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20 abr 2019
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Dádiva do tempo

Por Bárbara W. Idril

Até pouco tempo eu me considerava uma pessoa muito ansiosa, diria até inimiga do tempo e da espera. E , por mais que eu tenha sido relutante, uma hora ficou impossível não aceitar a situação posta ao meu redor. Foi quando eu joguei a minha “caixa de pandora” no chão e  me vi obrigada ser amiga do relógio para conseguir entender aquilo que não estava sob o meu controle e lidar com minhas dores. Pois com ela eu deixava pra trás o emprego que me realizava e a pessoa que eu amava.

Chega uma hora que a correria e uma rotina louca de trabalho não nos permite contemplar os outros 30%, 50% ou 70% de nossas vidas – depende como cada um faz essa divisão. Eu venho de uma rotina 70% – 30%. Nos 70% eu depositava toda a minha energia, saúde, tempo e sonhos – eu literalmente respirava trabalho. Os outros 30% era para eu dormir (5 horas por noite)estudar e organizar tudo que era necessário para o bom andamento da rotina dos 70%. Um dia essa rotina louca “supitou” e meu corpo chegou ao limite, era quase que “tarde demais”. Era hora de me recolher e parar de querer abraçar o mundo sozinha.

Agora, 1 ano e 10 meses depois desse pedido de socorro que o meu corpo emitia e que me propus ouvir, eu posso dizer que estou começando a colher os frutos desse processo que eu denominei de “autoconhecimento”. Já consigo perceber o tempo certo de espera para fazer uma escolha, por mais que a deseje rapidamente. O tempo de retomar a um projeto ou de simplesmente abandoná-lo, o tempo do meu corpo, da minha saúde física e mental. Mais que o meu tempo, eu estou aprendendo a lidar com o tempo das pessoas ao meu redor. Parece engraçado e até mesmo irônico para quem me conhece, mas na verdade e sinto como vivendo uma experiência mágica.

Como em todo processo de mudança de um hábito, pode haver recaídas e comigo não é perfeito. Eu aprendi a identificar rapidamente esses momentos de possíveis “quedas”, e é aí que eu respiro fundo, paro tudo, esvazio minha mente e volto colocando as ideias no lugar uma por uma, até encontrar a resposta para aquilo que me fez desviar de minha caminhada.
A cada etapa me sinto mais conectada ao universo que me cerca, às pessoas e principalmente, comigo mesma. Acho que estar sozinha pode ter sido o maior de todos os presentes que permiti me dar até aqui. À época eu não fazia ideia onde isso iria me levar e ainda não sei se poderei delimitar um ponto final. Mas sinto que meus pés estão mais próximos do chão, eu até posso sentir a umidade da terra, e eles me levam na direção certa. 


04 jul 2018
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#45 Toca fitas

Encontrei as fitas k-7 do meu pai numa caixa preta que ele guardava no porta luvas do carro. Recordei de quando as fitas enrolavam e a gente tinha o maior trabalho com a caneta Bic pra desenrolar o fio. E ouvir tudo de novo…

Estoy enamorado, versão de João Paulo e Daniel, está entre as músicas da cassete pirata de uma novela famosa dos anos 1990, O Rei do Gado. Nessa novela, a Patrícia Pilar era uma musa famosa do MST. Minha vizinha rebobinava essa música o dia todo, o bairro inteiro escutava o som. Realmente, a canção ocupava os primeiros lugares no rádio e fez de João Paulo e Daniel sucesso nacional.

Quanto às fitas, ainda hoje meu pai guarda sem ter onde ouvir. Nosso antigo toca fitas e disco de vinil foi doado pela minha mãe para o meu tio – claro, na surdina. Assim ficamos com as lembranças dessas fitas e das outras que a gente mesmo gravava fazendo apenas seleção das que mais gostávamos.

Também tenho umas cassetes virgens, da época do curso de jornalismo ainda. Foi recente, mas ainda usávamos muito já que as tecnologias de gravação MP3 eram caras e a Rádio Universitária ainda não tinha passado pelo processo de digitalização. Lá em casa, além dessas fitas, tem o bom e velho gravador analógico. Paguei 50 reais, há dez anos, e ele está novinho em folha.

Qualquer dia desses vou testar as vozes imortalizadas pelas fitas cassetes. Lembrar do barulhinho do final da fita, quando corta a música e a gente tem que virar para o lado B. Tudo cronometrado, até a respiração do cantor.


04 jul 2018
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#44 Cameramen

Fita cassete, câmera na mão e muito axé. Eram assim boa parte das festas de família dos anos 1990. Minha tia tinha acabado de adquirir uma filmadora “portátil”, que pensava, com certeza, mais de três quilos. Meu primo filmava as festas de família com ela apoiada no ombro, segurando com as duas mãos. Mais um pouco e viraria cameramen da tv.

O que a gente fazia?  Sorria, acenava, dançava, contava piada para a câmera. Tudo era válido, o importante era registrar – desde as pessoas até a mesa farta de domingo. Levaria um tempo até descobrirmos, naturalmente, que diferente das fotos, na câmera tudo ainda é mais próximo do natural. E é isso que fascina no vídeo.

Uns anos atrás, quando minha tia mudou de casa, nos deparamos com essas fitas. Meus irmãos eram adolescentes no clube, num fim de tarde com os primos. Lembrei que raramente vemos (quando vemos) as fitas que filmamos. Por que será? E, de lá para cá, cada dia que acordamos a concepção de vídeo muda de novo. Por fim, acho que o mais bacana da filmagem era meu primo falando atrás da câmera, dizendo para dançarmos ou darmos um tchauzinho pra tela. Todos nós sabíamos, o tempo todo, que o mais importante daquelas fitas cassetes era nos reunirmos todos os domingos para o almoço de família para compartilhar e eternizar os domingos, apesar de qualquer tecnologia que aparecesse.


04 jul 2018
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#43 Trinta

Não escrevi um texto sobre os trinta. Não sei se vou escrever, mal comecei a viver nessa idade fisicamente, embora minha cabeça esteja sempre adiante – sem nenhuma pretensão. Os trinta vieram como eu nunca quis, numa primavera um pouco triste e sem graça. Não foi a pior das estações, nas não teve a luz que sempre teve. Talvez eu não esperasse nada desse dia além de um bom doce.

Não refleti sobre minha vida, nem escolhas, tão pouco futuro. Fazia isso quase sempre, para que perder o 30º dia com isso? Não fiz listas, nem promessas, nem chorei. Acho que fiquei feliz pelo que a vida me trouxe, embora não considerasse esse ano um dos melhores presentes que eu já tivesse recebido. É que a gente muda, o corpo muda, a cabeça, o paladar, o toque, o sorriso, os cabelos, a pele, a vida muda. Com mais intensidade, uma porção a mais por dia.

Encontrei pessoas queridas, outras infelizmente ficaram na lista dos 31 anos. Ou não, daqui até lá não sei o que será. Foi um dia de sentimentos queridos, amados, intensos. Para ambos lados. Mas o que ninguém consegue enxergar é que nos trinta eu senti mais falta do abraço quente da minha avó e da pele enrugada dela encostando na minha cabeça e fazendo cafuné. Certas coisas a idade não apaga.

 

1/1/2018


27 mar 2018
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#42 Que trazes pra mim?

A música que eu mais gostava de cantar na Páscoa, nos tempos das apresentações de colégio, era a do coelhinho da páscoa. Ficava imaginando os três ovos que ele traria pra mim, azul, amarelo e vermelho também. Essa era a única música que eu gostava. E eu adorava coelhos, quando eu era bem pequenininha tinha coelhos em casa. Como eles se reproduziam e se multiplicavam muito meus pais acabaram doando pra amigos.

Durante muito tempo eu não podia ganhar ovos de páscoa. Minha família não tinha condições financeiras para isso, e eu achava muito triste algumas crianças que ganhavam ovos de chocolate grandes e caros e estampavam seus prêmios com requinte de crueldade infantil para quem não podia comprar ovos. Eu compreendia que não podia ganhar os ovos mais caros, e que meus pais sempre me davam algum coelhinho pequeno de chocolate para não passar em branco. E nem por isso minha Páscoa foi menos feliz.

Sempre tinha almoço na minha avó no feriado e no domingo eu ia para a igreja, lá eu ouvia histórias cristãs sobre o significado da Páscoa. E sem dúvida o que mais me marcou (independente da crença das demais pessoas ou se elas são ou não cristãs) é que Jesus foi um homem de muita fé e de perseverança. Por isso ele percorreu, segundo a Bíblia, tantos caminhos difíceis, que para alguns poderiam parecer ou até ser mais fáceis.

O que eu mais gostava no domingo de Páscoa era a mensagem de que esse homem de fé não fazia distinção entre as pessoas. Não julgava, não se importava com a cor da pele ou a classe social, e mostrou que a humildade e o caráter são essenciais para seguir um caminho de paz e para enxergar o além: a missão, o propósito.

A Páscoa é um renascimento, muitos de nós nos esquecemos de que para renascer é preciso morrer antes. Matar nossos preconceitos, nossos julgamentos, nosso orgulho, nossa arrogância. Para matar isso, é preciso reconhecer nossos defeitos. Sim, todos temos defeitos. Ser imperfeito é a oportunidade que temos de nos lapidarmos. E todos os anos, na Páscoa, eu me lembro de que não importa quem eu sou ou de onde eu venha, há sempre uma oportunidade de renascer e ser uma pessoa melhor, para uma humanidade melhor.


01 fev 2017
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#35 O pequeno menino grande

Um menino que já nasceu grande. Juro que não sei como a mãe dele aguentou a barriga, quem a via jurava que carregava gêmeos. E com o passar do tempo percebemos que ele valia por dois, no melhor dos sentidos.

O pequeno menino grande sempre teve muito carisma, um olhar sereno e amigável mais extenso que os demais, por ora um silêncio mais demorado. Outras vezes um sorriso mais contido – para alternar com as risadas exageradas. Ambicioso, mas sem excessos.

João já nasceu grande: no tamanho e no nome. Salvo engano pesava quando cinco quilos quando saiu da barriga da mãe, por cesariana claro. Agraciado por Deus, João Pedro também é firme, forte, rochedo. Afinal é esse o significado do seu nome, que ele vai incorporando aos poucos, com a maturidade.

E João vai seguindo seu caminho, uma risada aqui, outra ali. Nada de estresse. Sempre inventa histórias, gosta de descobrir a vida, por filmes, por livros, pelos amigos, pela própria vida. E ainda sabe que o seu caminho será sempre longo, generoso, feliz e com muito amor. João: o pequeno menino grande que faz todo mundo feliz.


09 set 2016
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#38 Os 20 e poucos anos

Decidi falar sobre os 20 e poucos anos porque daqui uns dias eu faço 29 anos, é minha “última casa” dos 20, digamos assim. E eu posso dizer que todos esses anos foram muito bons, cada um, claro, à sua maneira. Quando a gente faz 20 anos ainda temos um pé na adolescência. Não sabemos muito sobre a vida, ou melhor, sabemos só um pouquinho. Geralmente é quando começamos a nos relacionar, às vezes já levamos algumas decepções, mas o mais importante do início dos 20 anos é que é o começo de uma grande descoberta.

É como se a gente entrasse num navio, numa embarcação, sem saber ainda qual o destino que ela terá. Tudo é um mistério e isso não é necessariamente ruim. É um mistério diferente, até a angústia do início dos 20 anos é diferente, porque a gente não é de todo independente, a gente não se conhece tanto, é bem um início mesmo. Nesses 20 e poucos anos eu tive algumas fases muito marcantes. Eu me formei em jornalismo com 23 anos e posso dizer que a profissão também é importante no processo de amadurecimento pessoal. Muitas pessoas ainda tentam separar as duas coisas, mas na verdade elas são inseparáveis. À medida que você assume responsabilidades profissionais elas também refletem no seu mundo pessoal, na sua maneira de ver o mundo.

Nesses 20 e poucos anos também tive perdas difíceis e momentos ruins, como qualquer pessoa. Eu acho que nessa época a gente passa a perceber com mais maturidade os sentimentos, sejam eles quais forem. E o mais importante – que é o que deve ser feito, na minha opinião – é aprender a lidar com esses sentimentos. Os 20 e poucos anos me ensinaram que a vida não é perfeita, pelo contrário. Eu penso que a perfeição está na imperfeição. Na busca, na sede, na ambição. Mas claro, isso faz parte de quem eu sou, e só foi possível também perceber isso a partir do caminho que decidi trilhar.

O mais importante desses 20 e poucos anos, para mim, foi o autoconhecimento. Diferente do início dessa caminhada, onde eu entrei num navio com uma ideia de onde eu queria ir (mesmo que fosse uma ideia pré-definida), hoje eu sei onde eu quero chegar e, principalmente, onde eu não quero ir. Aprendi (e continuo aprendendo) a dizer “não” para os outros quando isso significa dizer “sim” para mim. Descobri e curto algo que eu já gostava na adolescência, mas não podia desfrutar com mais liberdade: estar comigo mesma, uma certa solitude (qualquer dia falo sobre isso por aqui).

Estou aberta a novas opções e penso que durante os 20 e poucos anos todas as escolhas que fiz me levaram a isso, a essa maturidade e completude. Vou curtir os 29 como tentei aproveitar todos os demais anos, inclusive sabendo que a idade física, nem sempre, é a idade da nossa alma (não é mesmo?), mas que por alguma razão temos que nos adaptar a ela e vivê-la intensamente em todas as suas possibilidades. Posso dizer que os 20 e poucos anos vão deixar saudades, assim como a infância e a adolescência deixaram. Mas cada fase tem sua beleza, seu tempo, sua contribuição. Que venham os próximos anos!


07 mar 2016
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#39 Aprendendo a chorar

Tenho um amigo em especial que durante muito tempo, quando conversávamos e eu estava triste por alguma razão, ele insistia: pode chorar, chore o quanto quiser. E demorou um tempo considerável até que eu me sentisse à vontade para extravasar tristeza, chateação ou outro sentimento acumulado por meio das lágrimas, frente à outra pessoa. O dia em que isso aconteceu foi uma surpresa para mim e também uma grande vitória, disse ele. Com ele percebi que lágrimas são extremamente importantes na nossa vida, em especial quando a compartilhamos com alguém com quem nos sentimos seguros.

Minhas lágrimas simbolizavam muita coisa, possivelmente a menos importante delas fosse tristeza. Chateação, tristeza, decepção ou outros sentimentos provocavam a vontade de chorar e o choro propriamente dito, mas passar por esse processo era um ritual necessário para começar uma mudança, tomar uma decisão, expressar raiva, aliviar uma grande dor ou uma dor que no final do choro nem era tão grande assim.

É preciso aprender a chorar. Muitas vezes somos ensinados a esconder nosso choro para não sermos incomodados (ou não incomodarmos), para não perdermos o emprego, para sermos fortes ao invés de parecermos fracassados, para guardar as questões pessoais, para que outras pessoas não nos vejam chorando e possam se aproveitar disso, para mantermos minimamente o controle.

Mas, à medida que as lágrimas caem, reconhecemos que estamos de fato numa situação, geralmente temporária, e que como quase tudo na vida existe uma saída. Chorar ajuda a termos dimensão da situação, é um momento de reflexão e tristeza liberada por lágrimas que, posteriormente, além de contribuírem para algum aprendizado, nos recordarão que somos fortes, empenhados e que, acima de tudo, somos humanos.

 


13 jan 2016
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#40 Caixa de memórias

Hoje abri a caixa de memórias. Todos os anos – ou no máximo a cada dois anos – abro a caixa e vejo se gostaria de continuar guardando o que está lá dentro. O primeiro item que me deparei foi um cartão de um amigo que já morreu. Ele havia me dado de aniversário, junto a um mimo que ainda guardo. Além disso, tenho o único soldado médico que sobrou do jogo da infância, cartões postais, boletins do colégio primário, muitos cartões, embalagens/guardanapos de locais que visitei e marca-páginas com recadinhos.

Com o passar dos anos, o que antes já foi uma grande caixa de memórias se tornou uma caixa pequena, do tamanho de uma caixa de sapato. Fui me desfazendo da maioria das recordações, ao perceber que foram importantes na minha vida e que estarão na mais importante caixa de memórias: a minha cabeça. Se antes eu guardava lembranças de viagens, hoje apenas as fotos ou algo bem específico. O vento no cabelo, o café na padaria, a caminhada na areia ao amanhecer, o amor inesquecível de férias, as pessoas que conheci nos passeios, as obras de arte que apreciei. Tudo, nos mínimos detalhes, guardados na cuca.

Ainda guardo poucas coisas, dentre as quais os cartões de natal e de aniversário chamam mais minha atenção. Em alguns tenho a sensação que as pessoas que fazem esse trabalho realmente desenvolvem os sentimentos ali expressados – como Tom, no filme 500 dias com ela. Cartões escritos com muito esmero, cujas mensagens são tão cuidadosamente pensadas que tocam o coração de qualquer pessoa. Mas o mais bonito, dos cartões e das outras lembranças, não é o que elas são, e sim a capacidade de nos transportarem a um tempo único, envolvente, cheio de significados sobre amor, amizade, carinho e felicidade.


15 dez 2015
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#36 Carta de fim de ano

Todo ano é um ano de experiências, alegrias, tristezas, coisas que queremos esquecer, mas, acima de tudo, momentos que contribuem para moldar, construir – e até evidenciar – quem realmente somos. Isso que a humanidade inventou de contar o tempo tem lá suas vantagens, para mim a maior delas é o recomeço. É como se o relógio iniciasse, como se a cabeça, o mundo e o tempo rodasse de novo, como o Roda-Roda do Silvio Santos.

E neste quase ano velho aceitei comemorar pequenas vitórias, cada etapa de um processo, embora não conquistasse o prêmio final. Aprendi que nadar contra a corrente é difícil, mas muitas vezes necessário. Aceitei que é preciso abandonar projetos ou deixá-los em uma estante, por tempo indeterminado, para poupar tempo e organizar as ideias.

Percebi – mais de uma vez – como as pessoas só enxergam o que realmente querem, e desejei continuar indo na direção oposta. Percebi que há muita gente egoísta, nos mínimos detalhes. A desonestidade e a corrupção também ocupam um espaço grande no cotidiano.

Aprendi que posso viver a vida como desejar, sem pesos ou cobranças, nem da minha parte, nem de outras pessoas. Viver em paz consigo mesmo é a melhor maneira de viver. Aceitei que é preciso, mais de uma vez, deixar algumas pessoas importantes de lado para podermos afagar a nosso próprio ego, refletir nossos dilemas. E que é possível fazer isso sem machucar ninguém.

Percebi que há dias em que é bom chorar sozinha, já outros nem tanto. Aceitei que, às vezes, é necessário dizer sim para um cafuné, um colo. E que isso não significa que você não deu conta de algo ou é fraco, mas apenas que é bom ter alguém em quem confiar.

Aprendi, mais uma vez, que é preciso se isolar às vezes, quando se tem um objetivo, mesmo que isso possa ser extremamente difícil. Assim evitam-se arrependimentos futuros de que poderia ter se dedicado mais ou feito diferente. Porque a pior culpa, sem dúvida, é a que colocamos sobre nós mesmos.

Percebi que nunca será fácil lidar com a morte de alguém querido, que não há maneiras de se preparar para isso ou lidar com a perda. Acreditar que há mais coisas entre o céu e a terra que não conhecemos ajuda a passar por isso, assim como se lembrar dos momentos bons que passamos juntos.

Percebi – até mesmo por observação – que sempre há tempo para perdoar e que às vezes é preciso deixar o passado e o orgulho de lado. Não importa quão feio foi a briga se vale a pena ter alguém importante novamente com você.

Aprendi que por mais difícil que seja é preciso superar seus medos sozinha. Um dia você pode entrar em pânico e correr para um lugar seguro, mas para vencer a luta você precisa ficar e encarar o medo. Só assim se libertará do problema. Aprendi que a nossa maior luta é com a gente mesmo. Alguns dias são mais difíceis do que outros, não sei se um dia isso vai mudar, mas a cada batalha acredito que me fortaleço.

Aprendi que família, por mais que tenham suas diferenças, significa poder. Porque não há amor mais forte que une pessoas e supera desafios juntos. Aprendi que não importa a idade, volta e meia a gente quer colo de mãe. Aproveite se você tem isso por perto.

Aprendi que não há como se preparar para as quedas, às vezes o tatame não tem proteção. Mas, mesmo assim, de uma maneira ou de outra a vida continua. Basta olhar o céu: sempre há um dia após o outro. A vida sempre continua.