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04 dez 2018
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Meu batom vermelho

Minha boca é vermelho sangue, seja de dia ou de noite. Não acho que tenha ocasião especial para usar batom vermelho, toda hora é hora. Seja no trabalho, na festa, na igreja, num passeio no parque. Vermelho está entre minhas cores prediletas, desde sempre e para sempre. Mas se antes eu pintava só as minhas unhas em vários tons de vermelho, hoje eu uso batons que vão do vermelho sangue até o vermelho escuro.

Sim, as pessoas olham. Especialmente se uso de dia, parece que a gente usa uma cor “ousada” ela tende a definir sua personalidade ou sua conduta. É como se o vermelho agredisse, de alguma forma. A mulher recatada usa nude e rosa-claro, as “pra frente” usam vermelhos, roxos, rosa-choques e até preto. Já ouvi frase assim, muitas das quais nem são ditas: apenas o olhar de recriminação revela tudo.

Eu posso afirmar que, sem dúvida, eu sou ousada mesmo e muito “pra frente”, embora eu não ache que nenhuma cor tem, de fato, essa característica. Meus sonhos são os mais possíveis dentro do que muitas pessoas poderiam considerar impossíveis. Minhas ideias de vida e de mundo são as mais libertárias, especialmente nas que tocam no livre-arbítrio de cada um (em kalynês: cuide da sua vida e deixe a dos outros em paz).

Meus ideais de mundo podem ser utópicos para alguns, e pessimistas para outros, mas é sonhar com um mundo melhor que faz a gente levantar da cama todos os dias. Vermelho é vida, é calor, é alma. Vermelho é o que eu desejo todos os dias para as pessoas que amo, porque é calor, é amor, é energia. É vibrante, é intenso, é profundo e não passa despercebido: ele marca a gente como uma tatuagem. E você, já usou seu vermelho hoje?

 

Foto: Stephani Echalar


11 jul 2018
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#41 Quem nunca teve um amor de férias?

Quem nunca teve um amor de férias que “atire a primeira pedra”. Na adolescência, geralmente acontece quando fazemos amizade numa viagem: com o primo da amiga, com a amiga da prima, com a amiga da amiga e por aí vai. Pode ser na praia, na piscina do clube, no condomínio, nas conversas na calçada, fim de tarde. E em muitos casos, em umas férias quaisquer, pode acontecer um momento mágico e marcante entre duas pessoas chamado “primeira vez”. Quando adultos também temos amores de férias, embora de uma maneira mais livre por conta da independência que a maioridade nos permite. Podemos encontrar na praia, num barzinho, na caminhada matinal ou na balada noturna – e porque não no aeroporto?

Fazemos de tudo para esticar as férias, dada a paixonite. Infelizmente, não há como fugir do adeus: abraços, beijos infinitos, chororô e promessas de reencontro (mesmo que silenciosas). Na maioria dos casos, no começo, mantém-se contato. Há pouco mais de dez anos isso poderia ser considerado uma prova de amor, considerando a caristia dos serviços de telefonia e internet. Hoje a tecnologia tem um papel essencial nessa fase. O WhatsApp e as redes sociais se tornam mais que aliados dos amantes.

O tempo passa. Passa. Passa. Tem casal que se reencontra, já conheci gente que atravessou fronteira para encontrar um amor de férias. Pode ser que esse amor vire um namoro sério, uma amizade, um casamento ou outra relação qualquer. A gente sempre está de peito aberto para um amor verdadeiro, independente de onde ele nasça. E também pode ser que esse amor de férias se torne apenas uma lembrança bonita e única de como é prazeroso fazer novas descobertas, amar e ser amada, especialmente sem a menor pretensão de que a felicidade esteja atrelada a alguém que não a nós mesmos – liberdade e plenitude, eu diria.


10 abr 2018
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#40 Carta de uma mulher

Ela se achava uma mulher melhor que as outras. Porque sua luta era melhor e mais legítima. Quem é você pra falar alguma coisa? Qual seu lugar de fala? – dizia. Tudo isso, para mim, era uma bobagem sendo repetida de boca cheia para muitas outras mulheres que, ao invés de serem tidas como pares, eram apenas vistas como um corpo com buceta. Isso que é invisibilidade, ser silenciada porque de cara deveria te levar em consideração.

Por que isso? Só por me se sentir livre para fazer o que quisesse? Era por isso mesmo tenho meus sonhos. Quero ser mãe, mas não agora. Quero sim ter minha casa, decorada, estilo urbano com arte sacra. Tenho minhas crenças, religião – nem sempre tão explícita -, nem por isso não acredito também na ciência. Não gosto de discutir política, nem por isso não tenho ideologias. Quero ser romântica ao extremo, com flores pela casa e jantares com o companheiro, nem por isso vivo num mundo de ilusão.

Odeio menstruar e tomar anticoncepcional, nem por isso acho que é uma agressão ao corpo: é uma escolha própria para seu bem-estar. Qual o problema? Eu pago minhas contas e essas escolhas não me tornam menos mulher. Isso não torna minha dor menor. Se você quer menstruar e seguir a tabelinha, escolha sua. Me deixe com meu remédio regulado para cólicas. Cada um tem seu jeito de não engravidar. Não, não quero ter filhos. Mas minha irmã quer e seu sonho é poder cuidar deles por um tempo. Isso é ser submissa, machista, careta? Poxa, onde enfiaram a minha escolha?

Hipocrisia. Hipocrisia não é ser silenciada por tantos homens, mas também por tantas mulheres que gostaríamos de ter ao nosso lado. Onde fico eu, afinal? Nesse imenso buraco vazio sendo soterrada por todos os lados e pés. Hipocrisia é ter ao seu lado uma pessoa doente e mal resolvida falando mal de você porque se incomoda com seu jeito de ser e estar no mundo. Hipocrisia é alguém que mente para si mesma, todos os dias, te agredindo e delirando em conceitos e julgamentos contra você sem antes olhar pra si mesma e perceber atitudes que não são bonitas de se ver em alguém que se isenta da responsabilidade. Culpadas são as outras, cuja luta e lugar é sempre inferior – retrocesso, preconceito, involução.

Sejamos responsáveis. Sejamos companheiras. Que pratiquemos mais a sororidade entre nós. Que nos apoiemos. Hoje você apanha do marido, amanhã sou menosprezada em um cargo de visibilidade. Hoje é você quem aponta o dedo para mim e minhas escolhas, mas ainda hoje sou eu quem pode estender a mão para te ajudar a sair daquela barra. Hoje sou eu quem sofro violência sexual, amanhã posso te dizer como podemos ser resilientes e superar isso. Hoje vencemos aquela corrida na avenida principal. Amanhã perdemos no jogo da loteria. Hoje eu vou no pronto-socorro com meu filho doente, hoje você toma sorvete com seus sobrinhos. Hoje é você que vibra por uma vitória, amanhã eu choro por uma derrota – e levanto de novo. E vice-versa. E versa-vice. Mulheres, com seus corpos, jeitos, ideias, presença. Mulheres nós somos. Mulher, eu sou – com muito orgulho.

 

Carta de uma mulher, em 2018.

 

 


22 fev 2018
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#20 Noites em claro-escuro

Sono foi embora há um tempo e não voltou. A insônia diz tudo. Diz nada: pressente. A hora da inquietude, as respostas por vir, o calafrio na pele fina. A insônia é aquele respingo, da chuva de mais cedo, é a aurora não nascida.

E nos morros mais distantes, nos ventos mais longínquos, na sombra da porta da casa velha refletindo num final de tarde, a insônia pode ser a resposta para pergunta que será feita para encaixar em alguma resposta. Naquilo que, ainda agora e também outrora, sempre está por vir.

Um carro passa na rua. Uma moto. Risadas. Som alto. E os pensamentos e lembranças indesejáveis passeiam nas ruas semi-escuras, entre as árvores caladas que só esperam o amanhecer. Sempre existe uma lasca cristalizada de pedra para incomodar, continuamente. Porque algumas coisas, vai tempo e vem tempo, não desaparecem totalmente a sete palmos do chão. A insônia, ah essa danada… Me deixa dormir, vai!

 

Foto: Bruno Destéfano.

 


13 out 2017
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#39 Resistência

De onde venho certas palavras carregam um significado além das letras e registros. Resistência é uma delas. Para além das lutas cotidianas, aquelas em que “resistência” é facilmente encaixada no contexto e nas frases, há momentos específicos em que o sentimento, a razão da nossa resistência é muito mais uma sutileza.

É quando você sabe que, em certas ocasiões, não é o grito mais alto e sim o silêncio mais solitário que permite que seu nome entre numa lista importante e esperada. É quando você luta contra o aumento de centavos do ônibus ou do almoço universitário para permanecer focado em um sonho profissional. É quando você simplesmente é resiliente e resistente porque tem esperança de ver adiante um futuro bem além deste aqui.

Não é fácil entender isso, quem dirá compreender. Mas sempre há olhos e ouvidos que entenderão. Ser resistente não é aguentar desaforo, é ser rio, talvez árvore. Tão pouco, ser individual. Um movimento único afeta um todo, logo sejamos como peixes que nadam seu fluxo ou contra ele, mas enxergando um objetivo maior.

As pequenas coisas, essas passarão. Nos atentemos ao que realmente importa: a humanidade. Um todo que não se resume a ações de caridade ou relacionamentos cotidianos por carência, conveniência ou hipocrisia. O resto passa.  Tudo passa mesmo, quem dirá a superficialidade desse um mundo de três minutos de fama e dois de decadência.

 

Texto escrito em 2017.

Foto: Bruno Destéfano.


05 jul 2017
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#38 A vida enlatada

Emprensa aqui, aperta de lá. A vida segue em pequeninos espaços, sem respirar, sem ter onde escorrer. A vida enlatada, vendida como uma Coca-Cola gelada e transcendente de açúcar e desejo em uma tarde de sol quente, no Rio de Janeiro.  A vida que a gente não quis, mas acabou aceitando. Um pacto pela comodidade, pelo sofá quente, pelo espaço ao lado e na cama.

Mas onde ficam os cheiros e gostos dessa vida? Na lata, só há conservantes e quase nenhum potencial nutritivo. Onde foram parar os temperos, o alho percorrendo os quartos da casa, a manteiga derretendo quente na frigideira? Onde deixamos aquela paixão que, todos os dias, renasce e nos faz relembrar que o amor, na verdade, é uma sucessão de paixões – e de toques, e de beijos suados, e de corpos molhados e de palavras, ora doces, ora duras, mas sempre fiéis?

A vida enlatada, emprensada, abarrotada para caber num espaço que não é o que desejou. Numa sociedade que julga aparências e que jura falsas verdades. A vida segue, sem vento, sem leveza, sem domínio próprio, apenas via de regra para seguir com outras vidas enlatadas, sem sorrisos ou espaços para escorrer pelo ralo e dizer: “sim, que venha o novo!”

 

 

Texto escrito em 2017.

Foto: Bruno Destéfano.


23 abr 2017
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#33 Cansei de ser honesta

Cansei de ser honesta e respeitar os sinais de trânsito, enquanto tantos outros aceleram no amarelo e até no vermelho, empurram a gente em qualquer faixa, proferem xingamentos, especialmente às mulheres, passam por cima dos pedestres e boa parte das vezes não são punidos, sequer com uma multa. Cansei de ser honesta e pagar minhas contas em dia, inclusive a TV por assinatura, que teve um “gato” feito pelo meu vizinho que ainda fala mal do governo e da corrupção. Tive o maior trabalho com a operadora para identificar o problema e corrigir.

Cansei de ser honesta e gentil, pagando mais ou menos um preço que considero digno e que cabe no meu bolso para minha diarista. Vejo tanta gente explorando absurdamente essas pessoas, às vezes até pagam o mesmo que eu, mas faltam negar às funcionárias a água de beber. São humilhadas a esfregar janelas e batentes até a ponta, sem a menor necessidade, mas não podem comer uma banana sequer. Usam 1.001 produtos tóxicos de limpeza pra esfregar e deixar brilhando o ego dos patrões egoístas.

Cansei de ser honesta e trabalhar todos os dias, inclusive após o expediente e em finais de semana, nada remunerados, muitas vezes por um senso de necessidade e de responsabilidade. Tanta gente que fala em ética, caráter, honestidade, corrupção vive de atestados médicos para matar expediente – e isso ganhando salários muito altos. Além disso, acumula cargo, ocupa computador do serviço público para ver blogs de games enquanto os processos e demandas se acumulam. Humilham os demais colegas de trabalho e subordinados, não tem noção de liderança, são seres cuja ganância os limitou a serem apenas mesquinhos. Querem um governo e um emprego que, na verdade, só aumentem o salário pessoal de cada um. E o resto que se dane.

Cansei de ser honesta e estacionar nas vagas para todos. Tanto “marombeiro” jovem que estaciona nas vagas de idosos e de deficientes físicos que eu sinceramente não compreendo como não se sentem mal. São a geração “eu mesmo, agora e sempre”. O mundo nasceu do meu umbigo e é a partir dele que se movimenta. Meu carro, minhas viagens, meu bem-estar, minhas conquistas, meu tênis da Nike, meu carro importado, aquele show do ano naquele festival famoso. O resto não interessa.

Sinceramente, cansei de ser honesta. Porque não era para ser difícil, pesado, para dar trabalho. Mas confesso que vendo um pouco disso e de tantos outros maus exemplos no dia a dia me sinto nadando contra a maré. A gente começa a se perguntar quando é que o mundo virou… Será que virou ou eu que sempre vi errado? Será que ainda tem jeito de mudar?

 

 

Texto escrito em 2016.


02 jan 2017
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#37 Sobre o tempo

Sempre cresci ouvindo que tempo é dinheiro, depois me dei conta que tempo é ouro fino. Porque ele não volta, só anda pra frente e, por vezes, escorre entre os dedos. Tempo é precioso, mas ao contrário do ditado popular ele se torna importante porque diz o quanto algo ou alguém importa para nós.

A gente pode correr atrás do tempo, mas ele não volta. O que fica é o que plantamos com ele, porque isso é o que vamos colher. O tempo que passamos conversando com um amigo, conhecendo pessoas que realmente nos acrescentam algo a mais, estudando para adquirir conhecimento e tentarmos nos tornar um pouco mais sábios e evoluídos.

Cada vez que inspiramos e expiramos ar o tempo passa e, com ele, revoluções acontecem. Sejam a nível individual ou de mundo. O tempo, amigos, é o que temos de mais valor. Quem compartilha tempo conosco merece cuidado especial.

 

 

Texto escrito em 2017.

Foto: Bruno Destéfano.


18 out 2016
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#32 O leão nosso de cada dia

Não importa o dia da semana, todo dia é um recomeço. Novos desafios no trabalho, na vida pessoal, nos próprios afazeres domésticos (ô partezinha chata!0, nos relacionamentos, nas nossas lutas internas. É aquele ditado: praticamente matamos “um leão por dia”. Mas matar é um verbo tão forte, tão agressivo e eu diria que até injusto, não acha?

Talvez esse “leão” diário precise mesmo é de um cuidado, um jeitinho, um elogio que possa nos fazer perceber, inclusive, que o leão desafiador que tanto nos assusta pode não ser tão grande assim. Outras vezes, diversos desafios são sim difíceis, precisam de persistência, garra, ânimo e um empurrãozinho de outras pessoas e amigos para vencê-los.

Por vezes, não é preciso matar esse tal leão, mas apenas afagá-lo. Nos estressamos sempre por questões tão pequenas que podem ser resolvidas com atitudes muito simples. Um bate-papo, um café, uma roda de conversa com esse leão e, daqui a pouco, ao invés de estrangulá-lo como no começo da semana, terminaremos a sexta-feira convidando-o para o happy hour. Afinal, todos nós sabemos que os leões vivem, na verdade, dentro da gente.

 

Texto escrito em 2016.


18 out 2016
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#31 Amor em tempos de ódio

Eu sempre soube que amar não era algo fácil, mas com o tempo descobri que difícil mesmo é amar quando o ódio está à flor da pele. Nunca fui de briga, na minha família só assistir a uma briga era razão para também levarmos uma surra. Com o tempo entendi que isso era uma forma de proteção encontrada por meus pais, evitando que as agressões sobrassem para meus irmãos e eu.

Mas, como todo ser humano, já desejei mentalmente bater feio em alguém. Já ensaiei para mim mesma discursos elaborados em resposta a situações desagradáveis. E quer saber? Nunca disse nenhuma. E a única vez que disse algo impensado, em um momento de sensibilidade e de fúria, me arrependi profundamente – por mim e pela atendente quase desumana de uma instituição pública a quem proferi as palavras. Horrível de se lembrar.

Nada melhor que ser gentil e amar. Há uma violência gratuita por todos os lados, por razões sem razão. Porque para violência nunca haverá justificativa. Desconta-se o ódio no atendente da loja que descontou em nós um dia ruim de trabalho. Aponta-se o revólver para o motorista de ônibus porque o coletivo demorou demais para passar. em paciência, ultrapassagem violenta e desrespeitosa por causa de dois segundos na frente da pista. Ataca-se por usar vermelho, por ser mulher, por ser negro, por pensar diferente. Famílias se agredido sem razão, ou por razões que valeriam a pena serem ignoradas por um sentimento maior de união.

Demonstrar raiva e insatisfação é para os fracos. Eu imagino que, de certa maneira, seja fácil e até prazeroso bater em alguém, destruir um bem público, espancar um manifestante, pisotear a torcida de futebol, amassar o carro da frente repetidas vezes, por “prazer”. É a válvula de escape por onde a vida escapa. O preço que se paga é um ódio sem fim, amargo, desonesto e mesquinho.

Esses dias uma amiga me disse com certa admiração que eu perdoava muito fácil as pessoas e que tinha até memória curta. Segundo ela, parecia que entre mim e as pessoas que, de certa maneira tiveram desavenças comigo ou cometeram injustiças não havia acontecido nada. E eu respondi: mas para quê guardar rancor? O que passou passado é. Tão bom seguir em frente, em paz e com uma possibilidade de recomeço com as pessoas que podem até ter nos ferido, mas que em algum sentido, mesmo que mínimo, ainda podem valer a pena.

A vida é tão curta, precisamos no mínimo estar dispostos a cultivar os bons sentimentos que a humanidade pode ter. Dê um abraço, seja gentil, diga um “bom dia” verdadeiro. Dê mais amor, por favor. Difícil mesmo é superar as chateações e diferenças, os insultos e humilhações. Mas acredite, vale a pena. Tenho preferido pensar assim. O melhor revide é o amor.

 

Texto escrito em 2016.

Foto: Bruno Destéfano.