé, depois o outro. Escrevendo assim parece simples, mas depois de muitos arranhões é que entendemos o significado e a profundidade desse ensinamento.

Uma pedalada de cada vez, e você está pronto para percorrer distâncias de bike. Sobe morro, desce rampa, cai no barranco, suja de graxa, rasga a calça, coleciona arranhões e feridas, berra de dor. E após essas experiências ruins, que logo passam, começamos a pedalar novamente, seguindo o mesmo caminho ou indo por outra estrada.

Minha primeira “magrela” conquistei com treze anos. Antes usava as bicicletas dos meus irmãos, até que chorei pela minha própria bike. Entre uma queda e outra, a vida seguia sobre duas rodas, movida a campeonatos e corridas arriscadas com meus primos e a estradas mais longas com as amigas. Agora estou planejando comprar outra bicicleta, para passeio e locomoção. E continuo pensando, com mais clareza, que a vida é um eterno ir e vir. Entre um pedal e outro, muita energia, lágrimas, sorrisos, desencantos e encantos. É a vida.


10 mar 2015
Comments: 0

O que aprendi com meu cachorro

Miró me ensinou que às vezes não somos nós que escolhemos os caminhos, mas somos escolhidos. E foi mais ou menos assim que ele veio parar na minha vida. Miró é um schnauzer de dois anos e meio, com um espírito livre e um cheirinho gostoso. E desde que passamos a conviver diariamente tenho aprendido muito com ele.

Para ele não tem tempo ruim, o importante é estar sempre perto de quem gosta. Seja assistindo TV, dormindo ou esperando eu acordar pra lhe dar um biscoito. Sim, haja biscoito! Não tem importância se, às vezes, não descemos para o passeio. Uma brincadeira, um afago, um sorriso também é suficiente. Para Miró nada é pouco, mas sim o necessário para viver, desde que haja muito afeto.

Eu diria que Miró é o cachorro mais sociável de todos que conheço. Ele gosta até de quem não gosta dele ou dos que são cheios de manias. Não importa se é macho ou fêmea, Miró abana o rabo e sorri pra todos, cachorros, gatos, pessoas e qualquer outro ser vivo que respire. Às vezes é preciso ter paciência, pois eu não sou uma pessoa muito sociável todos os dias. Mas Miró tem me ensinado a desenvolver essa habilidade.

Gosta de desvendar os lugares mais inusitados e quando invoca com uma coisa dificilmente conseguimos fazê-lo mudar de ideia. Nem que para isso ele fique imóvel, estirado no chão, posição que me irrita muito. Resta-me rir dele e esperar para que mude de ideia. Na pior das hipóteses, pego ele no colo e espero até que ele ande por conta própria de novo, sem pausas no caminho.

E quando estou triste por pouco Miró não me abraça. Ele me olha com aquele olhar profundo do schnauzer como se dissesse “não fique triste, vai passar”. E levanta minha mão com a sua pata, e fica por baixo do meu braço. Miró me olha profundamente nos olhos, só quem tem um schnauzer conhece bem esse olhar. Lambe meu braço, mão, perna, queixo. Mais um pouco e lamberia minhas lágrimas.

Miró não pede pra eu parar de chorar, pelo contrário. Fica ali, silencioso, como se compreendesse que, às vezes, lágrimas saram as dores. Aí ele me abraça, forte, do jeito dele, e me ouve atentamente. E me conforta. Dorme do ladinho da minha cama para se certificar que está tudo bem. E quando me distraio lá está ele, roncando como um cachorro que dorme os sonhos dos anjos. O amor de Miró é o mais puro e sincero. Como ele, tenho aprendido que o tempo com quem se gosta é precioso – e que nada no mundo substitui esses momentos.


03 fev 2015
Comments: 0

O que vai e o que fica

Durante muito tempo acreditei que era mais fácil para quem ficava e mais difícil para quem partia. Porque você ficava com as nossas músicas, nossos amigos e círculos, nossas ruas e rotinas na lembrança. E eu partia só, com tudo isso na memória. Partia com você, mas com todo o resto diferente. Talvez não fosse menos doloroso, mas hoje sei que não era mais. Porque enquanto eu me apegava a nós e aos nosso nós, você, mais do que isso, nos via todas as manhãs no trajeto diário, no sorvete da esquina, nos olhares das pessoas próximas.

Eu, que partia, me desligava… Pensava em nós, mas conhecia outras pessoas, lugares diferentes que queria compartilhar com você. E nisso ia levando, tentando suprir a ausência naqueles momentos. Mas você ficava com as calçadas que a gente se sentava no final das tardes para conversar, com as árvores que riscávamos nossos nomes, com os amigos e histórias que dividíamos com eles. O cheiro, os espaços, os gostos. Era muita coisa para que carregasse sozinho.

Hoje eu entendo que não foi fácil partir, deixar tudo pra trás. Mas que o peso de você ter ficado com tudo talvez tenha sido maior. Segui a linha sem olhar pra trás, meio sem jeito e com o peso da escolha. E um dia você juntou nossas coisas num bote e soltou na água de um rio, calmo e lento, contínuo. Num lindo destino. É mais fácil voar deixando tudo pra trás do que soltar a corda do bote que está amarrada no pulso.

Foto: Kalyne Menezes


22 jan 2015
Comments: 0

Terê-ze-a-zá

Minha vida sempre teve Teresas, a começar da irmã caçula da minha avó. E Teresa soa bonito, eu gostava quando minha avó me chamava de Teresa e depois dizia: ô, Kalyne, troquei seu nome! E gargalhava com gosto da confusão que tinha feito. Eu me sentia Teresa, e sabia que a vó fazia isso por saudades da irmã.

Fui uma vez na casa de tia Tereza, bebi água na moringa, comi galinha caipira, fiz arte com argila e senti frio. Luz no lampião, macarrão cozido e aquele cheirinho de fazenda, sabe. As Teresas que conheço são como minha tia: tão simples e tão completas. Agüentam muitas provas, não medem sorrisos e abraços, e algumas, volta e meia, são ranzinzas. Mas passa, logo passa.

Outra Tereza, essa com zê, é uma grande amiga minha. Tê é estudiosa, embora uma vez tenha me dito que só estudava porque a mãe sempre a incentivou, que estudar é penoso. Mentira. No fundo ela adora passar as tardes no laboratório, fazer pesquisa sistematicamente. Isso é um pouco das Teresas, sabe? Essa dedicação, honestidade, compromisso. É admirável.

Tereza Cristina, nome forte e de sambista. Um dia ela decidiu, foi lá e fez. Foi assim com a faculdade, foi assim com a corrida, foi assim com as mudanças, foi assim com a rotina, foi assim com os projetos. Tê, apesar do nome doce, curto e sensível, é a decisão em pessoa. Talvez ela ainda não tenha se dado conta, mas um dia descobrirá. E Tê ri demais, da vida e para a vida, às vezes fica triste, mas quem não fica? Gosta de cachorros e de coca-cola. Tem sonhos ainda não descobertos, mas que serão realizados. Pede opinião, dá sua sinceridade. E do que mais a gente precisa?

Ah, meu palpite é só um: Teresas, Terezas, Therezas têm coração bom, grande, perspectivas, sonhos, segredos, remelexos, pé solto, mãos firmes, cafés quentes, olhos sorridentes, gargalhadas suaves, cabelos livres e pés no chão. Mas os dedos, ah, esses tocam o céu. E lá se vão, sem fim, em busca do que lhes dão prazer. Ô Teresa! Tere-ze-a-zá! Agora só falta um samba pro seu nome dançar com mais leveza e você deslizar com mais graça pela vida. É possível?

Foto interna: Amana Dultra/Flickr


10 dez 2014
Comments: 0

Minha máquina de costura

Lendo Máquinas de Coser, do José de Alencar, me veio a lembrança da minha máquina de costura, herança antecipada em muitos anos pela minha avó. As minhas melhores lembranças permeiam a máquina, que fica na cozinha da minha avó até hoje, embora sem o vigor de anos atrás.

Aprendi a costurar na agulha. Alinhavava primeiro, depois ia pra máquina: encaixava o tubo de linha, rodava a “rodinha” da parte direita da máquina, puxava o tecido com a mão esquerda e empurrava com a direita. Tudo isso dando corda na máquina com o pé, assim, como as de fiar. A parte mais interessante era guardá-la no baú de madeira, acoplado à ela. Era como se tirasse um tesouro há muito tempo escondido.

E aí, dizia vó, comprei essa máquina quando mudei pra cidade. Usava ela pra costurar as fraldas dos meninos e aí, pouco tempo depois, uma vizinha me disse que as fraldas descartáveis eram melhores e passei a usar a costura para outras coisas. “Comprei quando sua tia Maísa nasceu, há 50 anos, e quando eu for desta pra melhor vou deixar ela de lembrança pra você.”

E com a máquina vinham outras centenas de prazeres. Eu fazia roupas pras minhas bonecas, inventava livros com retalhos de tecidos, dormia nas colchas de retalhos feitos pela minha avó. São simples, mas com um cheiro e carinho especial. Em volta da máquina ficavam, além de tecidos e objetos de costura, as xícaras de café, bolachas maisena, as taças de vidro próprias para o doce de leite único que vó Maroca faz.

E foi lá, ao redor da máquina de costura, que a vida foi sendo tecida com simplicidade e carinho. E uma lição aprendi pra vida toda: os nós firmes da ponta, no início da costura, é que sustentam e mantêm todos o trabalho. Não adianta ponto sem nó.

 

Texto escrito em 2011, provavelmente.

 

 

 


10 dez 2014
Comments: 0

Entre idas e vindas

Mais uma viagem visitando meus pais e me lembrei de um texto que escrevi aqui no blog há um tempo, No centro. Não há como não ficar nostálgica, ainda mais quando a maior parte dos meus melhores amigos ainda se encontra por lá. O São João se aproximando e eu comendo a canjica do ano na quermesse também contribuíram para essa saudade da casa dos pais.

Entre idas e vindas muita coisa acontece. Quando viajei para a Bahia no carnaval algo inusitado aconteceu. Eu, com minha tradição de viajar na janela sempre do lado oposto ao motorista, fui tirada da minha zona de conforto. Meu irmão comprou minha passagem de ida do mesmo lado do motorista e minha mãe fez o mesmo com a de volta.

Irritadíssima, não pude fazer nada. Eram quase oito anos viajando no lado de sempre para ver a paisagem e não ser incomodada com os faróis dos carros. Mas, ao longo do caminho, percebi que não atrapalhavam muito o meu sono e que era até interessante ver que além de mim haviam muitas pessoas na estrada. Caminhoneiros como Sérgio, que talvez estivessem indo para casa ou partindo para uma longa viagem. E todos eles com suas histórias de estradas.

Foi bom ver que existe um outro lado além da caverninha escura. Dessa vez, comprei a mesma poltrona na ida e na volta, preferindo, agora, o mesmo lado do motorista. Ainda estou na idade de mudar de opinião sem que isso seja feio – ainda bem. E, depois desse episódio do carnaval, meu amigo Marlus falou o óbvio: que o motorista sempre vai proteger o seu lado. E aí não tem como não lembrar do meu tio caçula dizendo que viaja de corredor e no meio do ônibus porque se o ônibus bater de frente, fundo ou em qualquer um dos lados ele está protegido. Isso é que é confiança!

 

 


10 dez 2014
Comments: 0

O segredo do secador

Arrumando um dos armários encontrei meu secador de cabelo e, olhando para ele, me recordei do secador que minha mãe tinha. Quando eu era criança não tinha muita noção daquela máquina. Minha mãe guardava em uma caixa de papel gigante e quadrada, típica de uma caixa de presentes – mas era sim a caixa do secador.

Dentro da caixa havia um molde de plástico que nem esses de celular, onde tem um lugar para guardar cada coisa. E assim era. O secador lembra esses da imagem, pena que não encontrei nenhuma foto fiel para ilustrar. O fato é que as tardes de sábado eram marcadas por aquele som típico de secador quase parando, mas mantido pelo afeto. “Ganhei quando casei com seu pai”, na época devia ser uns 20 anos. E era bonito de se ver, aquele instrumento, minha mãe manuseando com desenvoltura e secando os cabelos presos com bobs coloridos.

A caixa em que era guardado era branca com a parte superior marrom e um desenho da época, com uma loira chique arrumando os cabelos. Aí, depois de um tempo, ele queimou de vez – e não havia mais conserto. Minha mãe se desfez dele facilmente – ao contrário de mim, ela não tem apego a essas coisas – e no lugar aderiu à escova no salão vez ou outra e até parou de depender dele pra se arrumar.

No ano retrasado dei um secador pra ela de presente, desses super modernos. Ela adorou, mas não tem a mesma felicidade que tinha com o outro. A vida ficou mais prática, as prioridades também mudam e, mais do que um secador, havia um significado. Para minha visão de criança, que olhava ela se arrumar, eu pensava quando seria a minha vez de ficar mais bonita do que já sou. E falava, nossa mãe, você está mais bonita do que já é. Porque dentro dele não tinha só vento, haviam muitos segredos e sorrisos de beleza.

 

 


10 dez 2014
Comments: 0

Despedidas nada fáceis

Não é fácil dizer adeus. Pensei isso várias vezes tentando jogar meu tênis predileto fora. Na primeira tentativa, enrolei uns três meses. Aí pensei, poxa, me acompanhou tanto tempo. Fui na faculdade, na balada, caminhei quilômetros…dura mais um pouquinho. Dito e feito. Mais uma chance pro velho Adidas.

Ganhei ele de aniversário em 2006 – sim, não é fácil admitir quando um tênis é velho. Mas nem é isso, ele não é velho: foi bem usado. Meu irmão me deu, comprado em promoção, com detalhes laranjas meio exóticos. Recebi até um bilhete de algum amigo oculto no meu cursinho, dizendo “poxa, que tênis maneiro. Deve ser bom entrar um ventinho nele, deve ser confortável.” Esses bilhetinhos de interação.

Tenho modelos mais antigos, que não têm um terço do conforto dele. Acho que são os furinhos do modelo clima cool, entra um ventinho nos pés (e muita terra também, dependendo de onde se anda). Um amortecimento sem igual, um amor que não existe. Um apego inigualável. E foi com ele que passei tanta chuva, pisei na lama, viajei de férias pra Bahia. Mas era difícil admitir pra mim que já era hora de dizer adeus.

São daquelas coisas que a gente se apega, arruma um motivo para guardar, fica dando chance ao que não tem mais razão de ser. Era ele por inteiro que pedia socorro e eu, como uma dona exploradora, usei até a última gota de sangue do meu querido tênis. Ou otimizei a compra, valorizei o investimento. Tenho certeza que muitas mães se orgulhariam de mim.

Um dia desses eu o peguei, limpinho, olhei com carinho e pensei “é hoje”. Abri a porta do meu apê e andei até as escadas. Deixei ele do lado do latão de lixo e fiquei olhando, olhando….saí devagar e o deixei. Mas não durou muito. Antes de fechar a porta eu peguei e coloquei ele no mesmo lugar.

Aí, por fim, decidi que na caminhada pra Trindade seria a última aventura dele. E fomos, eu olhando onde pisava e confiando na sua resistência e também que não ia ficar na mão, ele com o clima cool ventilando meus pés e sujando de barro minhas meias….e voltamos, tempos depois. O deixei na sala tomando um ar. Estava decidida a deixá-lo ir. Mas aí a Terezinha, que me ajuda com a casa, pegou meu Adidas, lavou e o guardou. Quando olhei pensei: ah, não, será que esse dia vai chegar?

 


10 dez 2014
Comments: 0

O curso do caminho

Volta e meia pensamos na vida, nas escolhas, falamos sobre isso até. Não vejo como algo penoso, mas como um fato que acontece com todos nós. Das escolhas que fiz, me arrependo de algumas, não muitas. Diria que poucas contadas nos dedos. Não podia ser diferente, pois não existe o “se” no curso da história. Há um desejo que nos move em busca dos nossos sonhos e para isso temos que abrir mão de algumas coisas.

Dessas, sinto imensamente falta de duas. A primeira foi de não poder passar mais tempo perto da minha avó, que partiu a exatamente um ano. Mas ela sempre me apoiou muito nas minhas escolhas e decisões. A outra foi dos amigos, grandes amigos dos quais é difícil de achar, que eu tive que me distanciar por mudar de cidade e ir atrás de alguns sonhos. Também sinto falta dos meus pais, mas tento passar o máximo de tempo que consigo bem próxima.

Não é arrependimento de não ter ido ou de ter ficado e convivido mais com meus amigos ou minha avó – porque ir ou estar fisicamente em um lugar não é o essencial para uma grande amizade. Mas é a falta daquele vínculo que só acontece com algumas pessoas, aquela amizade em que há confiança, entendimento, compreensão e uma porção de coisas e sentimentos que não se traduz em uma receita  de bolo. Aquilo que eu não consigo descrever. Do que eu mais sinto falta no curso do caminho é dos sorrisos, dos abraços e do que eu e meus amigos não falamos com palavras.