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04 dez 2018
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Meu batom vermelho

Minha boca é vermelho sangue, seja de dia ou de noite. Não acho que tenha ocasião especial para usar batom vermelho, toda hora é hora. Seja no trabalho, na festa, na igreja, num passeio no parque. Vermelho está entre minhas cores prediletas, desde sempre e para sempre. Mas se antes eu pintava só as minhas unhas em vários tons de vermelho, hoje eu uso batons que vão do vermelho sangue até o vermelho escuro.

Sim, as pessoas olham. Especialmente se uso de dia, parece que a gente usa uma cor “ousada” ela tende a definir sua personalidade ou sua conduta. É como se o vermelho agredisse, de alguma forma. A mulher recatada usa nude e rosa-claro, as “pra frente” usam vermelhos, roxos, rosa-choques e até preto. Já ouvi frase assim, muitas das quais nem são ditas: apenas o olhar de recriminação revela tudo.

Eu posso afirmar que, sem dúvida, eu sou ousada mesmo e muito “pra frente”, embora eu não ache que nenhuma cor tem, de fato, essa característica. Meus sonhos são os mais possíveis dentro do que muitas pessoas poderiam considerar impossíveis. Minhas ideias de vida e de mundo são as mais libertárias, especialmente nas que tocam no livre-arbítrio de cada um (em kalynês: cuide da sua vida e deixe a dos outros em paz).

Meus ideais de mundo podem ser utópicos para alguns, e pessimistas para outros, mas é sonhar com um mundo melhor que faz a gente levantar da cama todos os dias. Vermelho é vida, é calor, é alma. Vermelho é o que eu desejo todos os dias para as pessoas que amo, porque é calor, é amor, é energia. É vibrante, é intenso, é profundo e não passa despercebido: ele marca a gente como uma tatuagem. E você, já usou seu vermelho hoje?

 

Foto: Stephani Echalar


23 out 2018
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Goiânia sedia encontro de Cinema

Por Amanda Sales

 

Para os amantes e estudiosos de cinema, uma excelente notícia. O XXII Encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) vai ser realizado em Goiânia, entre 23/10 e 26/10. Nesta edição, o evento relembra os “50 anos do maio de 68” e é composto por palestras, mesas redondas apresentações de trabalho e lançamento de livros. Durante o encontro há também a Mostra “Maio de 1968”, cuja curadoria fica a cargo de Ivan Lima Gomes e Adérito Schneider. Os filmes vão ser transmitidos no Centro Cultural Marietta Teles Machado, na Praça Cívica.

Durante o evento, grandes personalidades do pensar e fazer cinema no Brasil e em Goiás serão homenageadas. Na solenidade de abertura, dia 23/10, às 19h, a homenageada é a professora Maria Bernadette Cunha de Lyra (UFES), apresentada pelo professor Marcius Freire (Unicamp). No encerramento do encontro, no dia 26/10, às 16h30, os homenageados são o projecionista, cineclubista e realizador goiano Eudaldo Guimarães; o Cineclube Antônio das Mortes, fundado em 1977, em Goiânia; e os professores Rubens Machado e Ismail Xavier, da Universidade de São Paulo. As homenagens acontecem no Teatro Asklepiós – Faculdade de Medicina da UFG.

Além das apresentações de trabalho e discussões, mais de 20 títulos de autoria de pesquisadores associados à Socine serão lançados no dia 24/10, às 18h, no Centro de Aulas D da UFG, contribuindo para a atualização da bibliografia sobre cinema e audiovisual no Brasil. Em seguida, às 19h, na Sala 205, acontece o III Fórum de Discentes de Pós-Graduação da Socine, quando os alunos presentes ao evento irão discutir o papel da pesquisa em Cinema e Audiovisual em tempos de totalitarismo.

 

Confira abaixo a programação geral do evento:

23 a 25/10 (terça a quinta): Mostra “Maio de 1968”

23/10

16h- LONGE DO VIETNÃ

18h15- O BANDIDO DA LUZ VERMELHA

20h- A CONFISSÃO

 

24/10

16h- ONE PLUS ONE/SYMPATHY FOR THE DEVIL

18h15- SEM DESTINO

20h- SE…

 

25/10

16h- PARTNER

18h15 – MANHÃ CINZENTA + ORATÓRIO PARA PRAGA + BLABLABLA

20h- TERRA EM TRANSE

Local: Cine Cultura (Centro Cultural Marietta Teles Machado, Praça Cívica)

 

23/10 (terça)

9h – 12h e 13h30 – 16h30

Seminário/Oficina Pré-Socine

Professores organizadores: João Luiz Vieira (UFF), Talitha Ferraz (ESPM-Rio e PPGCine-UFF) e José Cláudio Castanheira (UFSC)

Organização local: Lara Lima Satler (UFG): Sala 205 Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

Módulo I: Palestras: Salas de Cinema de Goiânia e arredores: histórico, situação atual e perspectivas presentes e futuras.

Módulo II: Oficina:  Histórias de Cinemas: exibição, modos de ver, experiências locais e regionais

19h – Homenagem: Profa. Maria Bernadette Cunha de Lyra

Apresentação: Prof. Marcius Freire

Palestra de Abertura: As rupturas de 1968 no cinema da América Latina

Prof. Mariano Mestman (UBA – Buenos Aires, Argentina)

Apresentação: Profa. Sheila Schvarzman (UAM)

Local: Teatro Asklepiós – Faculdade de Medicina da UFG (Rua 235, s/n – Setor Universitário)

 

24/10 (quarta)

8h30 – 18h30: Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

9h30 – 11h00 e 11h30 – 13h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

Mesa-redonda: A formação para as imagens em Goiás: cinema e audiovisual

Professores: Angelita Lima (FIC/UFG), José Eduardo Ribeiro (UEG), Renato Naves Prado (IFG)

Mediação: Geórgia Cynara (UEG) e Rafael de Almeida (UEG): Sala 205 Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

14h30 – 16h00 e 16h30 às 18h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

Lançamentos literários: Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

III Fórum de Discentes de Pós-Graduação da Socine: Sala 205 Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

 

25/10 (quinta)

8h30 – 18h30: Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

9h30 – 11h00 e 11h30 – 13h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

Imagem, tecnologia e processos de pesquisa

Professores: Ana Rita Vidica (FIC/UFG), Alice Fátima Martins (FAV/UFG, CNPQ), Daniel Chistino e Rodrigo Cássio (Performances/FCS/UFG)

Mediação: Lara Lima Satler (Performances/FCS/UFG): Sala 205 Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

14h30 – 16h00 e 16h30 às 18h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

Mesa-redonda: Desinventando o Brasil: vanguardas tropicais e cinemas do presente urgente

Professores: Anita Leandro (UFRJ), Celso Favaretto (USP) e Ivana Bentes (UFRJ)
Mediação: Angelita Lima (UFG): Teatro Asklepiós – Faculdade de Medicina da UFG (Rua 235, s/n – Setor Universitário)

 

26/10 (sexta)

8h30 – 18h30: Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

9h30 – 11h00 e 11h30 – 13h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

14h30 – 16h00

Sessões de apresentação de trabalho: 1º e 2º andares do Centro de aulas D da UFG (1ª Avenida, 815, St. Leste Universitário)

16h30 – 19h00

Homenagem: Eudaldo Guimarães (projecionista, cineclubista e diretor)

Prof. Rubens Machado, Prof. Ismail Xavier

Cineclube Antônio das Mortes

Assembleia Geral da Socine: Teatro Asklepiós – Faculdade de Medicina da UFG (Rua 235, s/n – Setor Universitário)

22h     Festa de encerramento: Complexo Pub (Rua 7, 475, Centro)

 

Serviço:

XXII Encontro Socine

Período: 23 a 26 de outubro de 2018

Local: Campus I da UFG, Setor Leste Universitário

Mais informações: http://socine2018.com.br/

 

 

Foto: Sem destino, um dos filmes apresentados na Mostra Maio de 68.

23 out 2018
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Quasar volta aos palcos nos embalos da bossa nova

Após dois anos paralisada, a companhia apresenta espetáculo criado para o projeto Preciosidades Vivara, com apoio do Ministério da Cultura e da Vivara. O Teatro Goiânia recebe apresentações nos dias 26, 27 e 28 de outubro

O novo espetáculo da companhia de dança goiana Quasar reacende uma chama que estava apagada. São essas as palavras de Vera Bicalho, diretora-geral da companhia, ao falar do novo espetáculo “O que ainda guardo…”, que chega aos palcos da cidade natal nos dias 26, 27 e 28 de outubro, depois de dois anos de trabalho paralisado. As apresentações serão no Teatro Goiânia, sexta e sábado às 21 horas e domingo às 19h. Os ingressos custam R$ 50,00 e R$ 25,00 a meia-entrada (o desconto é válido também para quem doar 1 litro de óleo de cozinha).

“O que ainda guardo…”, é um espetáculo essencialmente brasileiro, que tem a Bossa Nova como o som que dá ritmo aos corpos, unindo-se às composições o talento e sagacidade que energizam os dançarinos da companhia. Por trás desse diálogo, encontramos riquezas culturais de valor inestimável. Nas palavras de Bicalho, comemorar os 30 anos com este novo espetáculo é misto de paixão e enfrentamento. “Nos dá fôlego e a certeza de que estamos vivos”, resume a diretora.

Para o coreógrafo da companhia, Henrique Rodovalho, a volta aos palcos com este espetáculo representa a oportunidade de mostrar que ainda há um grande desejo de continuar o trabalho conhecido e admirado no Brasil e em mais 25 países por onde já passaram. “É uma oportunidade de mostrar que a nossa dança, apesar desta pausa, continua viva, com o mesmo desejo e com a mesma qualidade reconhecida e desejada pelo nosso imenso público que nos acompanham por todos estes anos”, comenta.

Os 30 anos da Quasar coincidem com os 60 anos da Bossa Nova, temática proposta pela Vivara para esse novo espetáculo em parceria com a companhia goiana, especialmente convidada para o projeto. O espetáculo tem apoio do projeto Preciosidades Vivara e Ministério da Cultura. A circulação da obra é realizada pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015 e conta também com o apoio do SESC e da World Group Company (GO).

Ainda que sem patrocínio de permanência, o espetáculo impulsiona o 30º ano de vida da companhia que vai circular cinco cidades com o espetáculo. Vencedores do Prêmio Klaus Vianna, da Funarte, o novo trabalho circula por Palmas (TO), Gravataí (RS), Canoas (RS) e Brasília (DF), além de Goiânia. O espetáculo já passou pelos palcos de São Paulo e Rio de Janeiro nos últimos 22, 23 e 26 de setembro.

30 anos

No dia 26 de outubro, também em comemoração aos 30 anos da Quasar, será lançado, junto ao público presente no Teatro Goiânia, um dossiê sobre a Companhia, chamado Um Corpo Celeste em Movimento. Trata-se de um Levantamento histórico, memorial e afetivo sobre uma das mais importantes companhias brasileiras de dança contemporânea, destes últimos 30 anos.

O conteúdo é uma compilação de entrevistas, materiais audiovisuais e impressos, que criam um panorama da história do grupo e de sua importância identitária, cultural e artística, no Brasil e no mundo. A coordenação desse trabalho foi de Luana Otto (Balaio Produções Culturais), que contou com os pesquisadores Hélio Fróes e Rô Cerqueira, no trabalho de campo, de coleta de informações e materiais. O projeto foi viabilizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a Lei Goyazes, do Governo de Goiás.

Serviço:

Quasar Cia de Dança comemora 30 anos apresentando “O que ainda guardo” e lançando dossiê de sua trajetória

Local: Teatro Goiânia

Datas: 26, 27 e 28 de outubro

Tempo: 64 minutos – Classificação: Livre

 

Horários:

Sexta e sábado – 21h / Domingo – 19h

Ingressos: R$50,00 (inteira) | R$25,00 (meia-entrada)

Venda antecipada de ingressos: https://goo.gl/bpZNSf

 

 

Fonte: Quasar Cia. de Dança

Fotos: Marcus Camargo e João Gabril Hidalgo


19 out 2018
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I Need Blues – Acorde7 Blues Band

ACORDE7 foi fundada em Fevereiro de 2013 e manteve a sua formação original até 2015. Em 2016 passou por uma reformulação de seus integrantes, mantendo Roberto Chalub (Baixista), trazendo de volta o baterista da primeira formação Ronny Alves, além de reunir os experientes músicos Thiago Albuquerque (guitarrista) e Rodrigo Laterza (vocalista e gaitista) para integrarem a ACORDE7. A partir de então, com a boa repercussão de suas músicas e apresentações através da crítica especializada, comentários em redes sociais e o interesse crescente do público, a ACORDE7 foi impulsionada a levar o seu conceito e estilo musical a todos que apreciem o blues e a evolução natural da musica, com a agregação de novos elementos sem perder o “feeling”, sua essência fundamental. A ACORDE7 tem as suas músicas autorais executadas em diversas rádios e web rádios do Estado de Goiás e se encontra em fase de finalização de seu primeiro CD intitulado “Take The Road” no início de 2017, além de planejar o lançamento antecipado das faixas“ Take The Road”, “Morning Blues” e “Shining For You”- já conhecidas de seus seguidores e fãs – em formato físico através de EP ainda em 2016.

 

[Serviço]

Dia: 06/11 (sábado)

Horário: 20h

Duração: 90′

Local: Centro Cultural UFG

Endereço: Av. Universitária, n° 1533, Setor Universitário

Ingressos: R$15,00 (inteira) e R$7,50 (meia)


19 out 2018
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Piano Solo

No dia 30/10 (terça-feira), o Centro Cultural UFG a apresentação de Diones Correntino “Projeto Piano Solo” às 20h

Diones Correntino é pianista, compositor e arranjador. Em sua abordagem como instrumentista alia a formação clássica explorando composição e improvisação com influências de repertórios da música brasileira, da música moderna e do jazz. Apresentou seus trabalhos em festivais e teatros como a série instrumental Guiomar Novaes promovida pela Sala Cecília Meireles, Goyaz Festival e o Festival de Música Brasileira da North Texas University. Tem recebido elogios da crítica especializada por sua música plural que abarca diversos gêneros. Além de suas atividades artísticas atua como professor da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás. Nesta apresentação o pianista mostrará um repertório com musicas de Villa-Lobos , Gismonti , Gnattali, composições próprias, improvisação e recriações com base no repertório da música brasileira e outros gêneros.

[Serviço]

Dia: 30/10 (terça-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Centro Cultural UFG
Endereço: Av. Universitária, n° 1533, Setor Universitário
Ingressos: Entrada Gratuita
Secom UFG

01 out 2018
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Indelicada Cia. Teatral estreia “Mercúrio Retrógrado” em ruas e praças de Goiânia

Espetáculo dirigido por João Bosco Amaral é uma ode à liberdade

 

Entre os dias 29 de setembro a 02 de outubro, a Indelicada Cia. Teatral apresenta o espetáculo “Mercúrio Retrógrado” na cidade de Goiânia – GO. O espetáculo foi montado com apoio da Lei Municipal de Incentivo á Cultura da Prefeitura de Goiânia.

Num mundo pós-apocalíptico, três indivíduos errantes, em estado de marginalização fala da liberdade em todas as suas esferas (política, artística, sexual e religiosa) através dos arquétipos da cultura marginalizada, partindo de uma dramaturgia não-linear construída a partir de diferentes contextos para narrar a luta de minorias raciais, religiosas e sexuais em prol de suas liberdades de pensamento e escolhas, questionando o próprio conceito de nação e território e assim ultrapassando o limite cultural.

O espetáculo será apresentado em espaços urbanos, como proposta de invasão e redefinição do espaço de convívio do público, transformando estes locais de apresentações artísticas e de debates sobre o ser e sua existência como ator social de sua própria vida, quebrando o ritmo da vida cotidiana através da proposição de debater a liberdade em tempos de crise de comunicação e ideais. Todas as apresentações são gratuitas e livre para todos os públicos.

 

SERVIÇO – Mercúrio Retrógrado

29/09 – 17h – Praça Tamandaré – Feira da Lua

30/10 – 10h – Feira do Cerrado

30/10 – 17h – Praça do Sol – Feira do Sol

01/10 – 09h – Praça Joaquim Lúcio

01/10 – 17h – Grande Hotel – Avenida Goiás

02/10 – 18h – Praça Universitária

 


28 set 2018
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“Senhor Deus, onde estás?”: Tribalistas, diásporas e fragmentação

Por Amanda Sales

Ensaio crítico sobre a música Diáspora (Tribalistas, 2017)

Desde o primeiro álbum, em 2002, a experimentação sonora é marcante nas músicas dos Tribalistas. Os atabaques afro-brasileiros de Carlinhos Brown dialogam com a voz doce e marcante de Marisa Monte que contrasta e completa o tom grave de Arnaldo Antunes quando declama trechos de poesias durante várias de suas músicas.

O que muda, no segundo disco do trio lançado 15 anos depois são as composições igualmente melodiosas, mas tematicamente destoantes. O povo brasileiro, os costumes, o samba, a vida nos morros e o amor romântico serviram de estrutura para as composições em 2002 e aparecem, em menor escala, em 2017. No entanto, o álbum mais recente dos Tribalistas mostra que é possível pegar de empréstimo os temas contemporâneos já visitados e fazer arte nova.

De todas as canções do álbum que, mais uma vez leva o nome do grupo, Diáspora é a que passeia mais pelo cotidiano e se vale de temas facilmente encontrados em manchetes de jornais. É, de fato, impossível escutar a música sem remeter ao drama dos refugiados que buscam outros países para fugir de guerra e miséria.

O tema dos refugiados, apesar de recente é também histórico. E Diáspora recupera com a sutileza de um tapa com luvas de pelica o fio da memória dos povos que deixaram suas terras-mães na busca de um futuro. Cubanos, sírios e ciganos são a metonímia de tantos indivíduos espalhados sem nação pelo globo.

O espectador, quando acomoda os fones de ouvido e dá play em Diáspora, ouve Arnaldo Antunes declamar, com melodia ao fundo, “Acalmou a tormenta/ Pereceram/ O que a estes mares ontem se arriscaram/ E vivem os que por um amor tremeram/ E dos céus os destinos esperaram”. O trecho é de O Guesa, poema aos moldes épicos escrito pelo maranhense Sousândrade.

Mais adiante na canção, Arnaldo declama outro trecho de um poema. Desta vez, na sua voz grave ouvimos “Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?/ Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes/ Embuçado nos céus?/ Há dois mil anos te mandei meu grito/ Que embalde desde então corre o infinito/ Onde estás, Senhor Deus?”. Quem fala pela voz de Antunes aqui é Castro Alves, baiano que tratou das condições da escravidão e do período colonial brasileiro em Vozes D’África.

Os trechos declamados ao longo da música revelam uma característica da composição dos artistas, a montagem. Diáspora não é a primeira canção em que trechos de poemas são inseridos e declamados, quebrando a cadência rítmica da música, processo que parece envolver aquele que ouve na poesia.

Aqui, a poesia não está somente na composição da letra em si. As inserções de poemas trazem o poético para a esfera auditiva. Ouvir um poema é certamente uma experiência distinta da simples leitura do mesmo. O resultado dessa experimentação, que não é nova para os Tribalistas, é a elevação da poesia ao nível do sensorial.

De fato, é possível que quem ouvir não conheça de antemão os poemas inseridos na música. Contudo, as quebras na cadência da música no momento em que as referências são apresentadas pode dar pistas sobre as inserções. Ademais, não me parece um problema da obra que seu ouvinte não tenha referência anterior de seus elementos.

O método de composição, por montagem, pode também ser alvo de críticas. De modo simplista, é possível que se analise as inserções como meras colagens de textos de outros autores. No entanto a obra resultante das montagens é distinta de cada texto isolado.

Em suas reflexões, Flávio Carneiro (2001) retoma os escritos do cineasta e ensaísta Eisenstein sobre a montagem no cinema. O autor russo acreditava que para o cinema a montagem é um elemento importante e que garante que o produto final é um todo orgânico. Carneiro complementa que esta lógica se aplica a toda produção de discurso.

Seguindo este raciocínio e adotando a música como pertencente à arte e esta sendo também um discurso, me parece sensato pensar que a montagem em Diáspora confere ao produto final um caráter próprio. Sem me estender, pois não é este o objetivo deste ensaio, pontuo que a montagem encontrou na música campo fértil para seu desenvolvimento e procriação.

Os trechos dos dois poemas passam a fazer ainda mais sentido na música quando se analisa seus contextos de produção. O Guesa de Sousândrade é um andarilho que caminha pela América do Sul, sem rumo. Já Vozes D’África soa todo o clamor do povo africano trazido a contragosto para servir de mão de obra escrava no Brasil.

O movimento migratório de africanos para o país no período colonial é uma diáspora. Das mais cruéis que se possa imaginar. Inserido na música, este trecho é mais um tapa com luva de pelica. A nossa nação foi constituída a partir da desintegração e diáspora forçada de diversos povos africanos.

Propositalmente escolhido, o trecho de Vozes D’África é um clamor desesperançoso. O eu-lírico que tanto gritou a Deus por compaixão hoje questiona se este ser superior sequer o ouviu. Este grito desesperado por socorro se repete nas telas dos telejornais cada vez que se noticia que um barco com refugiados afundou, quando se atualizam os números da guerra da Síria ou nas denúncias de violência contra venezuelanos abrigados no Brasil.

O refrão “Where are you?” que se repete durante a música é uma expressão que remete a busca, procura. Espalhados pelo mundo, longe de suas terras e famílias os povos procuram seus semelhantes, muitas vezes em vão. A escolha pelo inglês faz parte, mais uma vez, de recurso recorrente nas composições dos Tribalistas. Entretanto, o uso da língua do Tio Sam remete também a este “idioma padrão” do mundo globalizado a que todos os imigrantes ou refugiados precisam recorrer, caso queiram se sentir parte de uma nação novamente.

Esse sentimento de fragmentação e não pertencimento se expressa na canção por meio de cada verso que cita povos que sofreram com movimentos de diáspora, mas sem alongar a reflexão sobre cada um em particular. Não há análise ou retomada histórica sobre fariseus, cubanos, sírios, ciganos ou sobre a travessia do mar Egeu. O não aprofundamento de cada um desses indivíduos é exatamente o que os mesmos passam longe de suas terras natais, prevalece a desintegração.

Estes povos e grupos étnicos estão representados na canção como cerceados de suas identidades. O sujeito de Diáspora é, como sugere Stuart Hall, o “sujeito pós-moderno, conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente”. Se este indivíduo não está em crise de identidade por ser retirado de súbito de sua terra natal, o está por uma ausência de identificação cultural com sua sociedade.

O sujeito pós-moderno de Hall está perdido e desolado “como Romanos sem Coliseu”. Diáspora, na medida em que parte dos princípios (1) da montagem com textos que corroboram para a ideia central da música e da (2) retomada da questão das identidades fragmentadas dos povos na contemporaneidade (ainda que sem aprofundá-las), denuncia a relatividade dos valores de uma sociedade que apenas assiste a diásporas cotidianamente.

A preocupação formal da canção parece se voltar todo o tempo para a temática. Toda a métrica, as rimas e as montagens corroboram para a noção de fragmentação, quebra do espaço confortável. Nesse sentido, a melodia é também essencial, já que a cadência melancólica todo o tempo reforça a angústia. Forma e tema são aliadas, técnica e estética também.

 


21 set 2018
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Festival de pipas inaugura o projeto Curta o Câmpus

Evento no dia 22 de setembro é gratuito e aberto à população; objetivo é levar atividades culturais e de lazer ao Câmpus Samambaia

A aproximação da universidade com a sociedade passa pela ocupação de seus espaços. Foi pensando nisso que a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), desenvolveu o projeto Curta o Câmpus, que irá promover atividades culturais e de lazer gratuitas e abertas à população, sobretudo aos fins de semana, no Câmpus Samambaia.

A primeira atividade do projeto será no dia 22 de setembro, a partir das 8h30, com um Festival de Pipas no gramado entre a Escola de Música e Artes Cênicas (Emac) e o Centro de Convivência. O espaço estará liberado para piquenique. Também estão programadas contação de histórias, oficina de bonecos, apresentação da Bateria Tagarela, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), e uma ação com o Programa Educacional Bombeiros Mirins.

Para participar do festival, basta levar sua pipa. Haverá um concurso para a escolha da maior pipa, da mais criativa e da mais sustentável.

Lazer e confraternização

Segundo a pró-reitora de Extensão e Cultura, Lucilene Maria de Sousa, a ideia de levar atividades para o Câmpus Samambaia aos fins de semana vem sendo cultivada há algum tempo. Por ser um espaço amplo, arborizado e aconchegante, ele se torna uma ótima opção de lazer e confraternização para a comunidade.

A ideia de começar o projeto Curta o Câmpus com o Festival de Pipas se deu pela observação de que algumas pessoas da região praticam a brincadeira em locais inadequados, próximo a ruas e avenidas, o que representa um risco principalmente para motociclistas. Como é um espaço aberto, o Câmpus Samambaia.

Texto: Secom UFG


21 set 2018
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Vivendo sem carro

Estou sem carro há oito meses e, até hoje, volta e meia alguém me pergunta sobre isso. Estou feliz sem carro, todos os dias vou à pé para o trabalho e observo as pessoas andarem na rua. Geralmente é o momento que faço minhas orações matinais. Às vezes caminho cantando uma música que eu gosto, as pessoas me observam cantar. Outras olham minhas roupas, meu vestido, meus sapatos de salto. Gosto de andar de Uber e de não me preocupar com o trânsito. E isso não significa que andarei para sempre à pé, tenho planos de ter outro carro em um médio prazo, mas daqui até lá posso mudar de novo de ideia.

Fui feliz dirigindo esses anos, aliás, sinto falta de pegar o volante na estrada. Mas também sou feliz andando a pé e feliz por ter passado adiante pra alguém que cuida muito bem dele, é energia que vai pra frente. Nas minhas observações deste mundo, sei que tem muita gente que compra um carro, às vezes muito caro, que no final é uma satisfação momentânea. É lindo ter um carrão, mas ele não vai resolver aquele problema que você finge que não vê olhando todos os dias no espelho quando acorda, assim como outros bens materiais e momentos comprados com moedas.

A felicidade está naquela borboleta que pousa na nossa frente, e dança ao nossos olhos sem que estivéssemos esperando. Não significa que não desejo ou dispenso conforto ou bens materiais, mas só ter isso é não ter nada. O sabor da vida está no que a gente não compra. E esse gosto é o que eu quero sentir todos os dias.

 

Foto: Eixo Anhanguera, Goiânia. Crédito: Bruno Destéfano


17 ago 2018
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Masp recebe obras de artista goiano em na exposição “Histórias Afro-Atlânticas”

É sempre uma alegria quando viajo a São Paulo para, dentre diversos programas, ver exposições de arte no Masp. E desta vez fiquei mais feliz ainda ao ver que o Dalton Paula, artista goiano a quem muito admiro a obra (além de ser gente finíssima), apresentou dois trabalhos na exposição “Histórias afro-atlânticas”.

Suas obras, Zeferina e João de Deus Nascimento, são o cartão-postal da mostra, já nos familiarizamos com elas desde a estação de metrô até a capa do livro exposição e outros produtos do Masp. Zeferina é uma rainha quilombola que lutou contra a escravidão na Bahia no século XIX e João de Deus Nascimento foi um dos líderes da Conjuração Baiana. As obras de Dalton compõem a seleção de 450 trabalhos de 214 artistas do século 16 ao 21, que retratam os “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa.

Artistas como Carybé, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Gerard Sekoto, dentre outros, fazem de Histórias afro-atlânticas uma exposição que provoca reflexão, debate e novos questionamentos sobre as temas políticas, econômicas, culturais e sociais ligadas à imigração compulsória no contexto da escravidão. Vale lembrar que o Brasil figura como território central nas histórias afro-atlânticas, sendo responsável por receber aproximadamente 46% dos cerca de 11 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico por mais de 300 anos.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo, “Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias. O Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy, é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios e culturas”.

Saiba mais sobre Histórias afro-atlânticas no site do Masp.

P.S: essa foto é minha, mas no site do Masp dá pra ver um panorama da exposião.