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01 out 2018
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Indelicada Cia. Teatral estreia “Mercúrio Retrógrado” em ruas e praças de Goiânia

Espetáculo dirigido por João Bosco Amaral é uma ode à liberdade

 

Entre os dias 29 de setembro a 02 de outubro, a Indelicada Cia. Teatral apresenta o espetáculo “Mercúrio Retrógrado” na cidade de Goiânia – GO. O espetáculo foi montado com apoio da Lei Municipal de Incentivo á Cultura da Prefeitura de Goiânia.

Num mundo pós-apocalíptico, três indivíduos errantes, em estado de marginalização fala da liberdade em todas as suas esferas (política, artística, sexual e religiosa) através dos arquétipos da cultura marginalizada, partindo de uma dramaturgia não-linear construída a partir de diferentes contextos para narrar a luta de minorias raciais, religiosas e sexuais em prol de suas liberdades de pensamento e escolhas, questionando o próprio conceito de nação e território e assim ultrapassando o limite cultural.

O espetáculo será apresentado em espaços urbanos, como proposta de invasão e redefinição do espaço de convívio do público, transformando estes locais de apresentações artísticas e de debates sobre o ser e sua existência como ator social de sua própria vida, quebrando o ritmo da vida cotidiana através da proposição de debater a liberdade em tempos de crise de comunicação e ideais. Todas as apresentações são gratuitas e livre para todos os públicos.

 

SERVIÇO – Mercúrio Retrógrado

29/09 – 17h – Praça Tamandaré – Feira da Lua

30/10 – 10h – Feira do Cerrado

30/10 – 17h – Praça do Sol – Feira do Sol

01/10 – 09h – Praça Joaquim Lúcio

01/10 – 17h – Grande Hotel – Avenida Goiás

02/10 – 18h – Praça Universitária

 


28 set 2018
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“Senhor Deus, onde estás?”: Tribalistas, diásporas e fragmentação

Por Amanda Sales

Ensaio crítico sobre a música Diáspora (Tribalistas, 2017)

Desde o primeiro álbum, em 2002, a experimentação sonora é marcante nas músicas dos Tribalistas. Os atabaques afro-brasileiros de Carlinhos Brown dialogam com a voz doce e marcante de Marisa Monte que contrasta e completa o tom grave de Arnaldo Antunes quando declama trechos de poesias durante várias de suas músicas.

O que muda, no segundo disco do trio lançado 15 anos depois são as composições igualmente melodiosas, mas tematicamente destoantes. O povo brasileiro, os costumes, o samba, a vida nos morros e o amor romântico serviram de estrutura para as composições em 2002 e aparecem, em menor escala, em 2017. No entanto, o álbum mais recente dos Tribalistas mostra que é possível pegar de empréstimo os temas contemporâneos já visitados e fazer arte nova.

De todas as canções do álbum que, mais uma vez leva o nome do grupo, Diáspora é a que passeia mais pelo cotidiano e se vale de temas facilmente encontrados em manchetes de jornais. É, de fato, impossível escutar a música sem remeter ao drama dos refugiados que buscam outros países para fugir de guerra e miséria.

O tema dos refugiados, apesar de recente é também histórico. E Diáspora recupera com a sutileza de um tapa com luvas de pelica o fio da memória dos povos que deixaram suas terras-mães na busca de um futuro. Cubanos, sírios e ciganos são a metonímia de tantos indivíduos espalhados sem nação pelo globo.

O espectador, quando acomoda os fones de ouvido e dá play em Diáspora, ouve Arnaldo Antunes declamar, com melodia ao fundo, “Acalmou a tormenta/ Pereceram/ O que a estes mares ontem se arriscaram/ E vivem os que por um amor tremeram/ E dos céus os destinos esperaram”. O trecho é de O Guesa, poema aos moldes épicos escrito pelo maranhense Sousândrade.

Mais adiante na canção, Arnaldo declama outro trecho de um poema. Desta vez, na sua voz grave ouvimos “Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?/ Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes/ Embuçado nos céus?/ Há dois mil anos te mandei meu grito/ Que embalde desde então corre o infinito/ Onde estás, Senhor Deus?”. Quem fala pela voz de Antunes aqui é Castro Alves, baiano que tratou das condições da escravidão e do período colonial brasileiro em Vozes D’África.

Os trechos declamados ao longo da música revelam uma característica da composição dos artistas, a montagem. Diáspora não é a primeira canção em que trechos de poemas são inseridos e declamados, quebrando a cadência rítmica da música, processo que parece envolver aquele que ouve na poesia.

Aqui, a poesia não está somente na composição da letra em si. As inserções de poemas trazem o poético para a esfera auditiva. Ouvir um poema é certamente uma experiência distinta da simples leitura do mesmo. O resultado dessa experimentação, que não é nova para os Tribalistas, é a elevação da poesia ao nível do sensorial.

De fato, é possível que quem ouvir não conheça de antemão os poemas inseridos na música. Contudo, as quebras na cadência da música no momento em que as referências são apresentadas pode dar pistas sobre as inserções. Ademais, não me parece um problema da obra que seu ouvinte não tenha referência anterior de seus elementos.

O método de composição, por montagem, pode também ser alvo de críticas. De modo simplista, é possível que se analise as inserções como meras colagens de textos de outros autores. No entanto a obra resultante das montagens é distinta de cada texto isolado.

Em suas reflexões, Flávio Carneiro (2001) retoma os escritos do cineasta e ensaísta Eisenstein sobre a montagem no cinema. O autor russo acreditava que para o cinema a montagem é um elemento importante e que garante que o produto final é um todo orgânico. Carneiro complementa que esta lógica se aplica a toda produção de discurso.

Seguindo este raciocínio e adotando a música como pertencente à arte e esta sendo também um discurso, me parece sensato pensar que a montagem em Diáspora confere ao produto final um caráter próprio. Sem me estender, pois não é este o objetivo deste ensaio, pontuo que a montagem encontrou na música campo fértil para seu desenvolvimento e procriação.

Os trechos dos dois poemas passam a fazer ainda mais sentido na música quando se analisa seus contextos de produção. O Guesa de Sousândrade é um andarilho que caminha pela América do Sul, sem rumo. Já Vozes D’África soa todo o clamor do povo africano trazido a contragosto para servir de mão de obra escrava no Brasil.

O movimento migratório de africanos para o país no período colonial é uma diáspora. Das mais cruéis que se possa imaginar. Inserido na música, este trecho é mais um tapa com luva de pelica. A nossa nação foi constituída a partir da desintegração e diáspora forçada de diversos povos africanos.

Propositalmente escolhido, o trecho de Vozes D’África é um clamor desesperançoso. O eu-lírico que tanto gritou a Deus por compaixão hoje questiona se este ser superior sequer o ouviu. Este grito desesperado por socorro se repete nas telas dos telejornais cada vez que se noticia que um barco com refugiados afundou, quando se atualizam os números da guerra da Síria ou nas denúncias de violência contra venezuelanos abrigados no Brasil.

O refrão “Where are you?” que se repete durante a música é uma expressão que remete a busca, procura. Espalhados pelo mundo, longe de suas terras e famílias os povos procuram seus semelhantes, muitas vezes em vão. A escolha pelo inglês faz parte, mais uma vez, de recurso recorrente nas composições dos Tribalistas. Entretanto, o uso da língua do Tio Sam remete também a este “idioma padrão” do mundo globalizado a que todos os imigrantes ou refugiados precisam recorrer, caso queiram se sentir parte de uma nação novamente.

Esse sentimento de fragmentação e não pertencimento se expressa na canção por meio de cada verso que cita povos que sofreram com movimentos de diáspora, mas sem alongar a reflexão sobre cada um em particular. Não há análise ou retomada histórica sobre fariseus, cubanos, sírios, ciganos ou sobre a travessia do mar Egeu. O não aprofundamento de cada um desses indivíduos é exatamente o que os mesmos passam longe de suas terras natais, prevalece a desintegração.

Estes povos e grupos étnicos estão representados na canção como cerceados de suas identidades. O sujeito de Diáspora é, como sugere Stuart Hall, o “sujeito pós-moderno, conceptualizado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente”. Se este indivíduo não está em crise de identidade por ser retirado de súbito de sua terra natal, o está por uma ausência de identificação cultural com sua sociedade.

O sujeito pós-moderno de Hall está perdido e desolado “como Romanos sem Coliseu”. Diáspora, na medida em que parte dos princípios (1) da montagem com textos que corroboram para a ideia central da música e da (2) retomada da questão das identidades fragmentadas dos povos na contemporaneidade (ainda que sem aprofundá-las), denuncia a relatividade dos valores de uma sociedade que apenas assiste a diásporas cotidianamente.

A preocupação formal da canção parece se voltar todo o tempo para a temática. Toda a métrica, as rimas e as montagens corroboram para a noção de fragmentação, quebra do espaço confortável. Nesse sentido, a melodia é também essencial, já que a cadência melancólica todo o tempo reforça a angústia. Forma e tema são aliadas, técnica e estética também.

 


21 set 2018
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Festival de pipas inaugura o projeto Curta o Câmpus

Evento no dia 22 de setembro é gratuito e aberto à população; objetivo é levar atividades culturais e de lazer ao Câmpus Samambaia

A aproximação da universidade com a sociedade passa pela ocupação de seus espaços. Foi pensando nisso que a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec), desenvolveu o projeto Curta o Câmpus, que irá promover atividades culturais e de lazer gratuitas e abertas à população, sobretudo aos fins de semana, no Câmpus Samambaia.

A primeira atividade do projeto será no dia 22 de setembro, a partir das 8h30, com um Festival de Pipas no gramado entre a Escola de Música e Artes Cênicas (Emac) e o Centro de Convivência. O espaço estará liberado para piquenique. Também estão programadas contação de histórias, oficina de bonecos, apresentação da Bateria Tagarela, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), e uma ação com o Programa Educacional Bombeiros Mirins.

Para participar do festival, basta levar sua pipa. Haverá um concurso para a escolha da maior pipa, da mais criativa e da mais sustentável.

Lazer e confraternização

Segundo a pró-reitora de Extensão e Cultura, Lucilene Maria de Sousa, a ideia de levar atividades para o Câmpus Samambaia aos fins de semana vem sendo cultivada há algum tempo. Por ser um espaço amplo, arborizado e aconchegante, ele se torna uma ótima opção de lazer e confraternização para a comunidade.

A ideia de começar o projeto Curta o Câmpus com o Festival de Pipas se deu pela observação de que algumas pessoas da região praticam a brincadeira em locais inadequados, próximo a ruas e avenidas, o que representa um risco principalmente para motociclistas. Como é um espaço aberto, o Câmpus Samambaia.

Texto: Secom UFG


21 set 2018
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Vivendo sem carro

Estou sem carro há oito meses e, até hoje, volta e meia alguém me pergunta sobre isso. Estou feliz sem carro, todos os dias vou à pé para o trabalho e observo as pessoas andarem na rua. Geralmente é o momento que faço minhas orações matinais. Às vezes caminho cantando uma música que eu gosto, as pessoas me observam cantar. Outras olham minhas roupas, meu vestido, meus sapatos de salto. Gosto de andar de Uber e de não me preocupar com o trânsito. E isso não significa que andarei para sempre à pé, tenho planos de ter outro carro em um médio prazo, mas daqui até lá posso mudar de novo de ideia.

Fui feliz dirigindo esses anos, aliás, sinto falta de pegar o volante na estrada. Mas também sou feliz andando a pé e feliz por ter passado adiante pra alguém que cuida muito bem dele, é energia que vai pra frente. Nas minhas observações deste mundo, sei que tem muita gente que compra um carro, às vezes muito caro, que no final é uma satisfação momentânea. É lindo ter um carrão, mas ele não vai resolver aquele problema que você finge que não vê olhando todos os dias no espelho quando acorda, assim como outros bens materiais e momentos comprados com moedas.

A felicidade está naquela borboleta que pousa na nossa frente, e dança ao nossos olhos sem que estivéssemos esperando. Não significa que não desejo ou dispenso conforto ou bens materiais, mas só ter isso é não ter nada. O sabor da vida está no que a gente não compra. E esse gosto é o que eu quero sentir todos os dias.

 

Foto: Eixo Anhanguera, Goiânia. Crédito: Bruno Destéfano


17 ago 2018
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Masp recebe obras de artista goiano em na exposição “Histórias Afro-Atlânticas”

É sempre uma alegria quando viajo a São Paulo para, dentre diversos programas, ver exposições de arte no Masp. E desta vez fiquei mais feliz ainda ao ver que o Dalton Paula, artista goiano a quem muito admiro a obra (além de ser gente finíssima), apresentou dois trabalhos na exposição “Histórias afro-atlânticas”.

Suas obras, Zeferina e João de Deus Nascimento, são o cartão-postal da mostra, já nos familiarizamos com elas desde a estação de metrô até a capa do livro exposição e outros produtos do Masp. Zeferina é uma rainha quilombola que lutou contra a escravidão na Bahia no século XIX e João de Deus Nascimento foi um dos líderes da Conjuração Baiana. As obras de Dalton compõem a seleção de 450 trabalhos de 214 artistas do século 16 ao 21, que retratam os “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa.

Artistas como Carybé, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Gerard Sekoto, dentre outros, fazem de Histórias afro-atlânticas uma exposição que provoca reflexão, debate e novos questionamentos sobre as temas políticas, econômicas, culturais e sociais ligadas à imigração compulsória no contexto da escravidão. Vale lembrar que o Brasil figura como território central nas histórias afro-atlânticas, sendo responsável por receber aproximadamente 46% dos cerca de 11 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico por mais de 300 anos.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo, “Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias. O Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy, é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas invadem e ocupam outras nações, territórios e culturas”.

Saiba mais sobre Histórias afro-atlânticas no site do Masp.

P.S: essa foto é minha, mas no site do Masp dá pra ver um panorama da exposião.

 


13 jul 2018
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#57 Vida de garimpo

“A vida, no garimpo, não é brincadeira. Acontece de tudo por lá”. Diz Cleber enquanto percorremos uma rua movimentada, na periferia de Goiânia. Motorista de um dos lugares em que trabalhei, Cleber era um bom sujeito que migrou do Pará em busca de uma vida melhor e longe do garimpo.

Me dizia que no garimpo, cada dia que passa, fica mais incerto o futuro. Além de ser um trabalho muito árduo, no qual o corpo fica exposto ao sol e intempéries da natureza, no garimpo a alma também se expõe na sua faceta mais dolorosa, triste, cruel e até desumana. Obviamente que as brigas e intrigas por conta de pedras preciosas não são como imaginamos nos filmes, no entanto não significa que elas não continuem existindo.

No garimpo, pode ser que essas relações de interesse sejam mais veladas e escondidas. Sim, há morte no garimpo, ganância, egoísmo. É denso falar nessa parte corroída da alma, mas seria ilusão negar que ela não exista. Não precisamos ir muito longe; basta ligar a televisão todos os dias para ver uma dose da maldade e crueldade do mundo. A vida real será sempre mais cruel e torturante do que as das telas, sem contar o que não aparece lá.

Mesmo assim, José tinha esperanças. Conseguiu uma vida melhor, digna, longe daquilo tudo. Imagino que não foi um processo fácil decidir mudar e fazê-lo, mas ele foi em frente e conseguiu. Hoje sorria timidamente enquanto dirigia, assistia futebol na sala dos motoristas de trabalho, jogava dama enquanto esperava sua vez na escala do transporte. Imagino que, a sua maior felicidade, era ter a certeza de chegar em casa em paz depois de um dia intenso de trabalho.

 

*José é nome fictício, para preservar a identidade do ex-garimpeiro.


11 jul 2018
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#41 Quem nunca teve um amor de férias?

Quem nunca teve um amor de férias que “atire a primeira pedra”. Na adolescência, geralmente acontece quando fazemos amizade numa viagem: com o primo da amiga, com a amiga da prima, com a amiga da amiga e por aí vai. Pode ser na praia, na piscina do clube, no condomínio, nas conversas na calçada, fim de tarde. E em muitos casos, em umas férias quaisquer, pode acontecer um momento mágico e marcante entre duas pessoas chamado “primeira vez”. Quando adultos também temos amores de férias, embora de uma maneira mais livre por conta da independência que a maioridade nos permite. Podemos encontrar na praia, num barzinho, na caminhada matinal ou na balada noturna – e porque não no aeroporto?

Fazemos de tudo para esticar as férias, dada a paixonite. Infelizmente, não há como fugir do adeus: abraços, beijos infinitos, chororô e promessas de reencontro (mesmo que silenciosas). Na maioria dos casos, no começo, mantém-se contato. Há pouco mais de dez anos isso poderia ser considerado uma prova de amor, considerando a caristia dos serviços de telefonia e internet. Hoje a tecnologia tem um papel essencial nessa fase. O WhatsApp e as redes sociais se tornam mais que aliados dos amantes.

O tempo passa. Passa. Passa. Tem casal que se reencontra, já conheci gente que atravessou fronteira para encontrar um amor de férias. Pode ser que esse amor vire um namoro sério, uma amizade, um casamento ou outra relação qualquer. A gente sempre está de peito aberto para um amor verdadeiro, independente de onde ele nasça. E também pode ser que esse amor de férias se torne apenas uma lembrança bonita e única de como é prazeroso fazer novas descobertas, amar e ser amada, especialmente sem a menor pretensão de que a felicidade esteja atrelada a alguém que não a nós mesmos – liberdade e plenitude, eu diria.


06 jul 2018
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#56 Pizzaiolo nota mil

Volta e meia, quando dá vontade, compro uma pizza no supermercado do lado de casa. É claro que pizza de pizzaria é sempre mais refinada, mais caprichada e mais cara. Mas preciso dizer que a pizza do Supemercado Leve tem um gosto especial. Além de muito caprichada, os atendentes fazem com que seja prazeroso montar a pizza, já que conversamos muito durante a montagem.

O pizzaiolo tem um nome um tanto diferenciado: Mil. Apelido de nome nordestino – e nunca vou me lembrar do nome completo (risos). Maranhense, Mil foi para Goiânia para estudar e tentar novas oportunidades. Todo dia que conversamos é uma graça, uma piada nova, um trocadilho com os sabores das pizzas, um papo sobre como foi meu dia.

Esses dias ele e a Rayene, que trabalha com ele na seção de pizza, estavam discutindo sobre minha idade. “30 anos? Mas você é tão novinha! Não acredito que você tem 30 anos”. E eu ri, alegre por terem me dado 23, 24 aninhos. Outra hora conversamos sobre crianças, sempre aparecem umas lindas no supermercado. A Rayene já é mãe, é jovem, trabalhadeira, empenhada e faz com muito capricho e empenho – mesmo cansada. E eu não penso em ter filhos (pelo menos não num futuro breve): outra vez, não acreditaram nesse fato…

Mil agora é pai: ele se enrolou com uma baiana, numa desses namoros de verão, e agora morre de saudades da filha que foi morar na Bahia com a mãe e a família dela. Montando minha pizza de queijo, calabresa, cebola, tomate, manjericão e orégano por cima, Mil me conta várias histórias da filha: descreve o cheiro dela, o jeitinho, os abraços. Fica todo feliz e coruja falando dela. “Ah, ser pai é maravilhoso, uma sensação diferente”, me diz. E mesmo tendo adiado um pouco o sonho de estudar, ele não pensa em desistir desse propósito. Entre uma pizza e outra, ele vai também montando como deseja a sua vida.

 


06 jul 2018
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#55 Visionária

Esses dias recebi um abraço muito apertado, como há tempos não recebia. Foi de uma pessoa de um coração enorme, que conheci em um dos locais em que trabalhei. Não somos amigas, mas tenho muita admiração por quem ela é e pelo trabalho que ela desenvolve.

No meio da praça nos vimos, durante um mobilização de trabalhadores. Ela com cabelos cacheados e apetrechos coloridos, me cumprimentou demoradamente. Depois trocamos algumas palavras sobre a vida e sobre os trabalhos no SUS e nos coletivos.

Autêntica, assim é Cida. Seja com seu jeito, suas crenças e lutas, suas roupas, sua atuação social e política. É assim que vejo a mulher forte, sensível e persistente. E fiquei feliz em saber que no mundo existem pessoas assim, que se importam com o outro sem nenhuma pretensão, que pensam (sonham e lutam) em um Brasil melhor, especialmente para aqueles que mais sofrem – física, social ou psicologicamente.

Alguém que se despe de preconceitos e vislumbra um futuro realmente mais democrático e plural, assim como eu. Ainda me taxam de sonhadora, mas o que seria de nós se não houvesse espaço para os sonhos? Muitas das nossas conquistas se devem a pessoas que sonharam e correram atrás de sonhos, projetos, ideais, inclusive quando ninguém acreditava neles. Não paremos de sonhar, jamais.


06 jul 2018
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¿por quá? grupo que dança divulga agenda de junho

Em parceria com Ponto de Cultura Cidade Livre, Centro Cultural Eldorado dos Carajás e Casa Corpo, grupo realiza três intervenções do POR ACASO_tardes de improviso

O ¿por quá? grupo que dança divulga sua agenda de apresentações para o mês de junho. Junto ao grupo musical Vida Seca, se reúne para três edições do POR ACASO_tardes de improviso. A intervenção de dança e música ocorre em parceria com diferentes centros de cultura nos próximos sábados do mês (16, 23 e 30 de junho).

Sempre com entrada gratuita, esta é uma etapa do TRANSporquar, projeto de manutenção do ¿por quá? grupo que dança, que possui fomento do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e segue até setembro de 2018 com atividades que reúnem o grupo a grandes parceiros e envolve também a comunidade em geral.

Centros de Cultura

Com o objetivo de explorar novos centros, conhecer novos públicos e sentir a dança numa realidade ainda desconhecida para o grupo, foram selecionados três Centros que trabalham com cultura para, a partir de apresentações artísticas de POR ACASO_tardes de improviso e Aparecidas, criar fluxos de parceria em ações e produções culturais.

O Ponto de Cultura Cidade Livre fez história em Aparecida de Goiânia ao criar o primeiro teatro da cidade. Local que utiliza a arte como meio de (trans)formações sociais recebe o POR ACASO_tardes de improviso no dia 16 de junho, às 17h.

Em parceria com o Centro Cultural Eldorado dos Carajás, a tarde de improviso do dia 23/06 ocorre na Praça do CIOPS, no Jardim Curitiba, às 19h. Com um importante diferencial, o POR ACASO se aproxima da comunidade ao se juntar à Batalha do Conhecimento, ação comum no movimento do Hip Hop de rimas improvisadas.

Para participar da batalha basta se inscrever na hora do evento. A partir de então os duelos começam com temas escolhidos pelo público presente. “Assim como o POR ACASO_ é formado por improvisos, as rimas da batalha também são. Vamos dançar ao som dos temas e das rimas”, comenta Luciana Celestino, integrante e produtora do ¿por quá? grupo que dança.

No dia 30/06 a última apresentação do POR ACASO_tardes de improviso do mês ocorre em parceria com a Casa Corpo, casa de residência dos grupos Vida Seca e ¿por quá? grupo que dança. Localizada numa rua sem saída no Setor Leste Universitário, a casa já recebeu outras edições da ação e convida para mais um encontro.

Improvisando danças e músicas

O POR ACASO surge em 2012 com o objetivo de ocupar a cidade de forma democrática, unindo dança e música em tardes de improvisos. Idealizado pelo ¿por qua? grupo que dança e o grupo musical Vida Seca, o projeto provoca dançarinos, músicos e desavisados para uma intervenção artística que caminha entre o popular e o contemporâneo. Uma estrutura básica é montada para quem quiser chegar. Para os dançarinos, tatames no chão, e para os músicos, instrumentos para o batuque.

A intervenção artística já passou por cidades da América Latina como Buenos Aires e Uruguai, além de brasileiras como Porto Alegre (RS), Alto Paraíso (GO), Rio de Janeiro (RJ) e Pirenópolis (GO), sempre gratuitos.

Serviço – Programação POR ACASO_tardes de improviso no mês de junho de 2018

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Ponto de Cultura Cidade Livre

16 de junho, sábado

Horário: 17h às 20h

Local: Av. Progresso Qd. 21 Lt. 04 casa 1, Aparecida de Goiânia

Entrada gratuita

 

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Centro Cultural Eldorado dos Carajás

23 de junho, sábado

Horário: 19h às 21h

Local: Praça do CIOPS. Av. do Mato, Jardim Curitiba, Goiânia

Entrada gratuita

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Casa Corpo

30 de junho, sábado

Horário: 17h às 20h

Local: Av. 243, esquina c Rua 233, Setor Leste Universitário, Goiânia.

Entrada gratuita