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01 fev 2017
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O pequeno menino grande

Um menino que já nasceu grande. Juro que não sei como a mãe dele aguentou a barriga, quem a via jurava que carregava gêmeos. E com o passar do tempo percebemos que ele valia por dois, no melhor dos sentidos.

O pequeno menino grande sempre teve muito carisma, um olhar sereno e amigável mais extenso que os demais, por ora um silêncio mais demorado. Outras vezes um sorriso mais contido – para alternar com as risadas exageradas. Ambicioso, mas sem excessos.

João já nasceu grande: no tamanho e no nome. Salvo engano pesava quando cinco quilos quando saiu da barriga da mãe, por cesariana claro. Agraciado por Deus, João Pedro também é firme, forte, rochedo. Afinal é esse o significado do seu nome, que ele vai incorporando aos poucos, com a maturidade.

E João vai seguindo seu caminho, uma risada aqui, outra ali. Nada de estresse. Sempre inventa histórias, gosta de descobrir a vida, por filmes, por livros, pelos amigos, pela própria vida. E ainda sabe que o seu caminho será sempre longo, generoso, feliz e com muito amor. João: o pequeno menino grande que faz todo mundo feliz


09 set 2016
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Os 20 e poucos anos

Decidi falar sobre os 20 e poucos anos porque daqui uns dias eu faço 29 anos, é minha “última casa” dos 20, digamos assim. E eu posso dizer que todos esses anos foram muito bons, cada um, claro, à sua maneira. Quando a gente faz 20 anos ainda temos um pé na adolescência. Não sabemos muito sobre a vida, ou melhor, sabemos só um pouquinho. Geralmente é quando começamos a nos relacionar, às vezes já levamos algumas decepções, mas o mais importante do início dos 20 anos é que é o começo de uma grande descoberta.

É como se a gente entrasse num navio, numa embarcação, sem saber ainda qual o destino que ela terá. Tudo é um mistério, e isso não é necessariamente ruim. É um mistério diferente, até a angústia do início dos 20 anos é diferente, porque a gente não é de todo independente, a gente não se conhece tanto, é bem um início mesmo. Nesses 20 e poucos anos eu tive algumas fases muito marcantes. Eu me formei em jornalismo com 23 anos, e posso dizer que a profissão também é importante no processo de amadurecimento pessoal. Muitas pessoas ainda tentam separar as duas coisas, mas na verdade elas são inseparáveis. À medida que você assume responsabilidades profissionais, elas também refletem no seu mundo pessoal, na sua maneira de ver o mundo.

Nesses 20 e poucos anos também tive perdas difíceis e momentos ruins, como qualquer pessoa. Eu acho que nessa época a gente passa a perceber com mais maturidade os sentimentos, sejam eles quais forem. E o mais importante – que é o que deve ser feito, na minha opinião – é aprender a lidar com esses sentimentos. Os 20 e poucos anos me ensinaram que a vida não é perfeita, pelo contrário. Eu penso que a perfeição está na imperfeição. Na busca, na sede, na ambição. Mas claro, isso faz parte de quem eu sou, e só foi possível também perceber isso a partir do caminho que decidi trilhar.

O mais importante desses 20 e poucos anos, para mim, foi o autoconhecimento. Diferente do início dessa caminhada, onde eu entrei num navio com uma ideia de onde eu queria ir (mesmo que fosse uma ideia pré-definida), hoje eu sei onde eu quero chegar e, principalmente, onde eu não quero ir. Aprendi (e continuo aprendendo) a dizer “não” para os outros quando isso significa dizer “sim” para mim. Descobri e curto algo que eu já gostava na adolescência, mas não podia desfrutar com mais liberdade: estar comigo mesma, uma certa solitude (qualquer dia falo sobre isso por aqui).

Estou aberta a novas opções, e penso que durante os 20 e poucos anos, todas as escolhas que fiz me levaram a isso, a essa maturidade e completude. Vou curtir os 29 como tentei aproveitar todos os demais, inclusive sabendo que a idade física, nem sempre, é a idade da nossa alma (não é mesmo?), mas que por alguma razão temos que nos adaptar a ela e vive-la intensamente, em todas as suas possibilidades. Posso dizer que os 20 e poucos anos vão deixar saudades, assim como a infância e a adolescência deixaram. Mas cada fase tem sua beleza, seu tempo, sua contribuição. Que venham os próximos anos!


07 mar 2016
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Aprendendo a chorar

Tenho um amigo em especial que durante muito tempo, quando conversávamos e eu estava triste por alguma razão, ele insistia: pode chorar, chore o quanto quiser. E demorou um tempo considerável até que eu me sentisse à vontade para extravasar tristeza, chateação ou outro sentimento acumulado por meio das lágrimas, frente à outra pessoa. O dia em que isso aconteceu foi uma surpresa pra mim e também uma grande vitória, disse ele. Com ele percebi que lágrimas são extremamente importantes na nossa vida, em especial quando a compartilhamos com alguém com o qual nos sentimos seguros.

Minhas lágrimas simbolizavam muita coisa, possivelmente a menos importante delas fosse tristeza. Chateação, tristeza, decepção ou outros sentimentos provocavam a vontade de chorar e o choro propriamente dito, mas passar por esse processo era um ritual necessário para começar uma mudança, tomar uma decisão, expressar raiva, aliviar uma grande dor ou uma dor que no final do choro nem era tão grande assim.

É preciso aprender a chorar. Muitas vezes somos ensinados a esconder nosso choro para não sermos incomodados (ou não incomodarmos), para não perdermos o emprego, para sermos fortes ao invés de parecermos fracassados, para guardar as questões pessoais, para que outras pessoas não nos vejam chorando e possam se aproveitar disso, para mantermos minimamente o controle.

Mas, à medida que as lágrimas caem, reconhecemos que estamos de fato numa situação, geralmente temporária, e que como quase tudo na vida existe uma saída. Chorar ajuda a termos dimensão da situação, é um momento de reflexão e tristeza liberada por lágrimas que, posteriormente, além de contribuírem para algum aprendizado, nos recordarão que somos fortes, empenhados e que, acima de tudo, somos humanos.

 


13 jan 2016
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Caixa de memórias

Hoje abri a caixa de memórias. Todos os anos – ou no máximo a cada dois anos – abro a caixa e vejo se gostaria de continuar guardando o que está lá dentro. O primeiro item que me deparei foi um cartão de um amigo que já morreu. Ele havia me dado de aniversário, junto a um mimo que ainda guardo. Além disso, tenho o único soldado médico que sobrou do jogo da infância, cartões postais, boletins do colégio primário, muitos cartões, embalagens/guardanapos de locais que visitei e marca-páginas com recadinhos.

Com o passar dos anos, o que antes já foi uma grande caixa de memórias se tornou uma caixa pequena, do tamanho de uma caixa de sapato. Fui me desfazendo da maioria das recordações, ao perceber que foram importantes na minha vida e que estarão na mais importante caixa de memórias: a minha cabeça. Se antes eu guardava lembranças de viagens, hoje apenas as fotos ou algo bem específico. O vento no cabelo, o café na padaria, a caminhada na areia ao amanhecer, o amor inesquecível de férias, as pessoas que conheci nos passeios, as obras de arte que apreciei. Tudo, nos mínimos detalhes, guardados na cuca.

Ainda guardo poucas coisas, dentre as quais os cartões de natal e de aniversário chamam mais minha atenção. Em alguns tenho a sensação que as pessoas que fazem esse trabalho realmente desenvolvem os sentimentos ali expressados – como Tom, no filme 500 dias com ela. Cartões escritos com muito esmero, cujas mensagens são tão cuidadosamente pensadas que tocam o coração de qualquer pessoa. Mas o mais bonito, dos cartões e das outras lembranças, não é o que elas são, e sim a capacidade de nos transportarem a um tempo único, envolvente, cheio de significados sobre amor, amizade, carinho e felicidade.


15 dez 2015
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Carta de fim de ano

Todo ano é um ano de experiências, alegrias, tristezas, coisas que queremos esquecer, mas, acima de tudo, momentos que contribuem para moldar, construir – e até evidenciar – quem realmente somos. Isso que a humanidade inventou de contar o tempo tem lá suas vantagens, para mim a maior delas é o recomeço. É como se o relógio iniciasse, como se a cabeça, o mundo e o tempo rodasse de novo, como o Roda-Roda do Silvio Santos.

E neste quase ano velho aceitei comemorar pequenas vitórias, cada etapa de um processo, embora não conquistasse o prêmio final. Aprendi que nadar contra a corrente é difícil, mas muitas vezes necessário. Aceitei que é preciso abandonar projetos ou deixá-los em uma estante, por tempo indeterminado, para poupar tempo e organizar as ideias.

Percebi – mais de uma vez – como as pessoas só enxergam o que realmente querem, e desejei continuar indo na direção oposta. Percebi que há muita gente egoísta, nos mínimos detalhes. A desonestidade e a corrupção também ocupam um espaço grande no cotidiano.

Aprendi que posso viver a vida como desejar, sem pesos ou cobranças, nem da minha parte, nem de outras pessoas. Viver em paz consigo mesmo é a melhor maneira. Aceitei que é preciso, mais de uma vez, deixar algumas pessoas importantes de lado para podermos afagar a nosso próprio ego, refletir nossos dilemas. E que é possível fazer isso sem machucar ninguém.

Percebi que há dias em que é bom chorar sozinha, já outros nem tanto. Aceitei que, às vezes, é necessário dizer sim para um cafuné, um colo. E que isso não significa que você não deu conta de algo ou é fraco, mas apenas que é bom ter alguém em quem confiar.

Aprendi, mais uma vez, que é preciso se isolar às vezes, quando se tem um objetivo, mesmo que isso possa ser extremamente difícil. Assim evitam-se arrependimentos futuros de que poderia ter se dedicado mais ou feito diferente. Porque a pior culpa, sem dúvida, é a que colocamos sobre nós mesmos.

Percebi que nunca será fácil lidar com a morte de alguém querido, que não há maneiras de se preparar para isso ou lidar com a perda. Acreditar que há mais coisas entre o céu e a terra que não conhecemos ajuda a passar por isso, assim como se lembrar dos momentos bons que passamos juntos.

Percebi – até mesmo por observação – que sempre há tempo para perdoar e que às vezes é preciso deixar o passado e o orgulho de lado. Não importa quão feio foi a briga se vale a pena ter alguém importante novamente com você.

Aprendi que por mais difícil que seja é preciso superar seus medos sozinha. Um dia você pode entrar em pânico e correr para um lugar seguro, mas para vencer a luta você precisa ficar e encarar o medo. Só assim se libertará do problema. Aprendi que a nossa maior luta é com a gente mesmo. Alguns dias são mais difíceis do que outros, não sei se um dia isso vai mudar, mas a cada batalha acredito que me fortaleço.

Aprendi que família, por mais que tenham suas diferenças, significa poder. Porque não há amor mais forte que une pessoas e supera desafios juntos. Aprendi que não importa a idade, volta e meia a gente quer colo de mãe. Aproveite se você tem isso por perto.

Aprendi que não há como se preparar para as quedas, às vezes o tatame não tem proteção. Mas, mesmo assim, de uma maneira ou de outra a vida continua. Basta olhar o céu: sempre há um dia após o outro. A vida sempre continua.


12 nov 2015
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Amizade e gratidão

Recentemente um grande amigo partiu pra outro mundo e, inevitavelmente, pensei sobre amizade. Ele não era alguém que eu via todos os dias ou finais de semana, mas quando nos encontrávamos parecia que havíamos nos visto no instante anterior. Tinha épocas em que conversávamos bastante, sobre qualquer coisa, mas em outras não. E isso nunca foi um problema para nós. Amizade, pra mim, também é silêncio.

No velório desse amigo, encontrei outros tantos. Alguns não via já há um tempo, outros encontrei no último mês. Mas isso não importava. Percebi que embora não mantivesse uma rotina diária com todos eles fazíamos parte de uma mesma família que se gosta e se apoia sempre. Percebi que embora não fossemos, algumas vezes, tão próximos, cada conquista deles me alegraria, cada projeto, assim como cada dificuldade ou dor despertaria meu apoio e requereria meus esforços em prol da felicidade de todos eles, sem distinção. Me alegro com suas realizações e vitórias, me entristeço com suas angústias. Amizade também é isso.

Claro, é bom estar com amigos sempre que possível, mas não é isso que define uma amizade. Vejo que nem todos compreendem isso ou veem dessa maneira. Para mim, a base de uma amizade é cumplicidade, silêncio, respeito, paixão, diálogo, sinceridade, dentre outros fatores que independem da presença física, mas que não se configuram, jamais, em atitudes egoístas ou que possam ferir os outros. Por amizade, às vezes, nós também relevamos ofensas e atitudes, embora eu quase não precise fazer isso com nenhum dos meus amigos.

Não quero dizer que encontrar amigos não seja essencial, pelo contrário. Apenas que isso é um complemento de algo maior. Fosse assim não manteríamos contato com pessoas que precisaram partir ou ficar, neste e em outros países. Sim, tenho grande amigos que não vejo há um bom tempo, mas sempre estão comigo. Sim, tenho amigos ‘anti’ redes sociais. Não preciso saber detalhes da rotina para dividirmos um sentimento ou para que eles possam me mandar email para perguntar algo, sem reservas.

Eu tenho uma frequência afetiva peculiar, nem todos os amigos entendem isso, já outros compreendem sem esforço. Quase sempre relevo os que não compreendem, mas dizem que acostumaram com ‘isso’. Meu sentimento por eles permanece, embora em alguns casos a amizade nem sempre seja a mesma de outrora. Não importa, gosto deles como são, com suas manias, erros, acertos. E apoio eles no que decidem, embora em algumas vezes não concorde com as escolhas. E sei que são assim comigo também. Amizade é apoio e cumplicidade, amizade não é cobrança.

Amizade é um grande presente deste mundo. Sou grata por todos com quem pude desfrutar esse sentimento, seja por bons momentos, seja por relações fortes, únicas, duradouras – por razões, muitas vezes, sem explicação racional ou aparente. Aos meus amigos, de hoje e do futuro, obrigada. O que tenho para compartilhar por tudo que vivemos e que ainda viveremos é gratidão.


09 nov 2015
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Amigo imaginário

Tive um grande amigo imaginário, mas não me lembro de como o chamava. Algo me diz que não dei a ele um nome propriamente dito, embora ele aparecesse todas as tardes como companhia. A gente andava de bicicleta, imaginava subidas e descidas na rota, brincava de amarelinha e de trânsito. Nas outras brincadeiras ele não participava, possivelmente porque eu não queria que ele participasse. Depois de uma longa pedalada, sempre nós despedíamos. Eu levava ele até o portão e dizia “até amanhã”.

Não sei como ele era, fisicamente falando, mas eu prefiro os meninos de cabelos castanhos escuros, então é possível que ele fosse assim também. Para mim a gente não brincava de pedalar rotas e caminhos, pelo contrário, a gente pedalava de verdade, mesmo sem sair do quintal da minha casa. Era como um trajeto longo que tínhamos que percorrer. Isso ocupava, no mínimo, um quarto da minha tarde de brincadeiras.

Meu amigo imaginário não demorou muito na minha vida, mas eu gostava muito dele. Um dia eu disse boa sorte, qualquer dia a gente se vê, e deixei ele ir embora. Acho que aí eu percebi que há muito tempo eu já tinha aprendido a ser sozinha e me sentia bem comigo mesma. A partida dele não foi dolorosa, pelo contrário, fiquei feliz pelo tempo que andamos de bicicleta.

Eu sabia que esse amigo era imaginário, sempre soube. Ele não ia a festas, não almoçava comigo, tão pouco me acompanhava mas tardes na casa dos meus avós. Não era nada além de uma distração, embora eu o tivesse feito muito simpático e educado. Vendo com os olhos de hoje, Nossas corridas pareciam um desafio, ainda mais nesse momento da minha vida que estou sedentária. Vai ver ele fez toda a rota de Bike que estava prevista e quando ficamos quites não precisava mais pedalar comigo. Meu amigo imaginário, que era imaginário mesmo, nasceu e se criou a partir da minha imaginação. Mais uma do canteiro fértil da minha cabeça.


01 nov 2015
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Nos tempos da Itubaína

Nos tempos da Itubaína quase todos os meninos que eu conhecia queriam ser jogador de futebol. Nada daquilo de ficar famoso, ser rico, não. Era pra ser craque que nem o Pelé, de engraxate a melhor do mundo. Gol de bicicleta, ao vivo, no estádio, só podia ser um sonho alto. Enquanto isso os garotos faziam bola de meia, campinho na terra, usavam estilingue para derrubar frutas, jogavam bila e pião.

Já as meninas não pensavam muito sobre o que queriam ser. Pensavam em quais histórias iam inventar pra brincarem depois da aula. Eram meninas-moleques, brincavam de boneca quando estavam sozinhas, mas gostavam muito mais de esconde-esconde, baleado, queimada, pega-ladrão, pique-gelo, elástico, adivinhação. Pintavam as unhas com os esmaltes das mães, brincavam tanto de desfiles de moda com roupas de adulto quanto de corrida no quarteirão valendo um privilégio pro vencedor.

Nos tempos que a Itubaína reinavam não tinha isso de controlar o tempo. A gente olhava para o céu de repente e já tinha acabado a aula, era hora do almoço. Mais um pouco, depois das tarefas no início da tarde, a brincadeira era garantida. Sem contar as exceções, como um médico ou um curandeiro, todos os dias eram dias sem tédio. Demorava a escurecer, cansaço não existia, fosse dia de sol ou de chuva. Energia não faltava para as brincadeiras ou para a imaginação. Nesses tempos só tinha uma coisa mais gostosa e saborosa que Itubaína: a infância.


22 set 2015
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Desejo de aniversário

Para meus aniversários, em qualquer idade, desejo sorrisos bobos, abraços sinceros, borboletas no estômago. Um pouco de chocolate, talvez. Mas não tanto que eu não gosto de muito açúcar, porque tudo que é demais sobra. Um chá morno pra esquentar, um banho de chuva para resfriar. Um paladar mais apurado, um olfato mais denso e um ouvido mais sensível.

Para este aniversário e para os próximos espero que eu tenha sempre algo a aprender, caso contrário não estarei vivendo – ou não valerá mais a pena viver. Que eu possa ter muitos sorrisos das alegrias e das tristeza também. Que as pessoas que não me acrescentam nada ou que não compartilham os mesmos princípios e valores que eu possam se afastar de mim e que, ao invés disso, eu encontre mais adultos com alma de criança e sabedoria de idosos no meu caminho.

Que o senhor dos bombons tenha bombons de coco pra mim, que meus amigos tenham sempre tempo para aproveitarem comigo, que eu tenha sempre disposição para o novo. Para meus aniversários desejo abraços, sorrisos, beijos na boca, suspiro profundo, tempo livre, vida bem aproveitada, mais desejos – porque, afinal, o desejo é o início de tudo. Desejo, acima de tudo, viver sem vergonha. De um jeito inteiro, intenso, Kalyne de como a vida deve ser – e é.


20 jul 2015
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O que deu certo

Não é porque acabou que não tenha dado certo. Essa foi uma das frases marcantes que ouvi, ainda na adolescência. Não é porque um romance chegou ao fim que ele não tenha sido feliz ou não tenha dado certo. As pessoas ainda cultivam a ideia de que só da certo um relacionamento quando ele se concretiza na vida a dois. Não. Acredito que uma relação dura o que tem que durar, com os acertos, os momentos bons sobressaindo aos tropeços da rotina.

Deu certo, apesar de ter seu fim, justamente porque soube se chegar ao final, com franqueza, diálogo, respeito. Se o sentimento mudou ele pode, inclusive, se manter de outra maneira: admiração, afeto e ate amizade. Insistir em um romance que não vai para frente é colocar em risco as boas lembranças daquele relacionamento. Quando a gente insiste, até o que era bom se acaba.

Me relacionei com pessoas que seguiram diferentes caminhos, alguns muito diferentes dos meus. Mas cultivo por alguns um grande afeto, o desejo de que continuem sendo felizes e tenham seus sonhos realizados, apoio para enfrentar os leões que aparecem por aí. Fico com as boas lembranças, ate aquela que deram à relação um fim determinado. E, sim, um final feliz. Até mesmo porque libera, integralmente, o outro para viver novas relações, novas experiências, novos amores. Talvez isso se chame carinho e consideração, pelo que foi esse tempo juntos, pelo que é aquela pessoas na sua vida e pela boa companhia. Acho que é isso que tem faltado nas relações, carinho, afeto e consideração.

Porque um caminho construído no diálogo é mais sólido. Por mais que seja difícil, mais cedo ou mais tarde, nós lembraremos dos sorrisos, das mancadas, das pequenas coisas que nos tiravam da monotonia de um dia inteiro – apesar dos pesares. Quando o que sobra é uma lembrança ruim vejo que, em uma das vias, faltou sinceridade e diálogo. Acho que nem merecia ser chamado de lembrança.

Algumas surpresas aparecem, não porque colocamos expectativa de ser diferente ou porque criamos um mundo de fantasia. Mas porque pudemos ser sinceros e naturais, livres, descontraídos e leves mas nossas atitudes e franquezas que, ao final da relação, foram, de certa maneira, ignoradas. Caminhamos com diálogo e respeito, e somos barrados pela covardia em conversar sobre o que se pensa ou se sente. Ou pela incapacidade de uma atitude que revele, no fim, que muita coisa importou naquele relacionamento, o que quer que seja. Quando há sentimento, mesmo mudado, há consideração, carinho, querer bem.

Lembrei do Saia Justa de verão (por sinal adoro), onde o Leo Jaime afirmou em um dos programas que muitos fogem, que fugir é corriqueiro, um caminho talvez mais fácil, inicialmente, mas com seu peso. E Leo Jaime termina falando que dificilmente aceitaremos “um romance terminar sem olhos nos olhos a dizer “eu não te quero mais”. É como ir ao velório para começar o luto. É também a oportunidade de dizer umas coisinhas enquanto elas ainda importam. O adeus é um rito, é uma data, é um fato. Sumir é covardia”.  Ponto final.

(Texto escrito em 2014)