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10 abr 2018
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#40 Carta de uma mulher

Ela se achava uma mulher melhor que as outras. Porque sua luta era melhor e mais legítima. Quem é você pra falar alguma coisa? Qual seu lugar de fala? – dizia. Tudo isso, para mim, era uma bobagem sendo repetida de boca cheia para muitas outras mulheres que, ao invés de serem tidas como pares, eram apenas vistas como um corpo com buceta. Isso que é invisibilidade, ser silenciada porque de cara deveria te levar em consideração.

Por que isso? Só por me se sentir livre para fazer o que quisesse? Era por isso mesmo tenho meus sonhos. Quero ser mãe, mas não agora. Quero sim ter minha casa, decorada, estilo urbano com arte sacra. Tenho minhas crenças, religião – nem sempre tão explícita -, nem por isso não acredito também na ciência. Não gosto de discutir política, nem por isso não tenho ideologias. Quero ser romântica ao extremo, com flores pela casa e jantares com o companheiro, nem por isso vivo num mundo de ilusão.

Odeio menstruar e tomar anticoncepcional, nem por isso acho que é uma agressão ao corpo: é uma escolha própria para seu bem-estar. Qual o problema? Eu pago minhas contas e essas escolhas não me tornam menos mulher. Isso não torna minha dor menor. Se você quer menstruar e seguir a tabelinha, escolha sua. Me deixe com meu remédio regulado para cólicas. Cada um tem seu jeito de não engravidar. Não, não quero ter filhos. Mas minha irmã quer e seu sonho é poder cuidar deles por um tempo. Isso é ser submissa, machista, careta? Poxa, onde enfiaram a minha escolha?

Hipocrisia. Hipocrisia não é ser silenciada por tantos homens, mas também por tantas mulheres que gostaríamos de ter ao nosso lado. Onde fico eu, afinal? Nesse imenso buraco vazio sendo soterrada por todos os lados e pés. Hipocrisia é ter ao seu lado uma pessoa doente e mal resolvida falando mal de você porque se incomoda com seu jeito de ser e estar no mundo. Hipocrisia é alguém que mente para si mesma, todos os dias, te agredindo e delirando em conceitos e julgamentos contra você sem antes olhar pra si mesma e perceber atitudes que não são bonitas de se ver em alguém que se isenta da responsabilidade. Culpadas são as outras, cuja luta e lugar é sempre inferior – retrocesso, preconceito, involução.

Sejamos responsáveis. Sejamos companheiras. Que pratiquemos mais a sororidade entre nós. Que nos apoiemos. Hoje você apanha do marido, amanhã sou menosprezada em um cargo de visibilidade. Hoje é você quem aponta o dedo para mim e minhas escolhas, mas ainda hoje sou eu quem pode estender a mão para te ajudar a sair daquela barra. Hoje sou eu quem sofro violência sexual, amanhã posso te dizer como podemos ser resilientes e superar isso. Hoje vencemos aquela corrida na avenida principal. Amanhã perdemos no jogo da loteria. Hoje eu vou no pronto-socorro com meu filho doente, hoje você toma sorvete com seus sobrinhos. Hoje é você que vibra por uma vitória, amanhã eu choro por uma derrota – e levanto de novo. E vice-versa. E versa-vice. Mulheres, com seus corpos, jeitos, ideias, presença. Mulheres nós somos. Mulher, eu sou – com muito orgulho.

 

Carta de uma mulher, em 2018.

 

 


27 mar 2018
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#42 Que trazes pra mim?

A música que eu mais gostava de cantar na Páscoa, nos tempos das apresentações de colégio, era a do coelhinho da páscoa. Ficava imaginando os três ovos que ele traria pra mim, azul, amarelo e vermelho também. Essa era a única música que eu gostava. E eu adorava coelhos, quando eu era bem pequenininha tinha coelhos em casa. Como eles se reproduziam e se multiplicavam muito meus pais acabaram doando pra amigos.

Durante muito tempo eu não podia ganhar ovos de páscoa. Minha família não tinha condições financeiras para isso, e eu achava muito triste algumas crianças que ganhavam ovos de chocolate grandes e caros e estampavam seus prêmios com requinte de crueldade infantil para quem não podia comprar ovos. Eu compreendia que não podia ganhar os ovos mais caros, e que meus pais sempre me davam algum coelhinho pequeno de chocolate para não passar em branco. E nem por isso minha Páscoa foi menos feliz.

Sempre tinha almoço na minha avó no feriado e no domingo eu ia para a igreja, lá eu ouvia histórias cristãs sobre o significado da Páscoa. E sem dúvida o que mais me marcou (independente da crença das demais pessoas ou se elas são ou não cristãs) é que Jesus foi um homem de muita fé e de perseverança. Por isso ele percorreu, segundo a Bíblia, tantos caminhos difíceis, que para alguns poderiam parecer ou até ser mais fáceis.

O que eu mais gostava no domingo de Páscoa era a mensagem de que esse homem de fé não fazia distinção entre as pessoas. Não julgava, não se importava com a cor da pele ou a classe social, e mostrou que a humildade e o caráter são essenciais para seguir um caminho de paz e para enxergar o além: a missão, o propósito.

A Páscoa é um renascimento, muitos de nós nos esquecemos de que para renascer é preciso morrer antes. Matar nossos preconceitos, nossos julgamentos, nosso orgulho, nossa arrogância. Para matar isso, é preciso reconhecer nossos defeitos. Sim, todos temos defeitos. Ser imperfeito é a oportunidade que temos de nos lapidarmos. E todos os anos, na Páscoa, eu me lembro de que não importa quem eu sou ou de onde eu venha, há sempre uma oportunidade de renascer e ser uma pessoa melhor, para uma humanidade melhor.


25 mar 2018
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Alunos de Produção Cênica celebram Júlio Vilela em espetáculo

Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela acontece no dia 27 de março, às 20h, no Centro Cultural Martim Cererê

Local que abrigou por mais de 15 anos o espetáculo Jú Onze e 24 e que deu o nome de Júlio Vilela a um dos seus teatros, o Centro Cultural Martim Cererê é o palco de Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela, projeto de Conclusão de Curso de alunos de Produção Cênica do ITEGO em Artes Basileu França. O espetáculo ocorre na terça-feira (27/03), Dia Internacional do Teatro, às 20h.

Júlio Vilela (1961-2006) foi um ator e diretor paulistano que conduziu Jú Onze e 24. O grupo/espetáculo ficou conhecido por se apresentar com cenas e performances de drag queens em diferentes espaços até se firmar no palco da sala Pyguá, do Centro Cultural Martim Cererê (GO). Ali permaneceu por mais de 15 anos (1991-2006) na sala que hoje recebe seu nome como forma de homenagem.

O TCC que se materializa

Um conjunto de quadros antológicos da trajetória de Jú Onze e 24 perfilados para uma homenagem alegre e comovente. Assim, alunos de Produção Cênica revisitam uma história de humor, irreverência e deboche com Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela. O espetáculo lida com a memória e tem como propósito ressignificar os elementos simbólicos que marcaram uma bela página da história das artes cênicas de Goiás.

Júlio Vilela deixou uma lacuna que não há como ser preenchida. Numa cidade que preza pelo esquecimento, lembrar Júlio e sua contribuição para o cenário artístico é necessário, como afirma o diretor, ex-Secretário de Cultura de Goiânia, e também aluno do curso, Sandro di Lima: “Não é possível contar a história de Goiânia se não contamos as histórias das pessoas que aqui viveram e vivem. E o Júlio Vilela foi de extrema importância, pois ele conseguia enfrentar a cidade com imponência – por fazer teatro de gênero numa época de grande preconceito – e ao mesmo tempo era capaz de dialogar com a cidade e seus habitantes”.

Esta é uma história de amor pelo teatro e pelos sujeitos não convencionais que o fazem. A partir de um conjunto de quadros entrelaçados, o espetáculo possui narrativas autônomas. São personagens construídos pelos artistas em apresentações em solo, grupo e performances que representam a trajetória de Jú Onze e 24. O público pode esperar por quadros humorísticos com cenas caricatas, dublagens e outros. Como parte de um trabalho acadêmico (TCC), conta com a participação voluntária de amigos e amigas de Júlio Vilela. Atores que faziam Jú Onze e 24 foram convidados para transformarem o palco num território de alegria, muita purpurina e, claro, saudade.

Na ocasião, vai ser exibido o curta-metragem documentário Júlio Além do Efêmero, outro produto do TCC. Estruturado em depoimentos, coleta de imagens, arquivos e clippings, visa narrar um pouco do que foi a trajetória do ator à frente de Jú Onze e 24. O curta traz a presença viva de um homem extraordinário e celebra uma liderança marcada pela empatia e pela generosidade. Para além do TCC, o grupo da produção considera que o vídeo se constitui como um documento importante de registro audiovisual para arquivo e acervo da cultura goianiense.

Respeito da pluralidade – importância de Jú Onze e 24

Para além de fomentar a cultura e o teatro na capital, Júlio Vilela e Jú Onze e 24 abriram caminhos para discutir tabus e promover a questão de gênero. O espetáculo fazia crítica ao binarismo homem x mulher por apresentar homens em roupas femininas. A partir de performances de drag queen, apontava críticas sociais, abordagens sobre política, gênero e sexualidade com muito deboche e humor.

Júlio mantinha bom relacionamento com empresas e meios de comunicação fomentando e valorizando a produção artística local. Buscava fazer um intercâmbio entre políticos e ativistas LGBTS para discutir sobre políticas públicas ao público homoafetivo numa época de tanto preconceito e discriminação. Através de textos, cenas e performances, ele e sua troupe apontavam críticas construtivas e não se submetiam a uma lógica vigente que estava em Goiás, ou seja, fugiam da mesmice preconceituosa que a sociedade como um todo insistia em reproduzir.

Legado do Jú

Júlio conquistou um espaço para o teatro goiano como poucos e seu espetáculo era sucesso na capital, interior do estado e Brasil afora. Mas com sua morte em 2006, acabou-se também Jú Onze e 24. “O Júlio se foi num momento em que estávamos no auge. Fazíamos shows todos os finais de semana e, às vezes, chegávamos a fazer quatro apresentações por dia”, lembra Sérgio Gomes, artista e seu “braço direito”.

Pelo peso que seu nome carrega, os alunos do curso de Produção Cênica do ITEGO em Artes Basileu França Marci Dornelas, Rose Araújo, Sandro di Lima, Tainara Mendes e Thamara Fagury optaram por reviver um pouco desta história e trazer à tona questionamentos tão importantes para os tempos sombrios em que estamos vivendo. O grupo deseja que a memória de Júlio Vilela continue viva e forte na história da capital com o espetáculo Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela, que ocorre terça-feira (27/03), às 20h, no Centro Cultural Martim Cererê.

Serviço:

Saudade & Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela
Data:
 terça-feira, 27 de março de 2018
Horário: 20h
Local: Centro Cultural Martim Cererê – Rua 94A, Setor Sul, Qd. 18 –  Goiânia (GO)

Programação:

20h – exibição do curta-metragem documentário “Júlio Além do Efêmero”

20h30 – espetáculo Saudade e Purpurina – Um tributo a Júlio Vilela
Ingressos: 11,00 (meia entrada)*** e 24,00 (inteira)

*** Para pagar meia entrada basta “se montar” ou ir com muito brilho, glitter, makes, plumas, paetês, cílios postiços… enfim, basta se deixar levar pelo espírito contagiante do Jú!

Redes sociais: 

Instagraminstagram.com/saudadepurpurina

FacebookSaudade & Purpurina / evento: Saudade & Purpurina – Um Tributo a Júlio Vilela

Produção Geral, Executiva e Cênica: Marci Dornelas, Rose Araújo, Sandro di Lima, Tainara Mendes, Thamara Fagury.

Elenco convidado para curta-metragem documentário e espetáculo: Paulo Reis, Cláudia Vieira, Leleco Diaz, Marcelo Venâncio, Arsênio Gomes, Sérgio Gomes, Sanderson God, Lázaro Leal (Kanichala), Marques Matos (Amargosa Simpson), Chico Miranda e Cezar Ogawa.

 

Texto e fotos: divulgação.

 


23 mar 2018
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Indelicada Cia. Teatral apresenta “O Príncipe” em comemoração do Dia Internacional do Teatro

Em 23 de março, a Indelicada Cia. Teatral apresenta o espetáculo “O Príncipe” dentro das atividades de comemoração ao Dia Internacional do Teatro, promovido pelo Instituto de Educação em Artes Gustav Ritter. O espetáculo “O Príncipe” já foi apresentado em festivais de Teatro no México e na Argentina e recentemente foi premiado V Festival Nacional de Teatro de Araguari – MG.

O espetáculo dirigido por João Bosco Amaral narra a história do jovem Hamlet, o príncipe da Dinamarca, que está de luto pela morte do seu pai e enfrenta o oportunismo e a corrupção de seu tio Claudius que usurpou o trono. Baseado na obra Hamlet de William Shakespeare e influenciada pelo Príncipe de Maquiavel, a peça é uma comédia “Maquiaveliclownesca Milk-Shakesperiana”.

Com a estética clownesca, os palhaços Vânio e Kadu (interpretados pelos atores Evandro Costa e Ricardo Fiuza) contam a trágica história do príncipe Hamlet de uma maneira completamente irreverente e politicamente incorreta, dando um tom cômico e melodramático. Os dois palhaços vivem os diversos personagens desta história, que é a mais encenada do mundo, mas agora sobre a ótica e o humor dos clowns.

A apresentação acontecerá no Teatro Pyguá, no Centro Cultural Martim Cererê, às 20h, com entrada franca e livre para todos os públicos.

 

Texto: divulgação.
Fotos: Karla Sarmiento e Zé Veríssimo.


23 mar 2018
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Confira a programação do Cineclube Zabriskie de março

Estamos de volta com a programação do Cineclube Zabriskie do mês de março. A seleção de filmes surpreende pela sensibilidade. Você já parou pra pensar como na infância a escola pode ser o lugar mais divertido da sua vida, onde você encontra amigos brinca e aprende um monte de coisas novas? … Ou, por outro lado, na infância a escola pode ser o lugar do seu pesadelo, onde você é zoado todo dia, tem a maior dificuldade de fazer amigos e ainda tem de aprender um monte de coisas novas. Será que as crianças já nascem preconceituosas?

Nesse sábado e domingo, dias 24 e 25, às 20h, serão exibidos três curtas metragens lindos, dois da Alemanha e o outro da Espanha.

PRINCESS, do diretor Karsten Dahlem, e   VESTIDO NUEVO, do diretor Sergi Pérez têm algo em comum: tratam de episódios de meninos que vão pra escola um dia de vestido. SUPERHEROES, de Volker Petters, é um filme sobre amizade, coragem e tolerância. É uma história sobre adolescentes diferentes que estão procurando por seu lugar na vida.

A sessão terá duração total de 45 min. Assistiremos aos curtas comendo pipoca e depois a gente pode se conhecer e bater um papo. Ah, a censura é livre. Traga as crianças.

SERVIÇO

Exibição dos curtas: Princess, Superheroes e Vestido Nuevo

Duração da sessão: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Data: 24 e 25 de março
Horário: 20h
Entrada: franca

Local: Zabriskie Teatro
Endereço: Av. Antônio Martins Borges, n.121, qd.89, lt.26, Setor Pedro Ludovico, próximo à 4ª Radial, em frente ao Colégio Estadual Dom Abel.
Informações pelos fones: (62) 981242498 | 993110081

 

FILMES

PRINCESS, Karsten Dahlem, Alemanha, 2017, 17′

Quando o líder do grupo Ole (11) e seus amigos Marco (10) e Milão (12) cortaram a bolsa de escola de Davie de doze anos, Ole nunca teria imaginado que, em seus sonhos mais loucos, pouco depois, ele apareceria no palco com Davie em um concurso de karaoke da escola vestido como uma princesa com maquiagem … nem seus amigos.

 

SUPERHEROES, Volker Petters, Alemanha, 2017, 15’

Phil é pequeno demais para sua idade. Isso o torna alvo de provocações na escola. Inesperadamente ele recebe ajuda da menina Jo, eles se tornam amigos mesmo sendo completamente diferentes um do outro. Isso deixa os provocadores mais irritados. No entanto, eles não são os únicos diferentes na escola e vão surpreender a todos. SUPERHEROES é um filme sobre amizade, coragem e tolerância. É uma história sobre adolescentes diferentes que estão procurando por seu lugar na vida.

 

VESTIDO NUEVO, Sergi Pérez, Espanha, 2008, 14’

A história gira em torno do menino Mário, uma criança que sofre preconceito em sua escola e acaba parando na diretoria. No carnaval, a criança decide ir de vestido rosa para o colégio, surpreendendo assim os colegas e os professores.

O curta Vestido Nuevo recebeu prêmios em vários festivais e é de uma sensibilidade imensa.

Afinal, quem estipulou que vestido é coisa de menina? Onde nasce o preconceito? O que ele é capaz de fazer? As crianças já nascem preconceituosas?

Questões como essas são o maior ponto forte da história. Uma criança sendo apenas uma criança, o preconceito como sempre sendo irracional.

 

Sobre o Cineclube Zabriskie

O Cineclube Zabriskie é um projeto do Grupo Zabriskie Teatro que, desde 2014, consiste em receber o público em sessões com projeção de filmes, pipoca e bate-papo.

A temática é a Diversidade de Gênero e Sexualidade.

O desejo do Grupo Zabriskie é fazer de sua sede um espaço para que todos e todas reflitamos sobre uma sociedade ainda opressora, que nos cerceia em nossas mais íntimas descobertas e incita ao ódio e à intolerância.

Sob a coordenação do ator Alexandre Augusto e a cineasta Brisa Evangelista, o Cineclube Zabriskie vem reunindo um grupo de apaixonados por cinema, em media uma vez por mês, para assistir e discutir sobre cinema e compartilhar inquietações e reflexões para a desconstrução de preconceitos em nossa sociedade.

Os preconceitos devem ser sempre abordados e desconstruídos. A nossa sociedade é predominantemente patriarcal e machista. A homofobia, lesbofobia, transfobia, e tantos outros preconceitos atrozes que incidem diariamente sobre todos é visível. Nas estatísticas constatamos que o Brasil lidera o ranking de violência homofóbica e é o país onde há o maior número de assassinatos de travestis e transexuais.  No cotidiano percebemos a ausência de liberdade para mínimas expressões homoafetivas. E chega-se ao cúmulo da exclusão de pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no mercado de trabalho.

Ancorados em afirmações como a de Gustavo Jönck – “Um espaço para ver filmes raros, saber das novidades, trocar idéias e fazer amigos.”- Alexandre Augusto e Brisa Evangelista propõem no Cineclube Zabriskie um espaço democrático que incentive as discussões sobre as obras audiovisuais e a reflexão profunda sobre assuntos polêmicos e de extrema importância para a construção da pluralidade e cidadania na nossa sociedade.

 

 

Texto e fotos: divulgação.


22 mar 2018
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Teatro: Um poema cômico sobre o envelhecer

Quando se abrem os guarda-chuvas, monólogo da atriz Fernanda Pimenta, terá 10 apresentações gratuitas, em diferentes espaços da capital.A abertura da temporada será no Teatro Cidade Livre, com Entrada Franca, na próxima 4ª feira, dentro da III Mostra de Teatro Cidade Livre

 

Goiânia, 15 de março de 2018. Entre os meses de março e julho, o espetáculo “Quando se abrem os guarda-chuvas” voltará aos palcos de Goiânia e Aparecida de Goiânia, interpretado por sua criadora, a atriz Fernanda Pimenta, do grupo Farândola Teatro. O projeto, apoiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e produzido pela Plano V Eventos e Cultura, prevê 10 exibições em 10 diferentes espaços da região metropolitana, sempre às quartas-feiras, seguido de bate-papo entre a atriz e o público. As primeiras apresentações serão nos dia 21 e 28 de março. A primeira, dia 21/03, dentro da programação da III Mostra de Teatro Cidade Livre, às 10h da manhã. A segunda, dia 28/03, na Oficina Cultural Geppetto, no Setor Pedro Ludovico, às 20h. Todas as apresentações do projeto são gratuitas. A ação, caracterizada como uma temporada teatral circulante, tem o propósito de contemplar públicos diversificados, criando uma agenda com maior duração, trazendo ao espectador a certeza de que em duas quartas-feiras de cada mês, durante cinco meses, haverá teatro em algum lugar da capital. Durante o projeto o público ainda terá a oportunidade de conversar com os realizadores do espetáculo, para falar tanto da produção cênica que ocorre em nossa região, quanto sobre os caminhos que levaram à construção deste trabalho. A diversidade de plateias também se relaciona com a pluralidade dos espaços cênicos que serão utilizados, como no caso do Ponto de Cultura Cidade Livre – Teatro Cidade Livre, em Aparecida de Goiânia; da Escola Municipal Renascer, que fica no bairro Real Conquista; ou da Oficina Cultural Geppetto, no Setor Pedro Ludovico; e ainda a Universidade Federal de Goiás e os cafés e bares da capital que abrem espaço para o teatro; o Espaço Sonhus, no centro de Goiânia; o Instituto Federal de Goiás; o Zabriskie Teatro. Todos são considerados equipamentos culturais, capazes de agregar ainda mais valor ao que está sendo colocado em cena, por suas próprias trajetórias de fomento à cultura.

 

Uma ode à velhice contemporâneaO monólogo “Quando se abrem os guarda-chuvas” tem a atuação de Fernanda Pimenta, que também é co-autora da obra. A direção é da espanhola Elena Diego e a dramaturgia do carioca João Pedro Fagerlande. Sua estreia ocorreu em 2011 e desde então tem conquistado plateias brasileiras e estrangeiras, com um trabalho de teatro físico e poético, que é ao mesmo tempo melancólico e cômico, lírico e áspero, contundente e apaziguador.A oralidade é o ponto de partida da personagem Conceição, uma viúva de mais de 70 anos, que se relaciona com o público de uma maneira calorosa, falando de seu dia-a-dia de pessoa idosa, que viu seu mundo se transformar aos poucos, sem que tivesse o controle dos caminhos que a fizeram chegar até ali. A espevitada figura fala em futuro, em desejos, em como se relaciona com um mundo cada vez mais veloz e tecnológico, e certifica a audiência de sua autonomia e capacidade de se apropriar de tudo isto que agora a rodeia, inclusive sua vontade de novamente amar. Em um decorrer de espetáculo penumbroso e de energia crescente, Dona Conceição contracena com suas memórias e com personagens que estão do outro lado da ligação ou das redes sociais, e as traz tão vividamente para a cena, que chegamos a ouvir suas vozes. Ou seja, quando Dona Conceição abre seu guarda-chuva é tão somente para sair mundo afora, caminhando em direção a um futuro que ainda pode lhe reservar muitas surpresas.

 

FERNANDA PIMENTA Atriz brasileira, 32 anos, residente em Goiânia. Palhaça, dramaturga, produtora, diretora, mestra em artes cênicas e educadora. Iniciou sua carreira teatral aos 17 anos, quando ingressou no Grupo Guará, companhia pertencente à Universidade Católica de Goiás. Permaneceu no grupo até 2008, quando se muda para Londres. Em 2010 volta para o Brasil, desta vez para o Rio de Janeiro, onde fica até outubro de 2013, após regressar de um período de 5 meses de uma residência artística em Portugal e apresentações na Espanha. Em novembro de 2013 regressa à Goiânia, onde atualmente apresenta dois espetáculos como convidada do Grupo Bastet, um infantil como convidada da Cia de Arte Poesia que Gira, e duas peças da Farândola Teatro, grupo que fundou em 2011, juntamente com a espanhola Elena Diego Marina. Desenvolveu pesquisa artística no Mestrado em Artes da Cena na Unicamp, finalizando a dissertação em fevereiro de 2017.

 

SERVIÇO:

 

Espetáculo teatral “Quando se abrem os guarda-chuvas”

 

Data: 21/03/2018 (4ª feira) – 10h

Local: Teatro Cidade Livre – Av. Progresso, QD 21 LT. 4 CS.01 –

Jardim Monte Cristo, Aparecida de Goiânia  – Tel.: 62 3248 6273

 

Data: 28/03/2018 (4ª feira) – 20h

Local: Oficina Cultural Geppetto – Rua 1013, Qd. 39, Lt. 11, St. Pedro Ludovico – Tel.: 3241 – 8447

 

ENTRADA FRANCA

(Contribuições voluntárias e espontâneas serão bem-vindas, para a continuidade do trabalho do Farândola Teatro).

 

 

Assessoria de imprensa:

Ana Paula Mota / 62 99941 5464 / [email protected]

Outros contatos:

Produção: Plano V Eventos e Cultura / Patrícia Vieira / 62 99948-9556

 

Texto e foto: divulgação.


22 mar 2018
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OLHO na Mostra Latino-americana de Teatro Cidade Livre

A Cia. Teatral Oops!.. volta a entrar em cartaz com seu premiado espetáculo OLHO, dessa vez na III Mostra Internacional de Teatro Cidade Livre, que acontecerá no ponto de cultura Cidade Livre, do dia 17 ao dia 24 de março, na cidade de Aparecida de Goiânia. A peça, que já percorreu diversos festivais pelo Brasil e exterior, será a atração da noite do dia 22/03 (Quinta), às 19:30h e terá entrada gratuita, assim como todos os espetáculos que compõem a grade de programação do festival, que pode ser conferida pelo site:https://www.teatrocidadelivre.com/mostra. 

 Sinopse OLHO

O Homem dá seu depoimento até o final da história. Tal situação faz com que o interlocutor (neste caso os espectadores) assumam o papel de testemunhas da sua história. Esse Homem, que se chama Iago, várias vezes afirma que não é louco. Para provar que está falando a verdade, ele conta os detalhes do crime que cometeu procurando exaltar sua serenidade e lucidez. Adaptação do Conto “Coração Delator” de Edgar Allan Poe, “Olho” é um espetáculo que busca manter a essência narrativa do conto, mantendo toda a atmosfera “noir”, “policial” e terror que o romântico Allan Poe propõe na maior parte de suas obras.
Serviço
3° Mostra de Teatro Cidade Livre – Ed. Latinoamericana
Apresentação do espetáculo OLHO
Dia 22/03 (Quinta) às 19:30h
Entrada Gratuita
Ponto de Cultura Cidade Livre (Av. Progresso, QD 21 LT. 4 CS.01 -Jardim Monte Cristo, Aparecida de Goiânia – GO, Brasil 74.968-330)

Texto e fotos: Cia. Teatral Oops!


15 mar 2018
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#52 Desejo

No ponto de ônibus o casal esperava a linha para ir embora. Ela com um sorvete da Kibon, sol de 33 graus. Ele de boné, em pé, agoniado. Ambos não viam a hora de ir embora daquele dia de trabalho cansativo, tenso e demorado.

Chegariam em casa, tomariam banho gelado no chuveiro ou na bica. Ela iria preparar arroz com carne e tomates frescos. iriam assistir o jornal nacional, só para saber mesmo um pouco do mundo afora. Mas, no fundo, nada daquilo interessava para eles.

O maior desejo mesmo dos dois era a hora de dormir. Deixariam pele na pele, abraçados, sentindo o cheiro um do outro misturado, sabonete de lavanda e Protex. Ela sempre dormia de perfume, ele tinha a pele quente. Abraçados, a noite começava e o universo poderia se acabar. O único mundo que realmente importava era o deles. Quando os olhos negros dele mergulhavam nos olhos cor de mel dela não tinha infinito ou perdição mais profunda.

 

Texto escrito em 29/12/2017.


05 mar 2018
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#51 Minhas mulheres

Eu tenho várias mulheres. Sou todas elas e sou delas. Na maior parte do tempo, sou a que persegue os sonhos, os desejos, os caminhos. Essa mulher é visionária, tem fé na vida – até porque sem isso o caminho seria mais difícil de enxergar -, não desiste do que busca, nem do que é correto.

Essa mulher anda com outra, que acorda sensível em alguns dias. Tem vontade de chorar, de desistir, de ceder. As lágrimas que caem, no entanto, se transformam em força para remar contra a maré. Essa mulher é resiliente, no sentido mais pleno e profundo da palavra.

Essas duas mulheres amam uma outra, que sofreu abuso, assédio moral e sexual. Não foram poucas as vezes que sofreu preconceito de gênero e foi alvo de comentários e ações mal intencionadas. Já foi perseguida na rua, de dia e de noite. Já teve um ex-namorado que a perseguiu, sob o argumento falso de “amor” e “posse”. Essa mulher não desiste, nem se vitimiza: ela luta.

Há, ainda, outra mulher. Ela tem medo. Do futuro, do presente e até do passado que às vezes aparece para assombrá-la.  Tem medo de dar um passo e de ser julgada por ele, porque o mundo não é justo. Mesmo assim ela sempre segue adiante porque acredita que o caminho se faz caminhando e que não pode, de nenhuma maneira, deixar que os estigmas e preconceitos tentem defini-la ou colocá-la na jaula do esquecimento. Essa mulher vê adiante, onde ninguém enxerga.

Tenho comigo, ainda, uma mulher amorosa e muito meiga. Daquelas que sorriem junto ao entardecer, com a face tenra. As crianças e os adultos perto dela refletem o amor que essa mulher carrega no peito. Como uma mãe que acolhe e uma amante-amiga que ama incondicionalmente, ela segue seus dias doando o que tem de melhor para todos. Mesmo com tanta beleza e carinho, essa mulher também é julgada. Por cuidar dos filhos, da casa, da família. Mas ela não liga, nem um pouco, pois isso a faz ser mulher como escolheu ser, mesmo que o mundo não a compreenda.

A última mulher parece ser dura, às vezes até sem sentimentos. Anda de cara fechada, é muito focada no trabalho e nas conquistas profissionais. Tem gente que acha que ela não tem – ou não pode ter – sentimentos, mal sabem essas pessoas o quão equivocado esse pensamento é. Essa mulher endurece, muitas vezes, para conseguir sobreviver em meio a atitudes desleais, falácias ditas e veladas. E ela segue, sempre em frente. Não olha para trás. E é feliz, no seu mundinho particular.

Minhas mulheres são únicas e incríveis, sejam juntas ou separadas. Na sua completude, elas vão percorrendo sonhos, desejos, sorrisos. Anseiam por um mundo melhor e amam o ser mulher. Mesmo com as barreiras, mulheres, elas são. Resistentes, intransponíveis, à frente de seu tempo. Tenho muitas mulheres. Sou todas elas e sou delas.

 

Foto: Bruno Destéfano.


22 fev 2018
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#20 Noites em claro-escuro

Sono foi embora há um tempo e não voltou. A insônia diz tudo. Diz nada: pressente. A hora da inquietude, as respostas por vir, o calafrio na pele fina. A insônia é aquele respingo, da chuva de mais cedo, é a aurora não nascida.

E nos morros mais distantes, nos ventos mais longínquos, na sombra da porta da casa velha refletindo num final de tarde, a insônia pode ser a resposta para pergunta que será feita para encaixar em alguma resposta. Naquilo que, ainda agora e também outrora, sempre está por vir.

Um carro passa na rua. Uma moto. Risadas. Som alto. E os pensamentos e lembranças indesejáveis passeiam nas ruas semi-escuras, entre as árvores caladas que só esperam o amanhecer. Sempre existe uma lasca cristalizada de pedra para incomodar, continuamente. Porque algumas coisas, vai tempo e vem tempo, não desaparecem totalmente a sete palmos do chão. A insônia, ah essa danada… Me deixa dormir, vai!

 

Foto: Bruno Destéfano.