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06 jul 2018
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#55 Visionária

Esses dias recebi um abraço muito apertado, como há tempos não recebia. Foi de uma pessoa de um coração enorme, que conheci em um dos locais em que trabalhei. Não somos amigas, mas tenho muita admiração por quem ela é e pelo trabalho que ela desenvolve.

No meio da praça nos vimos, durante um mobilização de trabalhadores. Ela com cabelos cacheados e apetrechos coloridos, me cumprimentou demoradamente. Depois trocamos algumas palavras sobre a vida e sobre os trabalhos no SUS e nos coletivos.

Autêntica, assim é Cida. Seja com seu jeito, suas crenças e lutas, suas roupas, sua atuação social e política. É assim que vejo a mulher forte, sensível e persistente. E fiquei feliz em saber que no mundo existem pessoas assim, que se importam com o outro sem nenhuma pretensão, que pensam (sonham e lutam) em um Brasil melhor, especialmente para aqueles que mais sofrem – física, social ou psicologicamente.

Alguém que se despe de preconceitos e vislumbra um futuro realmente mais democrático e plural, assim como eu. Ainda me taxam de sonhadora, mas o que seria de nós se não houvesse espaço para os sonhos? Muitas das nossas conquistas se devem a pessoas que sonharam e correram atrás de sonhos, projetos, ideais, inclusive quando ninguém acreditava neles. Não paremos de sonhar, jamais.


06 jul 2018
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¿por quá? grupo que dança divulga agenda de junho

Em parceria com Ponto de Cultura Cidade Livre, Centro Cultural Eldorado dos Carajás e Casa Corpo, grupo realiza três intervenções do POR ACASO_tardes de improviso

O ¿por quá? grupo que dança divulga sua agenda de apresentações para o mês de junho. Junto ao grupo musical Vida Seca, se reúne para três edições do POR ACASO_tardes de improviso. A intervenção de dança e música ocorre em parceria com diferentes centros de cultura nos próximos sábados do mês (16, 23 e 30 de junho).

Sempre com entrada gratuita, esta é uma etapa do TRANSporquar, projeto de manutenção do ¿por quá? grupo que dança, que possui fomento do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e segue até setembro de 2018 com atividades que reúnem o grupo a grandes parceiros e envolve também a comunidade em geral.

Centros de Cultura

Com o objetivo de explorar novos centros, conhecer novos públicos e sentir a dança numa realidade ainda desconhecida para o grupo, foram selecionados três Centros que trabalham com cultura para, a partir de apresentações artísticas de POR ACASO_tardes de improviso e Aparecidas, criar fluxos de parceria em ações e produções culturais.

O Ponto de Cultura Cidade Livre fez história em Aparecida de Goiânia ao criar o primeiro teatro da cidade. Local que utiliza a arte como meio de (trans)formações sociais recebe o POR ACASO_tardes de improviso no dia 16 de junho, às 17h.

Em parceria com o Centro Cultural Eldorado dos Carajás, a tarde de improviso do dia 23/06 ocorre na Praça do CIOPS, no Jardim Curitiba, às 19h. Com um importante diferencial, o POR ACASO se aproxima da comunidade ao se juntar à Batalha do Conhecimento, ação comum no movimento do Hip Hop de rimas improvisadas.

Para participar da batalha basta se inscrever na hora do evento. A partir de então os duelos começam com temas escolhidos pelo público presente. “Assim como o POR ACASO_ é formado por improvisos, as rimas da batalha também são. Vamos dançar ao som dos temas e das rimas”, comenta Luciana Celestino, integrante e produtora do ¿por quá? grupo que dança.

No dia 30/06 a última apresentação do POR ACASO_tardes de improviso do mês ocorre em parceria com a Casa Corpo, casa de residência dos grupos Vida Seca e ¿por quá? grupo que dança. Localizada numa rua sem saída no Setor Leste Universitário, a casa já recebeu outras edições da ação e convida para mais um encontro.

Improvisando danças e músicas

O POR ACASO surge em 2012 com o objetivo de ocupar a cidade de forma democrática, unindo dança e música em tardes de improvisos. Idealizado pelo ¿por qua? grupo que dança e o grupo musical Vida Seca, o projeto provoca dançarinos, músicos e desavisados para uma intervenção artística que caminha entre o popular e o contemporâneo. Uma estrutura básica é montada para quem quiser chegar. Para os dançarinos, tatames no chão, e para os músicos, instrumentos para o batuque.

A intervenção artística já passou por cidades da América Latina como Buenos Aires e Uruguai, além de brasileiras como Porto Alegre (RS), Alto Paraíso (GO), Rio de Janeiro (RJ) e Pirenópolis (GO), sempre gratuitos.

Serviço – Programação POR ACASO_tardes de improviso no mês de junho de 2018

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Ponto de Cultura Cidade Livre

16 de junho, sábado

Horário: 17h às 20h

Local: Av. Progresso Qd. 21 Lt. 04 casa 1, Aparecida de Goiânia

Entrada gratuita

 

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Centro Cultural Eldorado dos Carajás

23 de junho, sábado

Horário: 19h às 21h

Local: Praça do CIOPS. Av. do Mato, Jardim Curitiba, Goiânia

Entrada gratuita

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Casa Corpo

30 de junho, sábado

Horário: 17h às 20h

Local: Av. 243, esquina c Rua 233, Setor Leste Universitário, Goiânia.

Entrada gratuita

 


04 jul 2018
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#45 Toca fitas

Encontrei as fitas k-7 do meu pai numa caixa preta que ele guardava no porta luvas do carro. Recordei de quando as fitas enrolavam e a gente tinha o maior trabalho com a caneta Bic pra desenrolar o fio. E ouvir tudo de novo…

Estoy enamorado, versão de João Paulo e Daniel, está entre as músicas da cassete pirata de uma novela famosa dos anos 1990, O Rei do Gado. Nessa novela, a Patrícia Pilar era uma musa famosa do MST. Minha vizinha rebobinava essa música o dia todo, o bairro inteiro escutava o som. Realmente, a canção ocupava os primeiros lugares no rádio e fez de João Paulo e Daniel sucesso nacional.

Quanto às fitas, ainda hoje meu pai guarda sem ter onde ouvir. Nosso antigo toca fitas e disco de vinil foi doado pela minha mãe para o meu tio – claro, na surdina. Assim ficamos com as lembranças dessas fitas e das outras que a gente mesmo gravava fazendo apenas seleção das que mais gostávamos.

Também tenho umas cassetes virgens, da época do curso de jornalismo ainda. Foi recente, mas ainda usávamos muito já que as tecnologias de gravação MP3 eram caras e a Rádio Universitária ainda não tinha passado pelo processo de digitalização. Lá em casa, além dessas fitas, tem o bom e velho gravador analógico. Paguei 50 reais, há dez anos, e ele está novinho em folha.

Qualquer dia desses vou testar as vozes imortalizadas pelas fitas cassetes. Lembrar do barulhinho do final da fita, quando corta a música e a gente tem que virar para o lado B. Tudo cronometrado, até a respiração do cantor.


04 jul 2018
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#44 Cameramen

Fita cassete, câmera na mão e muito axé. Eram assim boa parte das festas de família dos anos 1990. Minha tia tinha acabado de adquirir uma filmadora “portátil”, que pensava, com certeza, mais de três quilos. Meu primo filmava as festas de família com ela apoiada no ombro, segurando com as duas mãos. Mais um pouco e viraria cameramen da tv.

O que a gente fazia?  Sorria, acenava, dançava, contava piada para a câmera. Tudo era válido, o importante era registrar – desde as pessoas até a mesa farta de domingo. Levaria um tempo até descobrirmos, naturalmente, que diferente das fotos, na câmera tudo ainda é mais próximo do natural. E é isso que fascina no vídeo.

Uns anos atrás, quando minha tia mudou de casa, nos deparamos com essas fitas. Meus irmãos eram adolescentes no clube, num fim de tarde com os primos. Lembrei que raramente vemos (quando vemos) as fitas que filmamos. Por que será? E, de lá para cá, cada dia que acordamos a concepção de vídeo muda de novo. Por fim, acho que o mais bacana da filmagem era meu primo falando atrás da câmera, dizendo para dançarmos ou darmos um tchauzinho pra tela. Todos nós sabíamos, o tempo todo, que o mais importante daquelas fitas cassetes era nos reunirmos todos os domingos para o almoço de família para compartilhar e eternizar os domingos, apesar de qualquer tecnologia que aparecesse.


04 jul 2018
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#43 Trinta

Não escrevi um texto sobre os trinta. Não sei se vou escrever, mal comecei a viver nessa idade fisicamente, embora minha cabeça esteja sempre adiante – sem nenhuma pretensão. Os trinta vieram como eu nunca quis, numa primavera um pouco triste e sem graça. Não foi a pior das estações, nas não teve a luz que sempre teve. Talvez eu não esperasse nada desse dia além de um bom doce.

Não refleti sobre minha vida, nem escolhas, tão pouco futuro. Fazia isso quase sempre, para que perder o 30º dia com isso? Não fiz listas, nem promessas, nem chorei. Acho que fiquei feliz pelo que a vida me trouxe, embora não considerasse esse ano um dos melhores presentes que eu já tivesse recebido. É que a gente muda, o corpo muda, a cabeça, o paladar, o toque, o sorriso, os cabelos, a pele, a vida muda. Com mais intensidade, uma porção a mais por dia.

Encontrei pessoas queridas, outras infelizmente ficaram na lista dos 31 anos. Ou não, daqui até lá não sei o que será. Foi um dia de sentimentos queridos, amados, intensos. Para ambos lados. Mas o que ninguém consegue enxergar é que nos trinta eu senti mais falta do abraço quente da minha avó e da pele enrugada dela encostando na minha cabeça e fazendo cafuné. Certas coisas a idade não apaga.

 

1/1/2018


04 jul 2018
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#54 Amor urgente

Encontraram uma calcinha branca no chão da garagem do prédio. Ou melhor, quase branca. Eu saía para trabalhar quando vi as duas moças que limpavam o prédio rindo sem graça, mirando a calcinha sem saber o que fazer. Sem julgamento algum, pensei: amor urgente. Drummond já dizia que o chão era cama para o amor urgente, e por quê não a garagem?

Era meio da semana, quem sabe um casal tenha voltado tarde da rua e achou que os segundos esperando o elevador seriam um obstáculo para a pele na pele. O beijo na boca suave e molhado, seguido de um abraço apertado e, naturalmente, uma mão puxando a tal calcinha. Ou, em outra hipótese, os dois já haviam descido para saírem. Não daria tempo de subir todos os andares de novo, chegariam atrasados ao compromisso…

Possíveis histórias para a calcinha perdida na garagem do prédio não vão faltar. A questão que fica é: “por que deixar algo tão íntimo para trás?” Talvez as moças da limpeza e eu nunca saibamos o porquê. Eu, particularmente, acho que pode ser um lembrete de que a vida é curta e o amor – em seu sentido pleno da palavra – não tem hora, simplesmente acontece.

 


04 jul 2018
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#53 Batucada

Na rua de casa rola o batuque. Povo cantarolando, tambor fervendo, pés inquietos e corpos suados. As moças vão com seus sorrisos abertos, rapazes cantam e dançam na roda. Lua crescente, mas noite iluminada. Última sexta-feira do ano, dia de comemorar o que se passou.

O batuque segue solto, sem hora para acabar. Quem inventou de dormir mais cedo que aguente, pelo jeito vai durar a noite toda. Quem está deitado, no fundo, não importa. Sabe que a música é de felicidade, aconchego e esperança. Isso acalanta qualquer coração.

É lá no meio da dança que rota escorrega o pé no chão, quase sem tirar do asfalto. Ouve-se a música alta. João soa ao bater o tambor com suas mãos negras e seu sorriso largo. A corrente de ouro grudou na pele. Beatriz dança feito bailarina, gira na roda feliz. E a lua fica ainda mais vistosa.


10 abr 2018
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#40 Carta de uma mulher

Ela se achava uma mulher melhor que as outras. Porque sua luta era melhor e mais legítima. Quem é você pra falar alguma coisa? Qual seu lugar de fala? – dizia. Tudo isso, para mim, era uma bobagem sendo repetida de boca cheia para muitas outras mulheres que, ao invés de serem tidas como pares, eram apenas vistas como um corpo com buceta. Isso que é invisibilidade, ser silenciada porque de cara deveria te levar em consideração.

Por que isso? Só por me se sentir livre para fazer o que quisesse? Era por isso mesmo tenho meus sonhos. Quero ser mãe, mas não agora. Quero sim ter minha casa, decorada, estilo urbano com arte sacra. Tenho minhas crenças, religião – nem sempre tão explícita -, nem por isso não acredito também na ciência. Não gosto de discutir política, nem por isso não tenho ideologias. Quero ser romântica ao extremo, com flores pela casa e jantares com o companheiro, nem por isso vivo num mundo de ilusão.

Odeio menstruar e tomar anticoncepcional, nem por isso acho que é uma agressão ao corpo: é uma escolha própria para seu bem-estar. Qual o problema? Eu pago minhas contas e essas escolhas não me tornam menos mulher. Isso não torna minha dor menor. Se você quer menstruar e seguir a tabelinha, escolha sua. Me deixe com meu remédio regulado para cólicas. Cada um tem seu jeito de não engravidar. Não, não quero ter filhos. Mas minha irmã quer e seu sonho é poder cuidar deles por um tempo. Isso é ser submissa, machista, careta? Poxa, onde enfiaram a minha escolha?

Hipocrisia. Hipocrisia não é ser silenciada por tantos homens, mas também por tantas mulheres que gostaríamos de ter ao nosso lado. Onde fico eu, afinal? Nesse imenso buraco vazio sendo soterrada por todos os lados e pés. Hipocrisia é ter ao seu lado uma pessoa doente e mal resolvida falando mal de você porque se incomoda com seu jeito de ser e estar no mundo. Hipocrisia é alguém que mente para si mesma, todos os dias, te agredindo e delirando em conceitos e julgamentos contra você sem antes olhar pra si mesma e perceber atitudes que não são bonitas de se ver em alguém que se isenta da responsabilidade. Culpadas são as outras, cuja luta e lugar é sempre inferior – retrocesso, preconceito, involução.

Sejamos responsáveis. Sejamos companheiras. Que pratiquemos mais a sororidade entre nós. Que nos apoiemos. Hoje você apanha do marido, amanhã sou menosprezada em um cargo de visibilidade. Hoje é você quem aponta o dedo para mim e minhas escolhas, mas ainda hoje sou eu quem pode estender a mão para te ajudar a sair daquela barra. Hoje sou eu quem sofro violência sexual, amanhã posso te dizer como podemos ser resilientes e superar isso. Hoje vencemos aquela corrida na avenida principal. Amanhã perdemos no jogo da loteria. Hoje eu vou no pronto-socorro com meu filho doente, hoje você toma sorvete com seus sobrinhos. Hoje é você que vibra por uma vitória, amanhã eu choro por uma derrota – e levanto de novo. E vice-versa. E versa-vice. Mulheres, com seus corpos, jeitos, ideias, presença. Mulheres nós somos. Mulher, eu sou – com muito orgulho.

 

Carta de uma mulher, em 2018.

 

 


27 mar 2018
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#42 Que trazes pra mim?

A música que eu mais gostava de cantar na Páscoa, nos tempos das apresentações de colégio, era a do coelhinho da páscoa. Ficava imaginando os três ovos que ele traria pra mim, azul, amarelo e vermelho também. Essa era a única música que eu gostava. E eu adorava coelhos, quando eu era bem pequenininha tinha coelhos em casa. Como eles se reproduziam e se multiplicavam muito meus pais acabaram doando pra amigos.

Durante muito tempo eu não podia ganhar ovos de páscoa. Minha família não tinha condições financeiras para isso, e eu achava muito triste algumas crianças que ganhavam ovos de chocolate grandes e caros e estampavam seus prêmios com requinte de crueldade infantil para quem não podia comprar ovos. Eu compreendia que não podia ganhar os ovos mais caros, e que meus pais sempre me davam algum coelhinho pequeno de chocolate para não passar em branco. E nem por isso minha Páscoa foi menos feliz.

Sempre tinha almoço na minha avó no feriado e no domingo eu ia para a igreja, lá eu ouvia histórias cristãs sobre o significado da Páscoa. E sem dúvida o que mais me marcou (independente da crença das demais pessoas ou se elas são ou não cristãs) é que Jesus foi um homem de muita fé e de perseverança. Por isso ele percorreu, segundo a Bíblia, tantos caminhos difíceis, que para alguns poderiam parecer ou até ser mais fáceis.

O que eu mais gostava no domingo de Páscoa era a mensagem de que esse homem de fé não fazia distinção entre as pessoas. Não julgava, não se importava com a cor da pele ou a classe social, e mostrou que a humildade e o caráter são essenciais para seguir um caminho de paz e para enxergar o além: a missão, o propósito.

A Páscoa é um renascimento, muitos de nós nos esquecemos de que para renascer é preciso morrer antes. Matar nossos preconceitos, nossos julgamentos, nosso orgulho, nossa arrogância. Para matar isso, é preciso reconhecer nossos defeitos. Sim, todos temos defeitos. Ser imperfeito é a oportunidade que temos de nos lapidarmos. E todos os anos, na Páscoa, eu me lembro de que não importa quem eu sou ou de onde eu venha, há sempre uma oportunidade de renascer e ser uma pessoa melhor, para uma humanidade melhor.


25 mar 2018
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Alunos de Produção Cênica celebram Júlio Vilela em espetáculo

Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela acontece no dia 27 de março, às 20h, no Centro Cultural Martim Cererê

Local que abrigou por mais de 15 anos o espetáculo Jú Onze e 24 e que deu o nome de Júlio Vilela a um dos seus teatros, o Centro Cultural Martim Cererê é o palco de Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela, projeto de Conclusão de Curso de alunos de Produção Cênica do ITEGO em Artes Basileu França. O espetáculo ocorre na terça-feira (27/03), Dia Internacional do Teatro, às 20h.

Júlio Vilela (1961-2006) foi um ator e diretor paulistano que conduziu Jú Onze e 24. O grupo/espetáculo ficou conhecido por se apresentar com cenas e performances de drag queens em diferentes espaços até se firmar no palco da sala Pyguá, do Centro Cultural Martim Cererê (GO). Ali permaneceu por mais de 15 anos (1991-2006) na sala que hoje recebe seu nome como forma de homenagem.

O TCC que se materializa

Um conjunto de quadros antológicos da trajetória de Jú Onze e 24 perfilados para uma homenagem alegre e comovente. Assim, alunos de Produção Cênica revisitam uma história de humor, irreverência e deboche com Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela. O espetáculo lida com a memória e tem como propósito ressignificar os elementos simbólicos que marcaram uma bela página da história das artes cênicas de Goiás.

Júlio Vilela deixou uma lacuna que não há como ser preenchida. Numa cidade que preza pelo esquecimento, lembrar Júlio e sua contribuição para o cenário artístico é necessário, como afirma o diretor, ex-Secretário de Cultura de Goiânia, e também aluno do curso, Sandro di Lima: “Não é possível contar a história de Goiânia se não contamos as histórias das pessoas que aqui viveram e vivem. E o Júlio Vilela foi de extrema importância, pois ele conseguia enfrentar a cidade com imponência – por fazer teatro de gênero numa época de grande preconceito – e ao mesmo tempo era capaz de dialogar com a cidade e seus habitantes”.

Esta é uma história de amor pelo teatro e pelos sujeitos não convencionais que o fazem. A partir de um conjunto de quadros entrelaçados, o espetáculo possui narrativas autônomas. São personagens construídos pelos artistas em apresentações em solo, grupo e performances que representam a trajetória de Jú Onze e 24. O público pode esperar por quadros humorísticos com cenas caricatas, dublagens e outros. Como parte de um trabalho acadêmico (TCC), conta com a participação voluntária de amigos e amigas de Júlio Vilela. Atores que faziam Jú Onze e 24 foram convidados para transformarem o palco num território de alegria, muita purpurina e, claro, saudade.

Na ocasião, vai ser exibido o curta-metragem documentário Júlio Além do Efêmero, outro produto do TCC. Estruturado em depoimentos, coleta de imagens, arquivos e clippings, visa narrar um pouco do que foi a trajetória do ator à frente de Jú Onze e 24. O curta traz a presença viva de um homem extraordinário e celebra uma liderança marcada pela empatia e pela generosidade. Para além do TCC, o grupo da produção considera que o vídeo se constitui como um documento importante de registro audiovisual para arquivo e acervo da cultura goianiense.

Respeito da pluralidade – importância de Jú Onze e 24

Para além de fomentar a cultura e o teatro na capital, Júlio Vilela e Jú Onze e 24 abriram caminhos para discutir tabus e promover a questão de gênero. O espetáculo fazia crítica ao binarismo homem x mulher por apresentar homens em roupas femininas. A partir de performances de drag queen, apontava críticas sociais, abordagens sobre política, gênero e sexualidade com muito deboche e humor.

Júlio mantinha bom relacionamento com empresas e meios de comunicação fomentando e valorizando a produção artística local. Buscava fazer um intercâmbio entre políticos e ativistas LGBTS para discutir sobre políticas públicas ao público homoafetivo numa época de tanto preconceito e discriminação. Através de textos, cenas e performances, ele e sua troupe apontavam críticas construtivas e não se submetiam a uma lógica vigente que estava em Goiás, ou seja, fugiam da mesmice preconceituosa que a sociedade como um todo insistia em reproduzir.

Legado do Jú

Júlio conquistou um espaço para o teatro goiano como poucos e seu espetáculo era sucesso na capital, interior do estado e Brasil afora. Mas com sua morte em 2006, acabou-se também Jú Onze e 24. “O Júlio se foi num momento em que estávamos no auge. Fazíamos shows todos os finais de semana e, às vezes, chegávamos a fazer quatro apresentações por dia”, lembra Sérgio Gomes, artista e seu “braço direito”.

Pelo peso que seu nome carrega, os alunos do curso de Produção Cênica do ITEGO em Artes Basileu França Marci Dornelas, Rose Araújo, Sandro di Lima, Tainara Mendes e Thamara Fagury optaram por reviver um pouco desta história e trazer à tona questionamentos tão importantes para os tempos sombrios em que estamos vivendo. O grupo deseja que a memória de Júlio Vilela continue viva e forte na história da capital com o espetáculo Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela, que ocorre terça-feira (27/03), às 20h, no Centro Cultural Martim Cererê.

Serviço:

Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela
Data:
 terça-feira, 27 de março de 2018
Horário: 20h
Local: Centro Cultural Martim Cererê – Rua 94A, Setor Sul, Qd. 18 –  Goiânia (GO)

Programação:

20h – exibição do curta-metragem documentário “Júlio Além do Efêmero”

20h30 – espetáculo Saudade e Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela
Ingressos: 11,00 (meia entrada)*** e 24,00 (inteira)

*** Para pagar meia entrada basta “se montar” ou ir com muito brilho, glitter, makes, plumas, paetês, cílios postiços… enfim, basta se deixar levar pelo espírito contagiante do Jú!

Redes sociais: 

Instagraminstagram.com/saudadepurpurina

FacebookSaudade & Purpurina / evento: Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela

Produção Geral, Executiva e Cênica: Marci Dornelas, Rose Araújo, Sandro di Lima, Tainara Mendes, Thamara Fagury.

Elenco convidado para curta-metragem documentário e espetáculo: Paulo Reis, Cláudia Vieira, Leleco Diaz, Marcelo Venâncio, Arsênio Gomes, Sérgio Gomes, Sanderson God, Lázaro Leal (Kanichala), Marques Matos (Amargosa Simpson), Chico Miranda e Cezar Ogawa.

 

Texto e fotos: divulgação.