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13 mar 2015
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#19 Elixir para a alma

– Bonjour, monsieur! Un café s’il vous plaît.

E assim começa o dia de muita gente: com um delicioso café. Quem inventou o café merecia o mais alto prêmio existente na humanidade, um beijo na testa e uma eterna gratidão. Sim, aos que não gostam de café explico: café é alma. Já foi usado para aquecer corações, aliviar choro, fazer as pazes, jogar conversa dentro.

O café é uma combinação de magia, alquimia e tato. É praticamente um elixir para a alma, além de fortalecer o corpo humano – essa carcaça que carece de um combustível extra para dar conta da vida. Misturaram na água quente um pó preto, açúcar a gosto, cheiro forte e sabor inigualável. Fervura intensa, quase queima a mão. Sobe o cheiro, desce o líquido escuro como um fio na boca da garrafa térmica. E o elixir cai na xícara, trazendo aconchego, inquietações, mistérios e outros tantos sentimentos.

Minha mãe é daquelas que ama um gole quente de café, assim como Ângela, Tereza, Thiago, Mayara, Maria, Evaldo, Tiana, Mário, Clara. Vai ver está no sangue latino esse vício por café. Será? Bom, o que sei é que o café por essas bandas é muito amado. Por vezes, encontro alguém que diz não gostar de café, mas é raro. Não tem como não abrir um sorriso com a clássica pergunta: aceita um cafezinho?

 

Texto escrito em 2014.


10 mar 2015
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#28 O que aprendi com meu cachorro

Miró me ensinou que às vezes não somos nós que escolhemos os caminhos, mas somos escolhidos. E foi mais ou menos assim que ele veio parar na minha vida. Miró é um schnauzer de dois anos e meio, com um espírito livre e um cheirinho gostoso. E desde que passamos a conviver diariamente tenho aprendido muito com ele.

Para ele não tem tempo ruim, o importante é estar sempre perto de quem gosta. Seja assistindo TV, dormindo ou esperando eu acordar para lhe dar um biscoito. Sim, haja biscoito! Não tem importância se, às vezes, não descemos para o passeio. Uma brincadeira, um afago, um sorriso também é suficiente. Para Miró nada é pouco, mas sim o necessário para viver, desde que haja muito afeto.

Eu diria que Miró é o cachorro mais sociável de todos que conheço. Ele gosta até de quem não gosta dele ou dos que são cheios de manias. Não importa se é macho ou fêmea, Miró abana o rabo e sorri pra todos, cachorros, gatos, pessoas e qualquer outro ser vivo que respire. Às vezes é preciso ter paciência, pois eu não sou uma pessoa muito sociável todos os dias. Mas Miró tem me ensinado a desenvolver essa habilidade.

Gosta de desvendar os lugares mais inusitados e quando invoca com uma coisa dificilmente conseguimos fazê-lo mudar de ideia. Nem que para isso ele fique imóvel, estirado no chão, posição que me irrita muito. Resta-me rir dele e esperar que mude de ideia. Na pior das hipóteses, pego ele no colo e espero até que ele ande por conta própria de novo, sem pausas no caminho.

E quando estou triste por pouco Miró não me abraça. Ele me olha com aquele olhar profundo como se dissesse “não fique triste, vai passar”. E levanta minha mão com a sua pata, e fica por baixo do meu braço. Miró me olha profundamente nos olhos, só quem tem um Schnauzer conhece bem esse olhar. Lambe meu braço, mão, perna, queixo. Mais um pouco e lamberia minhas lágrimas.

Miró não pede para eu parar de chorar, pelo contrário. Fica ali, silencioso, como se compreendesse que, às vezes, lágrimas saram as dores. Aí ele me abraça, forte, do jeito dele, e me ouve atentamente. E me conforta. Dorme do ladinho da minha cama para se certificar que está tudo bem. E quando me distraio lá está ele, roncando como um cachorro que dorme os sonhos dos anjos. O amor de Miró é o mais puro e sincero. Como ele, tenho aprendido que o tempo com quem se gosta é precioso – e que nada no mundo substitui esses momentos.


26 fev 2015
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#20 Garotas da academia

Nunca fui fiel à malhação. Comecei na adolescência junto com uma prima, que passava férias em Barreiras e queria malhar nesse período. Depois ela foi embora e eu continuei. Fiz um grande amigo, Fernando, que depois perdi o contato. Anos depois o reencontrei, ou melhor, ele me reconheceu no banco da praça. Ele casou, acho que ia ser pai. Nunca mais vi. Uma pena, gostava muito dele.

E aí, depois desse período, nunca fui de muita conversa em academia. Sempre um “oi”, “já terminou?”, “vamos revezar?”. E foi numa aula de spinning que conheci a Karen. Depois conheci a Stella. E Kárita. E Daiane. E não pensei que faria grandes amizades por causa da academia, que depois passou a nem ser uma atividade diária – por vezes desapareceu da minha rotina.

Tinha o programa de comer no peixe assado toda segunda, depois do spinning e do jump. Às vezes pequi ou churrasco aos domingos, depois da malhação. E porque não uma tarde de amigas depois da corridinha de sábado? O bom mesmo era rir e sorria da vida, um gosto gelado de morango na boca, pamonhas de jiló, maquiagens para ir ao consultório ou na balada. Aquele perfume novo entre os mil que eu tenho e a troca de conhecimento sobre café. Sim, Daiane é especialista em grãos de café. Diria que isso já foi motivo de muito primeiro encontro.

E Karen podia fazer um Superbonita do GNT. De moda, beleza, números e da vida ela entende muito bem. Kárita gosta do mundo, mas quem não gosta? Sair, ouvir música, é com ela mesma. Uma voz inconfundível, um sorriso encantador. Stella é presença, determinada, desde os tempos de spinning. Se coloca algo na cabeça ou no coração ninguém tira até o dia que ela decidir ou resolver. E ela resolve.

Somos osso duro de roer. Somos meio Sex and The City. Quando vi o seriado pensei mil coisas. Lembro de um querido amigo que dizia que de vez em quando assistia um episódio do seriado, avulso, para lembrar como era bom. E somos essas amigas, como Carrie, Samantha, Charlotte, Miranda. Não necessariamente iguais, nem iguais às do seriado. Mas muito próximas e que completam uma a outra. Seja pra degustar um peixe assado, sorrir na balada empurrar um carro, para passar perrengue, viver de riquezas, segurar lágrimas ou sorrisos. O que plantamos e colhemos chama-se amor.

Texto escrito em 2014.


03 fev 2015
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#30 O que vai e o que fica

Durante muito tempo acreditei que era mais fácil para quem ficava e mais difícil para quem partia. Porque você ficava com as nossas músicas, nossos amigos e círculos, nossas ruas e rotinas na lembrança. E eu partia só, com tudo isso na memória. Partia com você, mas com todo o resto diferente. Talvez não fosse menos doloroso, mas hoje sei que não era mais doído. Porque enquanto eu me apegava a nós e aos nosso nós, você, mais do que isso, nos via todas as manhãs no trajeto diário, no sorvete da esquina, nos olhares das pessoas próximas.

Eu, que partia, me desligava… Pensava em nós, mas conhecia outras pessoas, lugares diferentes que queria compartilhar com você. E nisso ia levando, tentando suprir a ausência naqueles momentos. Mas você ficava com as calçadas que a gente se sentava no final das tardes para conversar, com as árvores que riscávamos nossos nomes, com os amigos e histórias que dividíamos com eles. O cheiro, os espaços, os gostos. Era muita coisa para que carregasse sozinho.

Hoje eu entendo que não foi fácil partir, deixar tudo pra trás. Mas que o peso de você ter ficado com tudo talvez tenha sido maior. Segui a linha sem olhar pra trás, meio sem jeito e com o peso da escolha. E um dia você juntou nossas coisas num bote e soltou na água de um rio, calmo e lento, contínuo. Num lindo destino. É mais fácil voar deixando tudo para trás do que soltar a corda do bote que está amarrada no pulso.

 


29 jan 2015
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#27 Mundo Novo

Lembro como se fosse hoje meu primeiro dia de aula. Minha mãe me levou na escola, às 7h da manhã. Eu tinha uma lancheira rosa do Aladdin e muitos lápis de cor. Quando entrei na sala do “pré 2” lá estava Miriam, a primeira colega de classe que conheci. Japonesa, sorridente e simpática. Daquele dia em diante fomos grandes amigas até a antiga quarta série.

E eu não tive medo da escola ou de ficar longe dos meus pais uma parte do tempo. Pelo contrário: ansiava conhecer a escola e descobrir o mundo novo. Quando foi me buscar no fim da aula, mamãe perguntou se estava tudo bem, eu só sabia sorrir. Tive aula com tia Lilian, ela contava histórias, desenhava no quadro. A gente brincava com giz de cera, pinturas, colagens e outras coisas que não recordo bem.

E eu não entendia porque tinha tantos meninos e meninas chorando no primeiro dia de aula. Era o dia mais feliz! Quando minha mãe foi me buscar eu achei que tinha passado rápido demais e fiquei triste me despedido dos colegas. Falei pra uma colega – que eu acho que era a Mila – não chorar, que não tinha porque ela ficar triste se a gente ia voltar pra casa e no outro dia brincar com outras pessoas.

E na 2 de Julho fui muito feliz. Os únicos momentos tristes na vida escolar na minha infância foram a hora de ir embora. Uma vez eu estava apresentando uma peça de teatro e minha mãe chegou antes pra me buscar. Chorei desesperadamente achando que ela já ia me levar. “Não filha, pode continuar. Sai mais cedo do trabalho e vou esperar a apresentação”, disse ela morrendo de rir de mim.

E lá joguei baleado, queimada, amarelinha, garrafão, polícia-ladrão, pique-gelo, elástico, o dono da rua. Lá o Rodrigo Santana quebrou os dois braços e as duas pernas e o Vinícius permaneceu magro de ruim. O Perim conseguiu superar a classe nas artimanhas e ficou preso na cadeira com o cordão do próprio short por um bom tempo. E eu consegui fingir minha infância inteira que acreditava em Papai Noel, para não acabar com as fantasias dos amigos. Foi divertido, foi maravilhoso. Lembro bem de todos os colegas. Mas o que mais me marcou, sem dúvida, é que ler, escrever, aprender sobre o mundo e ter amigos verdadeiros são as coisas mais valiosas da vida. Ser criança é um privilégio.

 

Texto escrito em 2014.


22 jan 2015
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#32 Terê-ze-a-zá

Minha vida sempre teve Teresas, a começar da irmã caçula da minha avó. E Teresa soa bonito, eu gostava quando minha avó me chamava de Teresa e depois dizia: “ô, Kalyne, troquei seu nome!”. E gargalhava com gosto da confusão que tinha feito. Eu me sentia Teresa e sabia que a vó fazia isso por saudades da irmã.

Fui uma vez na casa de tia Tereza, bebi água na moringa, comi galinha caipira, fiz arte com argila e senti frio. Luz no lampião, macarrão cozido e aquele cheirinho de fazenda, sabe. As Teresas que conheço são como minha tia: tão simples e tão completas. Aguentam muitas provas, não medem sorrisos e abraços e, algumas, volta e meia são ranzinzas. Mas passa, logo passa.

Outra Tereza, essa com zê, é uma grande amiga minha. Tê é estudiosa, embora uma vez tenha me dito que só estudava porque a mãe sempre a incentivou, que estudar é penoso. Mentira. No fundo ela adora passar as tardes no laboratório, fazer pesquisa sistematicamente. Isso é um pouco das Teresas, sabe? Essa dedicação, honestidade, compromisso. É admirável.

Tereza Cristina, nome forte e de sambista. Um dia ela decidiu, foi lá e fez. Foi assim com a faculdade, foi assim com a corrida, foi assim com as mudanças, foi assim com a rotina, foi assim com os projetos. Tê, apesar do nome doce, curto e sensível, é a decisão em pessoa. Talvez ela ainda não tenha se dado conta, mas um dia descobrirá. E Tê ri demais da vida e para a vida. Às vezes fica triste, mas quem não fica? Gosta de cachorros e de Coca-Cola. Tem sonhos ainda não descobertos, mas que serão realizados. Pede opinião, dá sua sinceridade. E do que mais a gente precisa?

Ah, meu palpite é só um: Teresas, Terezas, Therezas têm coração bom, grande, perspectivas, sonhos, segredos, remelexos, pé solto, mãos firmes, cafés quentes, olhos sorridentes, gargalhadas suaves, cabelos livres e pés no chão. Mas os dedos, ah, esses tocam o céu. E lá se vão, sem fim, em busca do que lhes dão prazer. Ô Teresa! Terê-ze-a-zá! Agora só falta um samba pro seu nome dançar com mais leveza e você deslizar com mais graça pela vida. É possível?

 

Foto interna: Amana Dultra/Flickr


29 dez 2014
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#22 Caminho de ouro

Ao som do batuque certamente nos encontramos. Certo dia viramos amigos, outro dia grandes amigos. Hoje sei que é de alma. E de caminhos, guias, irmandade, santos de casa, ladrilhos de ouro, tambores de ontem, antes de ontem e de hoje e amanhã.

Rimos, cantamos, sorrimos, abraçamos, gargalhamos, choramos, caminhamos. Protegidos pelo que rege o mundo, a energia vibra ao nosso redor. Esses dias me disseram: gente corajosa igual vocês não é fácil de se encontrar. Que assume, vai na frente sem medo e com sobras de coragem.

Saravá, guerreiro! Saravá, Evaldo! Ele que nasceu no dia do Cristo não é, senão, também um mensageiro de felicidades, certezas e necessidades. E de amor, muito amor, claro. E de rios, cachoeiras, samba, samba, samba. Roda, gira, que gira, que gira. É d’Oxum, é d’Oxum. E de quase todos os santos. E carrega a força que nunca seca, aquela que rege, lá da natureza, lá de longe.

Samba bonito, lindo de se ver. Com aquela leveza e carisma com que devemos admirar a vida. Evaldo samba, gira, roda, se enfeita, cantarola, canta alto, perde a voz, mas grita por um mundo melhor. E acredita nesse mundo, velho mundo de tantas vidas e novas vidas. E as mesmas vidas trilhando mil e um caminhos, além do tempo e espaço.

O caminho de ouro a gente mesmo faz, com a benção das guias, anjos e afins. De frente, de costa. Sinais e símbolos, tambores, oração e muita música. E é bonito de se andar, dançando arrastando o pé e cantando alto com a suavidade dos orixás. Nesse caminho, muito axé, Evaldo. Força, poder, proteção e benção. Não dá pra esquecer: nunca nesse mundo se está sozinho. Obrigada pela graça de me acompanhar, meu doce amigo. Saravá!

 

Texto escrito em 2014.


19 dez 2014
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#22 Sentimentos no vídeo

“O Natal vem vindo, vem vindo o Natal”. Talvez essa frase esteja entre as letras de músicas mais famosas de todos os tempos. Pelo menos para mim. Todo Natal me lembro da famosa propaganda da Coca-Cola, lançada em 1995. Na época eu tinha oito anos de idade e ficava estática em frente a televisão para ver as luzes se acendendo. E ainda fico. Certas propagandas têm sentimentos.

Pode ser nesse momento que tenha ficado mais evidente que a Coca-Cola vende felicidade. De lá pra cá essa campanha ganhou novas versões e eu cheguei a ver a caravana de Natal da Coca-Cola em Goiânia, em um dos natais passados. Outra propaganda famosa é a dos ursos polares fazendo malabarismos para não deixar cair a garrafa de Coca.

Que futebol combina com pipoca e Guaraná eu concordo. Mas Coca-Cola abre a felicidade, os sorrisos de natal e os abraços entre amigos e famílias. Natal é isso, um sentimento generalizado de todos os bons sentimentos que a humanidade – e até os animas, se é que é possível – podem expressar.

E a Coca-Cola conseguiu isso, mesmo que o produto refrigerante esteja entre os mais nocivos para a saúde. Mesmo que a empresa tenha agravado a crise do acesso à água em vilarejos indianos, mesmo que a Coca-Cola gaste “518 litros de água para produzir apenas um litro do suco de laranja Minute Maid e 35 litros para produzir meio litro de Coca-Cola”¹. E já vi isso na tela, em muitos documentários de festivais internacionais de cinema. Só que isso não consegue ultrapassar a tecnologia do vídeo e virar sentimento.

Demorei a gostar do Natal, por questões diversas. Hoje é um momento de estar junto, e por isso só carrega muitos significados. Sempre desejo um mundo melhor, onde haja espaço para a Coca-Cola, mas também para a água. Principalmente para a água, a dignidade humana, a sobrevivência. Ou melhor, a vida em seu sentido mais pleno. Que haja o bom sentimento das propagandas da Coca-Cola, sem dúvida comoventes. Mas que se tenha muito, muito mais do que isso para se viver.

 

Texto escrito em 2014.


10 dez 2014
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#2 Minha máquina de costura

Lendo Máquinas de Coser, do José de Alencar, me veio a lembrança da minha máquina de costura, herança antecipada em muitos anos pela minha avó. As minhas melhores lembranças permeiam a máquina, que fica na cozinha da minha avó até hoje, embora sem o vigor de anos atrás.

Aprendi a costurar na agulha. Alinhavava primeiro, depois ia pra máquina: encaixava o tubo de linha, rodava a “rodinha” da parte direita da máquina, puxava o tecido com a mão esquerda e empurrava com a direita. Tudo isso dando corda na máquina com o pé, assim, como as de fiar. A parte mais interessante era guardá-la no baú de madeira, acoplado à ela. Era como se tirasse um tesouro há muito tempo escondido.

E aí, dizia vó, “comprei essa máquina quando mudei pra cidade. Usava ela pra costurar as fraldas dos meninos e aí, pouco tempo depois, uma vizinha me disse que as fraldas descartáveis eram melhores e passei a usar a costura para outras coisas. Comprei quando sua tia Maísa nasceu, há 50 anos, e quando eu for desta pra melhor vou deixar ela de lembrança pra você”.

E com a máquina vinham outras centenas de prazeres. Eu fazia roupas para as minhas bonecas, inventava livros com retalhos de tecidos, dormia nas colchas de retalhos feitos pela minha avó. São simples, mas com um cheiro e carinho especial. Em volta da máquina ficavam, além de tecidos e objetos de costura, as xícaras de café, bolachas Maisena, as taças de vidro próprias para o doce de leite único que vó Maroca faz.

E foi lá, ao redor da máquina de costura, que a vida foi sendo tecida com simplicidade e carinho. E uma lição aprendi para a vida toda: os nós firmes da ponta no início da costura é que sustentam e mantêm todo o trabalho. Não adianta ponto sem nó.

 

Texto escrito em 2011.

 

 

 


10 dez 2014
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#15 Entre idas e vindas

Mais uma viagem visitando meus pais e lembrei de um texto que escrevi há um tempo, No centro. Não há como não ficar nostálgica, ainda mais quando a maior parte dos meus melhores amigos ainda se encontra por lá, minha cidade natal. O São João se aproximando e eu comendo a canjica do ano na quermesse também contribuíram para essa saudade da casa dos pais.

Entre idas e vindas muita coisa acontece. Quando viajei para a Bahia no carnaval algo inusitado aconteceu. Eu, com minha tradição de viajar na janela sempre do lado oposto ao motorista, fui tirada da minha zona de conforto. Meu irmão comprou minha passagem de ida do mesmo lado do motorista e minha mãe fez o mesmo com a de volta.

Irritadíssima, não pude fazer nada. Já eram quase oito anos viajando no lado de sempre para ver a paisagem e não ser incomodada com os faróis dos carros. Mas, ao longo do caminho, percebi que as luzes não atrapalhavam muito o meu sono e que era até interessante ver que além de mim haviam muitas pessoas na estrada. Caminhoneiros como Sérgio, que talvez estivessem indo para casa ou partindo para uma longa viagem. E todos eles com suas histórias de estradas.

Foi bom ver que existe um outro lado além da caverninha escura. Dessa vez, comprei a mesma poltrona na ida e na volta, preferindo, agora, o mesmo lado do motorista. Ainda estou na idade de mudar de opinião sem que isso seja feio – ainda bem. E, depois desse episódio do carnaval, um amigo falou o óbvio: que o motorista sempre vai proteger o seu lado. E aí não tem como não lembrar do meu tio caçula dizendo que viaja de corredor e no meio do ônibus porque se o ônibus bater de frente, fundo ou em qualquer um dos lados ele está protegido. Isso é que é confiança!

 

Texto escrito em 2013.